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O papel da mulher na Igreja Cristã


Faça-se em mim segundo a tua palavra.
Lucas, 1:38


Virgem Maria: ideal feminino cristão
que procura transmitir às mulheres
o exemplo de uma vida sem relevo que encontrou
no servir a Deus a sua glória.

A fé cristã ensina que Jesus Cristo foi morto em favor dos homens, que haviam perdido a graça de Deus e se distanciado dele no início da criação do mundo. Para essa doutrina baseada no patriarcado, a mulher é um reflexo secundário do homem e também responsável pela queda da humanidade no pecado. Como castigo, é condenada a sofrer as dores do parto e a dominação masculina: na infância, o pai; na vida adulta, o marido ou os irmãos; na velhice, os filhos.

• Idade Média

Antes de mais nada, as mulheres eram perigosas e deviam ser vigiadas. Os maridos tinham o direito de castigá-las sempre que considerassem necessário - acreditava-se, inclusive, que uma surra de vez em quando poderia fazer muito bem.

Para a igreja, o casamento era um mal menor. A união conjugal era tolerada para a perpetuação da espécie humana, e o sexo - mesmo entre marido e mulher - como fonte de prazer era duramente condenado. Nas palavras de São Paulo, "mais vale casar do que arder".

Para os cátaros, povo herético originário do sul da França cujo nome significa puros, a castidade era uma obrigação absoluta. A mulher era um perigo permanente, e se fosse tocada - mesmo involuntariamente - expunha o perfeito a três dias de jejum. O casamento era tido como um estado satânico porque regularizava o crime da carne e tinha como consequência natural a procriação. A concubina era mais aceita socialmente do que a mulher casada, fato que levou os cátaros à acusação de promiscuidade.

• Idade Contemporânea

Talvez em resposta à revolução sexual feminina ocorrida após o advento da pílula anticoncepcional e à crescente participação da mulher no mercado de trabalho e em outras esferas da sociedade, Josemaría Escrivá de Balaguer, fundador da Opus Dei, afirma em A mulher na vida do mundo e da Igreja (1968) que "a atenção prestada à família constituirá sempre, para a mulher, a sua maior dignidade". Segundo ele, conquistar a igualdade com o homem seria não uma aquisição, mas uma perda para a mulher.
Balaguer dizia ainda que as mulheres são culpadas por 80% das infidelidades dos maridos porque não sabem conquistá-los dia após dia, e que não há desculpa - trabalho, vida própria - para que não se ocupem primeiramente do lar.

• Repressão sexual

Como supremo legislador da Igreja, o papa Pio XII (1939-1958) permitiu apenas alguns processos naturais (entre os quais não figura a pílula) para evitar a concepção em casos isolados e difíceis. Agir de modo diferente, portanto, é uma desobediência grave ao Santo Padre.
Para Balaguer, "não haverá quem se sinta verdadeiro filho de seus pais se puder vir a pensar que veio ao mundo contra a vontade deles, que não nasceu de um amor limpo, mas de uma imprevisão ou de um erro de cálculo." E mais: o uso de meios anticoncepcionais provoca destruição do amor conjugal (porque marido e mulher olham um para o outro não como companheiros, mas como cúmplices), infelicidade, infidelidade e desequilíbrios espirituais e mentais.

Fontes
A mulher na vida do mundo e da Igreja, Josemaría Escrivá
Heresias Medievais, Nachman Falbel
História, Renato Mocellin
Nova Enciclopédia Ilustrada Ana Maria - volume 3

Os Sete Pecados Capitais

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Os conceitos incorporados aos sete pecados capitais tratam-se de uma classificação de condições humanas conhecidas atualmente como vícios que é muito antiga e precede o surgimento do cristianismo mas que foi usada mais tarde pelo catolicismo com o intuito de controlar, educar, e proteger os seguidores, de forma a compreender e controlar os instintos básicos do ser humano. O que foi visto como problema de saúde pelos antigos gregos como, por exemplo, a depressão (melancolia, ou tristetia), foi transformado em pecado pelos grandes pensadores da Igreja Católica.

• Gula

É o desejo insaciável, além do necessário, em geral por comida, bebida ou substâncias tóxicas. Para algumas denominações cristãs, é considerado um dos sete pecados capitais. Segundo tal visão, esse pecado também está relacionado ao egoísmo humano: querer ter sempre mais e mais, não se contentando com o que já tem, é uma forma de cobiça. Ela seria controlada pelo uso da virtude da temperança. Entretanto, a gula não é considerada um pecado universalmente; dependendo da cultura, ela pode ser vista como um sinal de status.

• Avareza

É o apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro, priorizando-os e deixando Deus em segundo plano. É considerado o pecado mais tolo por se firmar em possibilidades. Na concepção cristã, a avareza é considerada um dos sete pecados capitais, pois o avarento prefere os bens materiais ao convívio com Deus. Neste sentido, o pecado da avareza conduz à idolatria, que significa tratar algo, que não é Deus, como se fosse Deus.

• Luxúria

A luxúria (do latim luxuriae) é o desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material. Também pode ser entendido em seu sentido original: “deixar-se dominar pelas paixões”. Segundo a doutrina católica, é um dos sete pecados capitais e consiste no apego aos prazeres carnais, corrupção de costumes, sexualidade extrema, lascívia e sensualidade.

• Ira

É um intenso sentimento de raiva, ódio e rancor - um conjunto de fortes emoções e vontade de agressão geralmente derivada de causas acumuladas ou traumas. Pode ser visto como uma cólera ou um sentimento de vingança, ou seja, uma vontade frequentemente tida como incontrolável dirigida a uma ou mais pessoas por qualquer tipo de ofensa ou insulto.

• Vaidade ou Soberba

Para a Igreja Católica, a soberba é um dos sete pecados capitais, sendo o mesmo pecado associado ao orgulho excessivo, à arrogância e à vaidade.

• Inveja

É um dos sete pecados capitais na tradição Católica. É considerada pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bênçãos e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual. É o desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue. O invejoso ignora tudo o que é e possui para cobiçar o que é do próximo.

• Preguiça

A Igreja Católica apresenta a preguiça como um dos sete pecados capitais caracterizado pela pessoa que vive em estado de falta de capricho, esmero, empenho, em negligência, desleixo, morosidade, lentidão e moleza, de causa orgânica ou psíquica, que a leva à inatividade acentuada. Aversão ao trabalho, frequentemente associada ao ócio e à vadiagem.

Fontes
Sistinas

A Bíblia

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A história de Deus foi escrita pelos homens.
Mas quem é o autor do livro mais influente de todos os tempos?

• O Começo
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Em algum lugar do Oriente Médio, por volta do século X a.C., uma pessoa decidiu escrever um livro. Pegou uma pena, nanquim e folhas de papiro (uma planta importada do Egito) e começou a contar uma história mágica, diferente de tudo o que já havia sido escrito. Era tão forte, mas tão forte, que virou uma obsessão. Durante os mil anos seguintes, outras pessoas continuariam reescrevendo, rasurando e compilando aquele texto, que viria a se tornar o maior best-seller de todos os tempos: a Bíblia.
Ela apresentou uma teoria para o surgimento do homem, trouxe os fundamentos do judaísmo e do cristianismo, influenciou o surgimento do islã, mudou a história da arte – sem a Bíblia, não existiriam os afrescos de Michelangelo nem os quadros de Leonardo da Vinci – e nos legou noções básicas da vida moderna, como os direitos humanos e o livre-arbítrio.
Mas quem escreveu, afinal, o livro mais importante que a humanidade já viu? Quem eram e o que pensavam essas pessoas? Como criaram o enredo, e quem ditou a voz e o estilo de Deus? O que está na Bíblia deve ser levado ao pé da letra, o que até hoje provoca conflitos armados? A resposta tradicional você já conhece: segundo a tradição judaico-cristã, o autor da Bíblia é o próprio Todo-Poderoso. E ponto final. Mas a verdade é um pouco mais complexa que isso.

• Aceitação
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A própria Igreja admite que a revelação divina só veio até nós por meio de mãos humanas. A palavra do Senhor é sagrada, mas foi escrita por reles mortais. Como não sobraram vestígios nem evidências concretas da maioria deles, a chave para encontrá-los está na própria Bíblia. Mas ela não é um simples livro: imagine as Escrituras como uma biblioteca inteira, que guarda textos montados pelo tempo, pela história e pela fé. Aliás, o termo “Bíblia”, que usamos no singular, vem do plural grego ta biblia ta hagia (os livros sagrados). A tradição religiosa sempre sustentou que cada livro bíblico foi escrito por um autor claramente identificável. Os cinco primeiros livros do Antigo Testamento (que no judaísmo se chamam Torá e, no catolicismo, Pentateuco) teriam sido escritos pelo profeta Moisés por volta de 1200 a.C. Os Salmos seriam obra do rei Davi, o autor de Juízes seria o profeta Samuel, e assim por diante. Hoje, a maioria dos estudiosos acredita que os livros sagrados foram um trabalho coletivo. E há uma boa explicação para isso.

• Origens
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As histórias da Bíblia derivam de lendas surgidas na chamada Terra de Canaã, que hoje corresponde a Líbano, Palestina, Israel e pedaços da Jordânia, do Egito e da Síria. Durante séculos acreditou-se que Canaã fora dominada pelos hebreus. Mas descobertas recentes da arqueologia revelam que, na maior parte do tempo, Canaã não foi um Estado, mas uma terra sem fronteiras habitada por diversos povos – os hebreus eram apenas uma entre muitas tribos que andavam por ali. Por isso, sua cultura e seus escritos foram fortemente influenciadas por vizinhos como os cananeus, que viviam ali desde o ano 5000 a.C. E eles não foram os únicos a influenciar as histórias do livro sagrado.
As raízes da árvore bíblica também remontam aos sumérios, antigos habitantes do atual Iraque, que no 3º milênio a.C. escreveram a Epopéia de Gilgamesh. Essa história, protagonizada pelo semideus Gilgamesh, menciona uma enchente que devasta o mundo (e da qual algumas pessoas se salvam construindo um barco). Notou semelhanças com a Bíblia e seus textos sobre o dilúvio, a arca de Noé, o fato de Cristo ser humano e divino ao mesmo tempo? Não é mera coincidência. A Bíblia era uma obra aberta, com influências de muitas culturas.

• Dispersão e controvérsias
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Foi entre os séculos X e IX a.C. que os escritores hebreus começaram a colocar essa sopa multicultural no papel. Isso aconteceu após o reinado de Davi, que teria unificado as tribos hebraicas num pequeno e frágil reino por volta do ano 1000 a.C. A primeira versão das Escrituras foi redigida nessa época e corresponde à maior parte do que hoje são o Gênesis e o Êxodo. Nesses livros, o tema principal é a relação passional (e às vezes conflituosa) entre Deus e os homens. Só que, logo no começo da Bíblia, já existiu uma divergência sobre o papel do homem e do Senhor na história toda. Isso porque o personagem principal, Deus, é tratado por dois nomes diferentes.
Em alguns trechos ele é chamado pelo nome próprio, Yahweh – traduzido em português como Javé ou Jeová. É um tratamento informal, como se o autor fosse íntimo de Deus. Em outros pontos, o Todo-Poderoso é chamado de Elohim, um título respeitoso e distante (que pode ser traduzido simplesmente como “Deus”). Como se explica isso? Para os fundamentalistas, não tem conversa: Moisés escreveu tudo sozinho e usou os dois nomes simplesmente porque quis. Só que um trecho desse texto narra a morte do próprio Moisés. Isso indica que ele não é o único autor. Os historiadores e a maioria dos religiosos aceitam outra teoria: esses textos tiveram pelo menos outros dois editores.
Acredita-se que os trechos que falam de Javé sejam os mais antigos, escritos numa época em que a religiosidade era menos formal. Tempos mais tarde, os dois relatos foram misturados por editores anônimos – e a narrativa do Eloísta, mais comportada, foi parar no início das Escrituras. Começando por aquela frase incrivelmente simples e poderosa, notória até entre quem nunca leu a Bíblia: “E, no início, Deus criou o céu e a terra...”

• Tradução
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A maioria dos evangelhos escritos nos séculos I e II desapareceu. Naquela época, um “livro” era um amontoado de papiros avulsos, enrolados em forma de pergaminho, podendo ser facilmente extraviados e perdidos. Mas alguns evangelhos foram copiados e recopiados à mão, por membros da Igreja. Até que, por volta do século IV, tomaram o formato de códice – um conjunto de folhas de couro encadernadas, ancestral do livro moderno. O problema é que, a essa altura do campeonato, gerações e gerações de copiadores já haviam introduzido alterações nos textos originais – seja por descuido, seja de propósito. Muitos erros foram feitos nas cópias, erros que às vezes mudaram o sentido dos textos. Em certos casos, tais erros foram também propositais, de acordo com a teologia do escrivão.
A Bíblia chegou ao nosso idioma em 1753 – quando foi publicada sua primeira tradução completa para o português, feita pelo protestante João Ferreira de Almeida. Hoje, a tradução considerada oficial é a feita pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e lançada em 2001. Ela é considerada mais simples e coloquial que as traduções anteriores. De lá para cá, a Bíblia ganhou o mundo e as línguas. Já foi vertida para mais de 300 idiomas e continua um dos livros mais influentes do mundo: todos os anos, são publicadas 11 milhões de cópias do texto integral, e 14 milhões só do Novo Testamento.

Fontes
Revista SuperInteressante - edição 259, dezembro de 2008

Islamismo


Baseado nos ensinamentos do profeta Maomé e religião que mais cresce em todo o mundo, o Islamismo tem aproximadamente 1500 anos e é quase tão antigo quanto o próprio Cristianismo.
A própria palavra islã (que, em árabe, significa submeter) exprime a submissão do muçulmano (em árabe, muslinum = aquele que se submete a Deus) às leis e à vontade de Alá: além de uma rígida doutrina religiosa, o Islamismo é também um intolerante sistema moral e político.
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• Maomé
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Maomé (corruptela hispânica de Mohammed, que por sua vez deriva do verbo hâmada e significa digno de louvor) nasceu na cidade de Meca, na atual Arábia Saudita, em 570 d.C. Pertencia ao clã dos Hashim, uma ramificação da tribo dos coraixitas. Filho de Abdulá e Amina, tornou-se órfão aos seis anos de idade e foi criado inicialmente pelo avô paterno, Abd Al-Mutalib, e depois pelo tio, Abu Talib.

Assim como todos os homens de sua família, iniciou-se na prática do comércio, mas veio a tornar-se um prodigioso político e legislador. Aos 25 anos, já com a reputação de um comerciante próspero e honesto, casou-se com uma riquíssima viúva chamada Khadija. 15 anos mais velha do que Maomé e sua primeira esposa, Khadija foi a primeira a converter-se à religião pregada por ele.

Aos 40 anos, acredita-se Maomé tenha recebido as primeiras revelações sobre sua missão através do Arcanjo Gabriel - revelações estas que se repetiriam durante toda a vida do profeta e logo seriam registradas no que hoje é o Alcorão.

Diante das tradicionais crenças politeístas das tribos semitas, o monoteísmo de Maomé gerou perseguições religiosas e obrigou-o a fugir para a cidade de Medina. Em 630 d.C., após alguns anos de lutas pelo controle das rotas comerciais do Oriente, Maomé conquistou Meca e voltou a Medina - onde, após dois anos, morreu sem deixar sucessores.

• Livros Sagrados

Mesmo após a sua morte, Maomé deixou o legado de uma comunidade espiritualmente unida e politicamente organizada a partir de seus ensinamentos.

Principal base da religião islâmica, o Al-Coran (vulgarmente, Alcorão), cuja edição definitiva foi lançada em 650 d.C., é o resultado dos mais de 20 anos de pregação de Maomé: são 6226 versos distribuídos em 114 capítulos.
Já a Suna, segunda maior fonte doutrinal do Islamismo, é um compêndio de leis, preceitos civis baseados nos ahadith (ditos e feitos) e textos relacionados às palavras do profeta.

• Doutrina

O Islamismo crê em um único e verdadeiro deus - Alá - e nos 124 mil profetas que este já enviou ao mundo (apesar de apenas 30 estarem diretamente relacionados ao Alcorão). Destes, os seis principais são Adão, o escolhido de Alá; Noé, o pregador de Alá; Abraão, o amigo de Alá; Moisés, o porta-voz de Alá; Jesus, a palavra de Alá; e Maomé, o apóstolo de Alá.
Crê também no nascimento virginal de Jesus, assim como em sua morte expiatória, ressurreição corporal e ascensão gloriosa aos céus; na criação dos seres humanos iguais em méritos, opostos em sexo e perfeitos física, psíquica e espiritualmente; na pecaminosidade que destituiu este mesmo homem da glória divina; e no arrependimento por seus erros - único meio de resituí-lo diante de Deus.

Os muçulmanos acreditam que haverá o Dia do Juízo Final - onde os justos serão enaltecidos e os desonestos, humilhados publicamente e condenados ao sofrimento eterno -, mas acreditam também no carma do destino e admitem o culto a santos e espíritos (djinn), sejam eles bons ou maus.
Segundo Maomé, Alá é o autor do bem e do mal e suas ordens são cruéis e imperativas. Quanto aos anjos, diz-se que são inferiores aos homens mas intercedem por eles.

• Os Pilares da Fé

Recitação do credo islâmico

"Não há outro Deus além de Alá e Maomé é o seu profeta (em árabe, La Ilaha Ilal Lah, Mohammad Raçulul-Lah)". A declaração desta sentença - que também costuma ser recitada para recém-nascidos-, denominada Chahada, é o bastante para garantir a entrada no paraíso após a morte e repeti-la faz acumularem-se méritos.

Preces cotidianas

Cinco vezes ao dia em diferentes posições (de pé, de joelhos ou deitado sobre um tapete especial) e horários (ao amanhecer, ao meio dia, ao meio da tarde, ao crepúsculo e à noite), as salats são obrigatoriamente realizadas em direção a Meca. Um religiososobe a uma torre da mesquita, chamada de minarete, onde toca uma corneta denominada muezim para convocar os outros fiéis para a missa. Antes de cada oração, o fiel deve lavar o rosto, os braços, as mãos e os pés.

Ramadã

Durante todo um mês (o nono do calendário islâmico), os muçulmanos jejuam do nascer ao pôr do sol em celebração à primeira revelação de Alá recebida por Maomé. Segundo eles, os portões do paraíso se abrem, os do inferno se fecham e aqueles que jejuam recebem o perdão por seus pecados.
Durante o Ramadã, não é permitido comer, beber, fumar ou manter relações sexuais em nenhuma das horas em que há a luz do dia. O término de cada jejum é celebrado com uma oração e uma refeição chamada iftar - após a qual é comum que a família saia para visitar amigos e parentes.
Caso quebre o período de abstinência, o (in)fiel deverá alimentar uma pessoa necessitada para cada dia desrespeitado. O bem feito pelo jejum do Ramadã também pode ser anulado através de gestos de ganância, falsidade ou traição; atitudes como estas já são normalmente consideradas ofensivas, mas são muito mais condenáveis durante o Ramadã.

Neste mesmo período de jejum, costuma-se recitar uma prece especial chamada Oração de Taraweeh (em árabe, Oração Noturna), a qual é três vezes mais extensa do que as preces cotidianas. Muitos muçulmanos vão a mesquitas para estudar o Alcorão.
À noite do 27º dia do nono mês, é celebrado o Laylat-al-Qadr (em árabe, Noite do Poder), noite em que acredita-se Maomé tenha recebido de Alá o sagrado Alcorão. Segundo o livro sagrado, é nesta noite em que Deus determina o futuro do mundo durante todo o ano seguinte.

Ao fim do jejum - primeiro dia do mês de Shawwal -, comemora-se o Id-al-Fitr (em árabe, Banquete do Término do Jejum), feriado de três dias em que as famílias fazem banquetes e algumas cidades promovem festivais.

Peregrinação a Meca

Ao menos uma vez na vida, todo muçulmano dotado de condições físicas e financeiras deve ir até Meca durante a festa de Eid el Adha, que relembra o dia em que Abraão aceitou a ordem de sacrificar um carneiro no lugar de seu filho.

A cada ano, estima-se que cerca de dois milhões de fiéis realizem a peregrinação, vestindo-se com roupas simples para serem igualmente reconhecidos diante de Deus, independentemente de sua classe social.

Pagamento do Zakat
Imposto anual que corresponde a 2,5% do lucro pessoal de cada muçulmano em prol da purificação (significado da palavra zakat), do ato de caridade para com os pobres e da manutenção e construção das riquíssimas mesquitas.

Jihad

Considerado por alguns como o sexto pilar da fé islâmica, o Jihad é a guerra santa através da qual almeja-se atingir um dos principais objetivos do Islamismo: reformar a humanidade.

Acredita-se que qualquer muçulmano que morra em defesa de Alá, alcançará a vida eterna. Um bom exemplo deste espírito é a guerra no Kuwait: iniciada em 1990 e empreendida por Saddam Hussein, ela nada mais foi do que uma convocação aos muçulmanos para uma guerra santa contra os Estados Unidos e todo o Ocidente em razão da proteção ofertada a Israel.

• Proibições

A doutrina islâmica proíbe o consumo de carne suína e quaisquer alimentos dela derivados, assim como drogas e substâncias que causam dependência física ou psíquica. O consumo de bebidas alcoólicas deve ser moderado e manter hábitos saudáveis é quase uma obrigação.

• Hierarquia

Diferentemente do Cristianismo, no Islamismo não há uma hierarquia religiosa constituída por bispos ou sacerdotes. Existem o califa, chefe dos fiéis; o vizir, espécie de primeiro-ministro; os omais, representantes do califa nas províncias; os cádis, representantes da justiça; os imamos, que recitam nas mesquitas as cinco preces cotidianas; o muezim, que chama os fiéis para as orações; e os ulemás, alguns teólogos eruditos.

Patriarcal e extremamente conservadora, a fé islâmica não admite que mulheres adentrem em mesquitas e permite que um muçulmano mantenha até quatro esposas simultaneamente.

• Calendário

O calendário islâmico inicia-se em 622 d.C. com a chamada Hégira (em árabe, exílio), que marca a fuga de Maomé para Medina.
Subdividido de acordo com os 12 ciclos completos que a Lua descreve ao redor da Terra, o ano muçulmano é cerca de 11 dias mais curto do que o ano solar.

• Subdivisões

Sunitas e Xiitas

Uma vez que a tradição islâmica não distingue a prática religiosa da estrutura política, entende-se que os sunitas surgiram como um grupo de oposição à hegemonia do Califado - instituição hereditária que comanda o Islã. Tanto no passado quanto nos dias atuais, os sunitas foram os grandes responsáveis pela difusão do Islamismo no mundo.
Os xiitas, por sua vez, são - ao menos originalmente - seguidores de Ali (um califa que dizia-se descendente em linha reta de Maomé). O Talebã, por exemplo, uma das maiores e mais conhecidas correntes extremistas islâmicas, é formado por xiitas.

Embora 85% da população muçulmana seja sunita, em países como Iraque, Irã, Paquistão e Iêmen, praticamente todos são xiitas.

Sufistas

O Sufismo (termo derivado da palavra suf, que designa uma roupa de lã muito usada pelos ascetas, povo que deu origem a esta facção) prioriza unicamente o caráter religioso do Islamismo. Fundindo elementos do Budismo ao Hinduísmo, ao Cristianismo e até mesmo à antiga religião grega, os sufistas praticam apenas a repetição de algumas frases sagradas semelhantes a mantras e uma espécie de dança conhecida como Dança dos Dervixes, que consiste em rodopios rápidos e violentos que culminam em um transe hipnótico - o qual diz-se permitir um contato mais direto com a sabedoria de Alá.

• Estatísticas


Existem cerca de 1,5 bilhão de muçulmanos em praticamente todos os países do mundo: na Índia, são 100 milhões; na China, 50 milhões; no Brasil e nos Estados Unidos, 4 milhões.

Em 1999, o Islamismo tornou-se a religião mais praticada em todo o planeta.
Estima-se que, a cada cinco pessoas no mundo, uma seja muçulmana. Dentre todos os intelectuais que se convertem a uma religião, 70% escolhem o Islamismo. Nos últimos 100 anos, o Islamismo cresceu em 19%.

Alguns dos países com maior expressão de população muçulmana são Afeganistão, Arábia Saudita, Azerbaijão, Barein, Brunei, Catar, Cazaquistão, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait, Líbano, Líbia, Palestina, Paquistão, Omã e Turquia.

Fontes
Mundo Islâmico

Malleus Maleficarum

Não deixarás viver uma feiticeira.
Êxodo 22:18

• Em nome de Deus
Divisão da Igreja Católica encarregada de localizar e exterminar as heresias (do latim hereticus, escolha), a Santa Inquisação - ou Tribunal do Santo Ofício - promoveu uma histérica e desenfreada caça às bruxas em toda a Europa de meados do século XV ao fim do século XVII.

Apesar de nunca ter aprovado os curandeiros, magos e adivinhos que faziam parte das comunidades, durante estes mais de 250 anos, milhares de homens e mulheres de todas as idades e camadas sociais foram torturados e condenados à fogueira.
À medida que a histeria aumentava com a ajuda da recém-criada imprensa, autoridades católicas e protestantes convocavam todo e qualquer cidadão temente a Deus a denunciar o maior número de suspeitos possível, gerando assim um devastador efeito dominó. Estudiosos acreditam que, em 1589, na pequena vila alemã de Quedlinburg, 133 acusados de bruxaria tenham sido executados em um único dia.

• O Martelo das Feiticeiras

Em 1486, os alemães Heinrich Kramer e James Sprenger - inquisidores profissionais e membros da Ordem Dominicana - desenvolveram o que viria a ser o segundo livro mais vendido do mundo durante quase dois séculos, perdendo apenas para a própria Bíblia: o Malleus Maleficarum, um amplo guia para identificar, perseguir e punir os hereges (ou seja, aqueles que escolheram o caminho das trevas).
Sucesso imediato entre religiosos, legisladores e todos aqueles que sabiam ler, o Malleus Maleficarum (em latim, Martelo das Feiticeiras) foi o grande responsável por perpetuarem-se os esteriótipos que condenaram à morte mais de 30 mil falsos acusados de bruxaria que não possuíam quaisquer poderes mágicos para protegê-los.
Apresentado ao clero da Faculdade de Teologia da Universidade de Colônia no ano de sua publicação, a obra não só foi rejeitada, como também condenada e, seus autores, declarados imorais e antiéticos.
No entanto, Kramer e Sprenger incluíram, nas edições posteriores de 1487, uma falsa nota de apoio da Universidade - suposta aprovação esta que contribuiu muito para sua gigantesca popularidade. Sancionado como instrumento no combate às heresias pelo papa Inocêncio VIII, o livro foi promulgado através da bula papal Summis Desiderantes Affectibus ao fim de 1486.
Ainda que posteriormente incluído na Lista de Obras Proibidas (do latim Index Librorum Prohibitorum), o Malleus ganhou mais de 13 novas edições apenas entre os anos de 1487 e 1520.
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• Composição e Organização
Dividido em três seções principais, o Malleus assegura seus leitores de que denunciar e destruir os servos de Satã que habitam sobre a face da Terra é a única maneira de reagir à ameaça silenciosa da bruxaria contra a cristandade e diz que os juízes não precisam se preocupar muito com o veredicto, já que Deus jamais permitiria que uma alma inocente fosse condenada.
Há pouco material original no livro, uma vez que este resulta de crenças e práticas há muito existentes e não passa de uma descarada colagem de obras anteriores - tais como Directorium Inquisitorum (1376), de Nicolau Aymerich, e Formicarius (1435), de Johannes Nider.
Toda a bruxaria nasce da luxúria carnal
- que, nas mulheres, é insaciável.

•••••••A primeira seção explica que a bruxaria, assim como a existência de Satã e seus demônios, é uma realidade invisível, porém tangível; esclarece também que a sexualidade é o mais eficiente multiplicador dos poderes do Senhor do Prazer, afirmando ainda que este tende a corromper jovens e belas mulheres.
Estas, moral e intelectualmente inferiores aos homens, pagariam com o corpo a entrada no reino do Inferno e comprariam seus negros poderes através de uma prostituição demoníaca. Seus autores declaram, erroneamente, que a palavra femina (em latim, mulher) é uma derivação dos termos fé e minus - ou seja, infiel.
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Os homens, por sua vez, tornariam-se bruxos se permitissem o adultério por parte de suas esposas, possibilitando e consentindo com que o santo matrimônio fosse corrompido pelo pecado da luxúria.

•••••••Ainda mais sensacionalista, a segunda seção fornece detalhes assustadores de como o sexo era um mero processo através do qual firmavam-se pactos satânicos, os quais seriam assinados pela bruxa com seu próprio sangue; descreve sacrifícios humanos, técnicas de recrutamento e analisa as formas de bruxaria existentes e suas manifestações.
A Marca da Bruxa, por exemplo, seria a cicatriz deixada pelas garras de Satã ou por sua língua ao percorrer o corpo de seu servo - além de prova cabal de heresia. Qualquer verruga, marca de nascença ou mancha particularmente insensível sobre a pele servia.

•••••••Exclusivamente jurídica, a terceira seção é um guia prático para consulta de magistrados a serviço da Santa Inquisição. Instrui os juízes a enganar os acusados, prometendo-lhes misericórida pela confissão. Na Inglaterra e na Escandinávia, onde a tortura era ilegal, auxilia a formular acusações e a interrogar testemunhas; já em países como Alemanha, França e Suíça, refere-se aos mais hediondos métodos de tortura como algo natural e altamente recomendável.

Sob o efeito de dores agudas e intensas, o acusado quase sempre confessava tudo o que o inquisdor quisesse: adorar Satã, invocar demônios e mortos em cemitérios, utilizar-se de vassouras voadoras para ir aos encontros de meia-noite, criar ferimentos em animais e destruir plantações.

• A voz da Razão

Dentre os milhares de supostos hereges condenados à morte, 85% eram mulheres.
Graças ao ceticismo religioso trazido pela revolução científica que contagiou toda a Europa durante o século XVIII, as erupções de violência tornaram-se menos frequentes. Com o passar dos anos, as leis que proibiam a prática de bruxaria foram revogadas e as mais poderosas e influentes autoridades clericais deixaram de patrocinar os julgamentos.
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Fontes
O Manual do Bruxo - um dicionário do mundo mágico de Harry Potter, Allan Zola Kronzek e Elizabeth Kronzek

Santo Sudário de Turim

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As características da imagem que hoje fazemos de Cristo provêm do século IV, ao início do Império Bizantino, com a Lenda de Verônica.
De acordo com a piedosa tradição cristã, Verônica (do latim vero icone, verdadeira imagem) teria sido uma mulher que secou o suor e o sangue do rosto de Cristo ao caminho do calvário.
Após a crucificação, José de Arimatéia apresentou-se a Pilatos e reivindicou o corpo de Cristo a fim de sepultá-lo. A comemoração do Sábado de Páscoa - festa judaica que celebra o fim da submissão aos egípcios - fez com que o corpo precisasse ser oculto às pressas, envolvendo-o com uma mortalha de linho.
Ao Domingo, porém, quando seria limpo e perfumado, o cadáver não foi encontrado em seu sepulcro. Desde então, a Páscoa é também uma celebração à ressurreição de Cristo, e os ovos são uma tradição simbólica à vida que de dentro do seu túmulo renasceu.
Porém, segundo a cultura judaica, qualquer objeto tocado pelos mortos era considerado impuro - fato este que motivou perseguições aos cristãos para que fosse destruída a mortalha.
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O lençol de aproximadamente 4m de comprimento foi sagrado a principal relíquia da cristandade pelo papa Júlio II, em 1506. Originário do Oriente Médio, o tecido de linho proveniente do século I possui resquícios de células de pólen de plantas existentes unicamente na Palestina.
Para que fosse cientificamente comprovada a sua autenticidade, desenvolveu-se um ramo específico chamado Sindologia (do grego sindon, termo encontrado no evangelho de Marcos para descrever o sudário). A Universidade de Turim (Itália) foi a primeira a realizar testes de microscopia sobre o tecido, em 1977.
Pouco depois, em 1978, um grupo de 40 cientistas, sendo apenas sete católicos e um ateu - que, aliás, foi o primeiro a retirar-se das investigações -, teve acesso à relíquia durante 120 horas.

Desde então, incansáveis baterias de exames de raio X, raio X com fluorescência, raios infravermelho e retiradas de amostras com fita foram realizadas em prol de quaisquer traços de verdade. Entretanto, testes de datação através da técnica radiométrica com carbono 14 só foram autorizados pela Santa Sé em 1988, quando as universidades de Oxford (Arizona, EUA) e Zurich (Suíça) apresentaram um mesmo surpreendente resultado: origem entre os séculos XIII e XIV.
Incessantemente inquirida, a Igreja Católica afirmou que o sudário teria sido danificado por um incêndio em sua capela e suas respectivas tentativas de controlá-lo, em 1532. Em 2005, o Vaticano acrescentou ainda que as amostras retiradas para análise eram parte de um ponto do manto que não pertencia ao tecido original.

Em meio a tanto, diz-se que o manto parece ter envolvido o corpo de um homem de 1,75m e algo em torno de 35 anos, tendo sido este atingido por cerca de 120 chibatadas de um flagrum taxillatum (horrível flagelo, açoite utilizado pelos soldados romanos) disparados por dois homens em sentidos opostos. São claramente visíveis os sinais de uma grande ferida sobre o coração, causada por uma provável estaca; marcas de excessivo peso sobre os ombros; pulsos perfurados por cravos, bem como os pés; olhos marcados em baixo relevo por duas moedas correntes do imperador Tibério César e o globo ocular esquerdo perfurado por espinhos.
Contudo, tantas respostas só fizeram instigar novas perguntas: se um sudário funerário envolvesse de forma aproximadamente cilíndrica um corpo, o resultado seria uma projeção ortogonal, isto é, sem impressões laterais do mesmo; a distorção deveria ser exageradamente alongada para os lados, e não em sentido vertical como a que vemos sobre o tecido.
Além disso, uma vez que não há batimentos cardíacos, cadáveres não sangram. E mais: durante as primeiras fases do processo de decomposição, um corpo exala gases tóxicos que reagem com a camada de celulose do pano; em seguida, líquidos igualmente tóxicos manchariam o tecido e fariam-no perder sua possível coloração.

Originalmente um negativo, a imagem sobre o sudário é superficial e composta por fibras coloridas dispostas em cadeia com fibras descoloridas, formando estrias sobre a mesma.
Portanto, para justificar sua incomum formação, levamo-nos a crer que o corpo tenha sido obrigatoriamente retirado de sua mortalha antes de iniciada sua decomposição natural.

Atualmente, o Santo Sudário de Turim está resguardado longe de maiores especulações, na Capella della Sacra Sindone do Palazzo Reale de Torino, desde 1578. Propriedade oficial do Vaticano há mais de 25 anos, a peça é muito raramente exibida em público; sua última exposição foi no ano 2000, quando atraiu mais de 1 milhão de visitantes.

Fontes
Professor José Marques, professor de Arte
Professor Antônio Jackson Brandão, professor de Estudos Religiosos
Wikipedia