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Góticos: ao extremo da emoção negativa



A preocupação dos efeitos corrosivos das artes remonta ao grego Platão e seu discípulo Aristóteles, que viveram entre os séculos III e IV d.C. Para Platão, as artes altamente sentimentais despertam as emoções e corrompem o caráter a partir do momento em que comprometem parte do controle que a razão exerce sobre nós - fato este que se torna ainda mais preocupante quando as emoções despertadas são negativas. Aristóteles, por sua vez, acreditava que essas mesmas artes são saudáveis pela capacidade que têm de purgar a alma contra paixões destrutivas.

• Arte e Emoção

As artes desempenham papel fundamental no desenvolvimento das virtudes morais. O teatro trágico, por exemplo, é especialmente hábil em provocar sensações de medo e piedade. Ainda segundo Aristóteles, isso torna seus espectadores menos propensos a senti-las na vida real.

Filósofos e psicólogos não sabem dizer se emoções causam estados físicos ou se estados físicos causam emoções, mas têm absoluta certeza de que há ligação entre ambas as coisas. Tristeza e raiva são características inerentes ao ser humano, e a maneira de lidar com elas na infância pode definir o caráter; por isso, sentir pouca raiva é tão prejudicial quanto sentir muita raiva.
A raiva, a angústia e a tristeza, quando saudáveis, atuam no retorno a um estado emocional mais equilibrado, ao passo que a sua falta ou excesso leva à insensibilidade. Pesquisas dizem que adolescentes que escutam rock tendem a usar drogas, fazer sexo e ir mal na escola, mas é possível que esse estilo agressivo de música os ajude a lidar com seus entraves já existentes.

• Apaixonados pela vida

A subcultura gótica, que desde a década de 1990 caracteriza-se como uma corrente inspirada na melancolia e no Romantismo do século XVIII, permanece em constante renovação e baseia-se não apenas na música e no comportamento, mas também em outras formas de expressão que refletem a sua personalidade. Se o movimento punk foi uma algazarra sonora cheia de fúria, o pós-punk foi uma evolução que partiu da acusação para a reflexão - do você para o eu.

De acordo com o alemão Martin Heidegger, um dos principais representantes da filosofia existencialista, a sintonia com a morte e a vivência de experiências negativas produzem um sentimento apaixonado pela vida; o mórbido, a visão positiva sobre a solidão e a tristeza, portanto, abrem caminho para uma consciência livre de vícios e hipocrisia. Por outro lado, as normas e conceitos adotados pela sociedade oferecem a estrutura necessária para o desabrochar do ser humano, e rejeitá-las por completo pode causar alienação e amargura.

Fontes
Metallica e a Filosofia - Um curso intensivo de cirurgia cerebral, coletânea de William Irwin
Spectrum Gothic

Tribos Urbanas na América Latina

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Repudiados e temidos pela sociedade que tende a marginalizá-las, as tribos urbanas surgiram da necessidade de comunicar, diferenciar e identificar. Especialmente separadas pela estética, na América Latina as tribos da cultura dark são vistas como grotescas e, muitas vezes, também sofrem intolerâncias entre si.

• Cultura dark na adolescência

Transição crítica e crucial, com a adolescência surge a busca pela identidade. O adolescente - o ser humano - precisa sentir que pertence a algum lugar, e procura, em um universo simbólico, inspirar-se em um personagem mais liberto. Embora a rejeição e a agressão possam custar caro, o desejo pela satisfação pessoal é sempre mais forte.

• Punks


Na América Latina, os punks foram os primeiros a amedrontar com sua aparência: fizeram o trabalho sujo para que outras tribos pudessem surgir. Na Argentina, expressaram o inconformismo com a ditadura através da música e queriam questionar o estabelecido.

• Góticos


Associados ao terror e também à extrema sensibilidade, os góticos se voltam para o que todos os outros temem e ignoram: a morte e tudo o que se parece com ela. Suas festas, ditas manifestações satânicas e vampíricas, demonstram atração por uma beleza onde os outros não a veem. Mais temidos que desprezados, todos parecem concordar que dormir em caixões não deve ser nada confortável.

• Emos


A expressão, que provém do inglês emotional, designa jovens melancólicos e poéticos pejorativamente relacionados à automutilação e ao suicídio. No México, a jovem geração ainda enfrenta a violência nas ruas do país.

Fontes:
Tabu - América Latina: Tribos Urbanas

Lojas Nacionais e Internacionais



Os endereços abaixo correspondem a algumas das lojas nacionais e internacionais especializadas em moda alternativa para darks, góticos de todos os estilos, punks, headbangers e emos.
São camisetas, roupas, calçados, acessórios, jóias, maquiagens, CDs, DVDs e muitos outros artigos vendidos física e virtualmente com a garantia pessoal de um bom negócio.

• Nacionais

- Alquimia Rockshop
- Belladonna
- Black Cat Corsets
- Black Frost
- Black Maniacs
- Black Rose
- Consulado do Rock
- Crânio Store
- Dama da Lua
- Dark Angell Store
- Dark Fashion
- Dark Front
- Die Hard
- Fatum Rockstore
- Heavy Metal Rock
- Ideal Shop
- Kakau Corset
- La Sorcière Corsets
- Lady Snake
- Luly Shop
- Leviathan Quinquilharias
- Persephone
- Profecias
- Pulchra
- Red Bug
- RocketStar
- Rockstore
- Rock Shopping
- Skulls Rock Shop
- Sweet Sam

• Internacionais

- Androm
- Clockwork Couture
- Dark Skies
- Dracula Clothing
- Gloomth
- Gothic Style
- Gothic Styles
- Kambriel
- My Baby Rocks
- RetroScope Fashions
- Spiral
- The Black Angel

Tipos de Góticos

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• Old School


Este é o gótico tradicional, formado pela primeira geração dos anos de 1980. Muito influenciado pelo movimento punk, o old school faz uso de muito preto, maquiagem pesada, piercings, coturnos e jaquetas de couro. Assim como os adeptos do pós-punk (um meio termo entre o agressivo e o melancólico), abusam de penteados espetados com mechas em cores vibrantes e das jóias em prata.
Fãs de clássicos como The Sisters of Mercy, Bauhaus, Siouxsie and the Banshees e The Cure, acreditam que a atual cena gótica está morta e já não é mais a mesma.

• Medieval

Além do fascínio por construções antigas, como igrejas e cemitérios, o gótico medieval consiste em uma visão romântica deste período histórico tão sombrio. O canto gregoriano e a cultura celta são as maiores inspirações para as roupas simples e a pouca maquiagem; tanto os homens quanto as mulheres podem trazer os cabelos compridos, naturais - visto que durante a Idade Média e o Renascimento havia poucos ou nenhum método seguro de alisamento - e, por vezes, enfeitados com flores e pedrarias.
Em meio a espadas, machados e outras armas ornamentais, as bandas Dargaard e Dead can Dance são boas indicações.

• Vitoriano

Inspirado principalmente nos muitos anos (mais precisamente, 40) em que a Rainha Vitória vestiu-se somente com roupas pretas (desde a morte de seu marido, o Príncipe Albert, até o fim de sua vida), o gótico vitoriano procura resgatar a dignidade e a compostura da Inglaterra do século XIX. Corseletes, luvas, vestidos longos e armados, ternos, casacas, chapéus e bengalas - prezando sempre as rendas, os babados e bastante branco - figuram ao lado de uma pele imaculadamente pálida.
Prováveis leitores de Bram Stoker e Edgar Allan Poe, são ainda mais propensos ao teatro e à poesia; da ópera ao gothic rock, passando pela música clássica de Schubert e por bandas de darkwave, a norte-americana Rasputina é uma das mais apreciadas pelo gênero.

• Fetichista

Muito difundido nos anos de 1980, o fetish goth (como é chamado em inglês) transmite a idéia de explorar novas possibilidades e é um comportamento muito mais sexual do que propriamente social. Sensual e provocante, as roupas em couro e vinil são predominantemente de cunho sadomasoquista (S&M), utilizam-se de muito vermelho e costumam vir acompanhadas por todos os tipos de acessórios imagináveis, como algemas e coleiras - hábito inspirado na banda inglesa Bauhaus.
Quanto à música, a preferência é voltada para o new wave e para nomes que tragam traços da música eletrônica, como Depeche Mode.

• Vampírico

Baseados na lendária faixa Bela Lugosi's Dead, trilha sonora do longa The Hunger (Fome de Viver, 1983) gravada pelo Bauhaus, estes são os góticos que estão mais intimamente ligados ao culto do Vampirismo. Pálidos e aversos ao sol, tendem a ser pessoas divertidas, atraentes e amantes do famoso (e clichê) vinho tinto.
No cenário musical, a temática vampírica é recente e seu maior expoente é a banda italiana Theatres Des Vampires - pioneira do vampiric metal. Obras como Nosferatu e Drácula em suas dezenas de regravações, além dos livros da escritora norte-americana Anne Rice e do clássico Carmilla - A vampira de Karnstein (de Joseph Le Fanu), são as principais referências para este gênero.

• Deathrocker

Versão mais sombria do punk. As roupas rasgadas, acessórios e moicanos tornam praticamente impossível diferenciá-los como góticos à primeira vista; as bandas que ouvem - como Christian Death, Tragic Black e Alien Sex Fiend - são a única coisa que talvez facilite o seu reconhecimento.

• Industrial

Originalmente conhecidos como rivet heads (cabeças de prego, em inglês), não se consideram góticos e rejeitam o convívio com a cena. A grande maioria sequer tem interesse por algo relacionado à cultura, e talvez eles só sejam chamados de góticos porque suas roupas e CDs podem ser encontrados nas mesmas lojas.
O industrial é muito inspirado em produções como Matrix, podendo ser tido como uma versão mais militarizada do cyber-gótico. Luvas de couro, máscaras industriais e penteados retos sem muitos detalhes se referem a bandas como Throbbing Gristle (considerada pioneira do ramo), Rammstein, Nine Inch Nails e Terminal Choice - o mais puro industrial.

• Cyber

Muito diferente de todos os outros tipos de góticos, o cyber goth é uma cena puramente eletrônica e futurista. Cada vez mais populares e não muito apreciados pela cena tradicional, os cyber talvez só sejam chamados de góticos porque a sua música ainda soa um pouco depressiva em relação às outras.
Inspirada na ficção científica, sua aparência é uma grande confusão de pequenos acessórios cuja principal marca é a mistura de cores fluorescentes com o preto. Nos pés, plataformas altíssimas; nos cabelos, Dread Falls Cyberlox (feitos com fiação elétrica e um material chamado tubular crin) ou Foam Falls (feitos com EVA) que não deixam de chamar a atenção.
Dentro da música eletrônica, costumam ouvir muito EBM (Eletronic Body Music), Future Pop e Noise, embora haja os que preferem o bom e velho darkwave. Android Lust, Das Inch e Frant 242 são nomes que exemplificam bem o gênero.

• Babybat

Também chamados de wannabes (querer ser, em inglês) e de termos menos agradáveis, os babybats (bebês-morcego) nada mais são do que os adolescentes que estão descobrindo a cultura e a cena. Discriminados pela pouca idade e pela inexperiência, tendem a parecer mais bizarros e trevosos do que extravagantes.
Ainda influenciados pela falsa idéia que a mídia faz dos góticos, passam a ouvir Marilyn Manson, Him e Lacrimosa - esta última sendo o mais próximo da real ideologia que conseguem alcançar nesse estágio.

• Headbanger

Um metaleiro não é necessariamente um gótico, mas o fato é que a atual geração está cada vez mais ligada às mais variadas vertentes do metal. A música gótica e o rock pesado têm muitas diferenças, mas também muito em comum - e a prova disso são o doom, o sinfonic e o próprio gothic metal.
Epica, Nightwish, Tristania, Type O' Negative, Theatre of Tragedy, Lacuna Coil e Orphanage inspiram a arte de muitos góticos através da fusão de dois gêneros que têm tudo para se dar muito bem.

• Lolita

Recente, o gothic lolita teve início no Japão e é formado predominantemente por adolescentes que tiveram algum contato com a cultura através do cosplay (costume play, hobbie de caracterizar-se como um personagem).
Marcado pela androginia, nada mais é do que uma mistura piegas entre elementos punk e glam; vestidos delicados e curtos em preto, sombrinhas, sapatos mary jane e homens com o máximo de características femininas possível. Na música, a banda japonesa Visual Kei é o principal ícone.

• Romântico

Sensual, obscuro e misterioso, o gótico puramente romântico - com traços presentes em quase todos os outros tipos - é também melancólico e sonhador. Laços, crânios e rosas mortas refletem a influência da poesia de Byron e Shakespeare e da música clássica de Wagner e Bach.

• Hippie

.Faerie, do blog Goin' Goth
Pode mesmo parecer estranho, mas a única diferença entre os góticos-hippies e os próprios hippies é a predominância do preto e o culto aos mais diversos símbolos ocultistas. Seguidores do Paganismo e da Wicca, são pessoas naturalmente amáveis - não necessariamente vegetarianas ou ativistas - que acreditam na boa energia de velas, incensos e cristais.
Na música, bandas de darkfolk e ethereal como Faith and the Muse e Inkubus Sukkubus.

• Corp
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Martha Stewart, do blog This is Corp Goth
Quando os góticos da primeira geração cresceram e precisaram trabalhar, surgiu o corporate goth: um meio termo que consegue adaptar o estilo às roupas sociais sem, no entanto, abrir mão dele. Os chapéus, ternos e corseletes em risca-de-giz e jóias prateadas foram difundidos em todos os outros gêneros por uma questão de necessidade.
Fontes
Gothic Ground
Black Water Fall
Spectrum Gothic

Góticos e Homossexualismo

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Antes da organização dos inúmeros movimentos que hoje defendem o direito de liberdade sexual, a cultura gótica foi a única a receber de braços abertos tanto homossexuais, bissexuais e andróginos quanto assexuados - visto que em meados dos anos de 1980 os góticos sofriam tanto preconceito quanto os próprios homossexuais.
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Essa interação entre góticos e (principalmente) homossexuais em busca de abrigo contra os ataques de uma sociedade conservadora agregou à estética gótica elementos fetichistas como o sadomasoquismo (com destaque no lesbianismo, embora sejam poucos os casos que realmente vão além da aparência). A própria androginia se tornou uma característica das estéticas gótica e darkwave.
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Por vezes, há o exagero de características masculinas - como barba e cavanhaque - por parte dos homens, mas, cada vez mais, a cultura gótica preza a estética feminina.
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Diferentemente do que se possa imaginar, o gótico é um movimento de inclusão, identificação e tolerância, e não de exclusão, preconceito ou julgamento. O homossexualismo, assim como qualquer outra opção sexual, não é uma característica da cultura gótica - embora sejam todas natural e perfeitamente aceitas.
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Fontes
A Happy House in a Black Planet: Introdução à Subcultura Gótica, de H. A. Kipper
Spectrum Gothic

Principais Dúvidas sobre a Cultura Gótica



Anne Nurmi e Tilo Wolff


• Como surgiram os góticos?

O dito movimento gótico surgiu com a decadência do punk ao fim dos anos de 1970. A agressividade, marca maior das críticas contra a sociedade, e a evidente ausência de conteúdo já não eram capazes de satisfazer a própria geração que as alimentava, de modo que iniciou-se uma nova era de cultismo e introspecção.
O gótico é, portanto, sucessor do período pós-punk que ganhou impulso através do fascínio por uma cultura medieval ultra-romântica retratada pela literatura do século XIX e que, na verdade, jamais existiu.

• Estilo ou cultura?

A grande diferença entre o gótico e as outras tribos urbanas está na existência de uma ideologia. Ao contrário da maioria dos movimentos sócio-culturais, o gótico atrai - e mantém - seguidores de todas as idades, desde adolescentes de 15 a adultos de 35 anos.
A cultura gótica, em suma, é de um conceito que reúne extremos como amor e sofrimento, prazer e dor, sexo e morte; acredita que a Morte (com letra maiúscula) espera-nos de braços abertos ao longo de toda a nossa vida e preza o individualismo em uma sociedade cada mais mais fria e comercial.

• Por que os góticos se vestem de preto?

Preto: que é de cor escura; negro.
Que causa sombra; que traz escuridão.

Psicologicamente associada pelo inconsciente humano aos sentimentos de dor e tristeza, a cor preta confere um aspecto de mistério e pesar. Por sua grande facilidade em transmitir dramaticidade e negativismo, é a principal base da estética gótica.

• Qual a importância da maquiagem gótica?



A maquiagem, excessivamente pesada e teatral, é parte da caracterização cênica e ajuda a exprimir o sentimentalismo através de uma aparência mórbida, mutilada e muitas vezes doentia.
Ao contrário do que se possa imaginar, emprega - principalmente aos olhos - fortes graduações de vermelho, roxo e rosa (embora de, assim como acontece com as roupas, basearem-se sempre no preto).

• Por que góticos frequentam cemitérios?


Atraídos pela atmosfera austera e lúgubre dos cemitérios, muitos góticos - mas não todos - encontram entre as sepulturas a personificação de seu próprio mundo interior e sentem-se mais próximos e conscientes do frágil limite entre a vida e a morte.
Costumam apreciar a arte funerária e, tanto individualmente quanto em grupos, refugiam-se entre os mortos das agitações que os perturbam para encontrar tranquilidade e inspiração, ler ou ouvir música.

Quanto a frequentá-los durante a noite, que fique claro que isso nada tem a ver com atos de vandalismo que são muito comumente atribuídos aos góticos - mas sim com o fato de que, envolvidos pela escuridão da noite, os cemitérios tornam-se vazios e prazerosamente ermos.

• Por que os góticos preferem a noite?

Além de preteriem a exposição ao sol (uma vez que muitos procuram manter a pele alva e pálida), os góticos sentem-se mais atraídos pela aura fúnebre da noite. Inclusive, é quando vêem-se envolvidos pela sua escuridão que sentem-se um pouco mais imunes aos olhares e julgamentos que enfrentam nas ruas durante o dia.

• Existe alguma religião ou crença diretamente relacionada aos góticos?

Crenças milenares - como o Cristianismo e o Paganismo, por exemplo - costumam ser muito discutidas pelos góticos, mas nenhuma religião, seja ela de qualquer espécie, caracteriza a sua cultura.
Embora existam muitos seguidores da antiga Wicca e de outras vertentes pagãs que antecederam o período medieval, a grande maioria é constituída por agnósticos e, principalmente, ateus. Em extremo oposto ao que se costuma dizer, satanistas são muito raros.

• Góticos são mesmo tão sombrios e frios quanto aparentam?

Os góticos tendem a um humor irônico e até mesmo hipérbole ou indiferente, mas, naturalmente, cada um continua a ter sua própria personalidade. São comumente nostálgicos e introspectivos, mas não necessariamente frios.

• Para ser gótico, é preciso ser depressivo?


É importante ressaltar que, antes de pertencerem a qualquer tipo de grupo, todos são seres humanos que sofrem alterações de humor, sentem fome, frio e envelhecem ao longo dos anos. A depressão é um distúrbio psicológico que não deve ser confundido com os sentimentos de tristeza ou melancolia e muito menos com a cultura gótica.
Um gótico, independentemente do quão tétrica possa ser a sua aparência, pode perfeitamente ser o máximo expoente da alegria. Vê-lo sorrir, relacionar-se com outras pessoas que não chegam nem perto de ser góticas ou vestir-se com roupas que não pretas ou brancas não deve ser encarado como algo sobrenatural.

• É possível ser gótico mesmo sem vestir-se a caráter ou gostando apenas de rock?

Certamente que sim. Vestir-se a caráter é apenas uma maneira de exteriorizar idéias e opiniões. Existem góticos - embora sejam poucos - que não se vestem como tais, e estes são, em geral, góticos mais velhos que precisaram adequar-se ao trabalho ou que não sentem necessidade de desenvolver a caracterização cênica em situações normais do dia a dia.
E, quanto à música, o mesmo se aplica: o gótico não é apenas um gênero musical, mas também literário, artístico e social. Além do mais, não existem regras que definem o que é ou não permitido e correto; entretanto, acredita-se que o desejo de identificar-se como gótico seja uma consequência da empatia pelas várias - se não por todas - áreas da cultura.

• Existe muito preconceito em relação aos góticos?


Helena Bonham Carter e Tim Burton

Se nos referirmos à sociedade como um todo, pode-se dizer apenas que é lamentável assistir à capacidade das pessoas em criticar algo que elas sequer conhecem. A discriminação e o preconceito são praticamente palpáveis. Entretanto, a admiração e o verdadeiro respeito também podem ser vistos e sentidos, mesmo que em uma muito menor escala.
Infâmias, humilhações e estereótipos existem, sim, mas a segurança e a autoconfiança devem ser inabaláveis para que não se curvem diante dos muitos insultos que certamente virão.

• Como a família e as pessoas mais próximas costumam lidar com essa escolha?

Como a descoberta e respectiva identificação com a cultura gótica costumam acontecer durante o período naturalmente conturbado que é a adolescência, é normal que a reação dos pais e antigos amigos não seja das melhores.
Entretanto, nada mais compreensível: por terem acompanhado seus filhos em cada etapa da infância, é de se esperar que os pais sejam os primeiros a lançar mão de comentários desagradáveis sem nem mesmo preocupar-se em disfarçá-los. Mas, assim como a família, acredita-se que boa parte dos amigos consiga assimilar as mudanças que virão com o passar do tempo.

• Os góticos têm alguma tribo rival?

Tecnicamente, não. Embora atualmente exista certa tensão em relação aos recém-criados emos, os góticos têm como uma de suas principais características a tolerância, o respeito e a não-violência.
O fato é que os primeiros góticos surgiram há cerca de 25 anos a mais do que os emos, que vivem hoje a sua primeira e já decadente geração. Em sua maioria adolescentes vestidos de preto e exagaradamente influenciados pelo sentimentalismo pessimista, os emos passaram a ser confundidos com os góticos - que, em meio à febre deste novo modismo, passaram a ser pejorativamente chamados de emos.
Se não há conflito, há ainda menos aproximação. Embora a sociedade pareça sentir prazer em alimentar a antipatia entre os dois grupos, é verdade que os góticos costumam considerar os emos como cópias mal e porcamente forjadas de seus hábitos e idéias.

Quanto a punks e, principalmente, skinheads, não é necessário dizer que não existe uma rixa, mas sim um absurdo caso de discriminação que transforma não apenas góticos - como também homossexuais, estrangeiros e negros - em vítimas de agressões físicas e morais.

• Em que consiste a música gótica?

A música gótica tende a reunir instrumentos sinfônicos ao ritmo profano das mais agressivas vertentes do metal. Inclusive, o gothic metal utiliza-se tanto de sopranos (femininos) agudos quanto de vocais sombrios e guturais que inspiram violência à perfeita união das músicas clássica, sacra e erudita com o metal, o doom e o punk rock.
As letras, pesadas e impregnadas pelo sentimentalismo mórbido e ultra-romântico, podem referir-se tanto às percepções do compositor quanto à sociedade ou tratar de temas épicos, míticos e religiosos.

• Quais são os principais nomes da música gótica atual?


Type O' Negative

Além das clássicas e pioneiras The Cure e The Sisters of Mercy, nos últimos anos nomes como Lacrimosa, Tristania, Type O' Negative, Theatres Des Vampires, Nightwish, Epica e Era ganharam grande prestígio entre o público gótico; e, embora não se dirija exclusivamente a este tipo de público, a norte-americana Evanescence é um dos maiores ícones.
Existem também outras menos conhecidas - mas não menos importantes ou apreciadas - como Within Temptation, Lacuna Coil, My Dying Bride, Lacrimas Profundere, Blackmore's Night e Mortal Love.

• Quais são os principais expoentes da cultura gótica?


Evanescence

Os alicerces são poetas tradicionais, como o inglês Lord Byron; Álvares de Azevedo, principal autor do ultra-romântismo brasileiro no século XIX; e Edgar Allan Poe, célebre figura do terror norte-americano. Mas outras grandes inspirações da atualidade são o cineasta Tim Burton, que encanta com a estética sombria e adoravelmente bizarra de suas produções; e os escritores Anne Rice, autora de crônicas sobre vampiros e anjos, e Stephen King, mestre do suspense moderno.

Mesmo que de maneira relativamente hipérbole, a vocalista, pianista e principal compositora do Evanescence, a também norte-americana Amy Lee tornou-se um dos principais ícones para góticos de todo o mundo após o estrondoso sucesso de sua banda. Ainda no cenário musical, temos a figura pessoal de Tilo Wolff - fundador da alemã Lacrimosa.

Drácula, de Bram Stocker, e Nosferatu, baseado em Drácula e dirigido por F. W. Murnau, são duas criações clássicas que também inspiram a aparência de muitos góticos. Quanto ao teatro, os grandes nomes são de obras como O Fantasma da Ópera, de Gaston Leroux; Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, de Christopher Bond; e Hamlet, de William Shakespeare.
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Colaboradores
Letícia de Paula e Diorgenes Calumby elaboraram as perguntas

Cruz de Ankh



Também conhecida como cruz ansata (do latim crux ansata, cruz alada), cruz egípcia, cruz cóptica, cruz da vida, cruz das mãos ou chave do Nilo, a cruz de ankh pode ser encontrada em murais, obeliscos e túmulos egípcios que datam a partir da 5ª dinastia. Os templos de Luxor, Medinet Habu, Hatshepsut, Karnak e Edfu e a tumba do jovem Tutankhamon - onde o símbolo assume a forma de um porta-espelho (a palavra ankh significa espelho) - são alguns exemplos.
Quando concebida a um faraó por uma divindade, presa próxima à boca de um corpo mumificado ou associada a um triângulo isósceles, representa o dom da imortalidade e o controle sobre os ciclos vitais da natureza.

Assimilada pela antiga cultura peruana Mochica em 700 d.C. e mal vista pela Igreja Católica por suas ligações diretas com o paganismo, a cruz manteve sua popularidade mesmo após a cristianização dos egípcios no século 3 d.C. - quando passou a ser chamada de cruz cóptica.

• Estrutura Anatômica

Adotada pelas mais diferentes culturas e erroneamente associada a rituais de magia negra por sua semelhança modificada em relação à cruz cristã, a cruz de ankh (cujo hieróglifo egípcio que a ilustra significa vida) pode ser interpretada como uma analogia à anatomia humana - onde a alça ovalada representa a cabeça, o eixo horizontal, os braços, e o eixo vertical, o restante do corpo.

A alça ovalada que substitui a tradicional haste superior vertical pode simbolizar tanto a união sexual entre os deuses Osíris e Ísis (que proporcionavam as cheias periódicas do rio Nilo, principais responsáveis pela sobrevivência da população) quanto o útero feminino. Além disso, a forma circular é uma clara alusão ao ciclo previsível e inalterável da vida.
Já a haste inferior vertical, por sua vez, descende exatamente ao centro do laço e atua como ponto de intersecção entre os pólos esquerdo e direito (no caso, feminino e masculino). Representa tanto o fruto da união entre os dois opostos quanto o pênis masculino.

Em gravuras primitivas, apresenta todas as suas três extremidades bipartidas. Mas jamais deve ser associada ao objeto de uma chave, uma vez que não existiam fechaduras à época em que foi idealizada.

• Simbolismo

Para os egípcios, ankh representava a eternidade e a reencarnação, conceitos básicos de sua religião. Para a Ordem Rosa-Cruz, pela qual também foi absorvida, ilustrava a união entre o reino do Céu e a Terra.
Para a Wicca, simboliza a elevação da alma e o fortalecimento do espírito através da conexão com o divino. Para as bruxas contemporâneas, atua como amuleto contra as doenças e a morte para seu protetor e aqueles que estão à sua volta. Já no Vampirismo e no Satanismo, é um atributo à longevidade, que preza a fertilidade e outras características da cultura pagã.

• Mas e os Góticos?



Dos dois maiores fatos que acredita-se tenham levado à introdução da cruz de ankh na cultura gótica, o mais importante talvez seja a grande divulgação do filme The Hunger - Fome de Viver (1983). Protagonizado por ninguém mais, ninguém menos do que David Bowie e Catherine Deneuve, o longa em questão - onde a dupla espreita suas vítimas em uma casa noturna ao som da faixa Bela Lugosi's Dead - parece basear-se na aparentemente simples equação de que vampiros + cruz de ankh + Bauhaus = góticos.
O segundo grande estopim, agora de caráter exclusivamente nacional, aconteceu ao início dos anos de 1970, com Paulo Coelho e Raul Seixas. A Sociedade Alternativa, fundada por estes e outros, trazia como selo a cruz de ankh adaptada a dois degraus na haste inferior vertical - simbolizando o Degrau da Iniciação ou ainda "a chave que abre todas as portas".

Desde então, ankh passou a representar, para a cultura gótica, não mais a vontade de viver, mas sim o desejo de evoluir através do individualismo e do conhecimento - assim como o simbolismo que tomou emprestado do Vampirismo unido às percepções da realidade através do sentimento ultra-romântico que caracteriza o movimento.
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Fontes
Spectrum Gothic
Holoweb
O Manual do Bruxo - um dicionário do mundo mágico de Harry Potter, Allan Zola Kronzek e Elizabeth Kronzek