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Arte Gótica



Principal tendência artística da Baixa Idade Média, a Arte Gótica foi assim intitulada pelos mestres renascentistas em alusão aos Godos, Visigodos e Astrogodos - povos bárbaros germânicos que diluiram-se por volta de 700 d.C.

A Idade Média, menos popularmente conhecida como Noite de Mil Anos, foi um dos períodos mais longos de toda a história: iniciou-se em 476, com a ocupação de Roma pelos bárbaros, e findou em 1453, com a tomada de Constantinopla pelos muçulmanos e o término da Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra.
A sociedade medieval, submetida ao teocentrismo e ao mais absoluto terror, sofria com inúmeras guerras santas e epidemias - como a peste bubônica, que, por ter dizimado quase toda a Europa, foi chamada de Peste Negra. Cruzadas eram empreendidas por papas com o intento de guardar os cristãos que peregrinavam pelos lugares onde Cristo viveu e livrar a humanidade da profanação muçulmana. O cristianismo predominava não mais por amor a Deus, como no Paleocristianismo, mas sim pelo medo que os fiéis tinham de serem condenados ao Inferno após a morte.
Quando a Igreja Católica aliou-se ao poder do Estado, muitos que não possuiam interesse ou vocação para a vida religiosa passaram a exercer os mais altos cargos do clero - gerando, portanto, esquemas de corrupção.

• A Soberania Divina

Ao início do século XII, predominava ainda a arquitetura românica com suas construções extremamente extensas e caracterizadas pelo horizontalismo. Entretanto, ao fim deste mesmo século, foram erguidas as primeiras catedrais (do latim catedra, cadeira = sede do trono do bispo de uma diocese) góticas em meio às rústicas edificações camponesas da França.

Com suas torres e telhados altíssimos e pontiagudos, já caracterizadas pelo horizontalismo, as catedrais góticas elevam-se ao céu como uma oração; voltadas para a grandeza de Deus e da fé, exprimem o intangível e transcedem o espírito humano.
Os arcos ogivais, as paredes leves e finas, as fachadas ornamentadas com rosáceas e os vitrais imensos e muito coloridos são outras das principais características desde estilo.
O interior das catedrais, porém, era o extremo oposto das sombrias figuras que compunham o ambiente externo: acolhedor, transmitia paz e segurança aos fiéis, os quais só poderiam estar livres dos horrores do pecado e do Inferno dentro dos muros da igreja.

• Perfeito Equilíbrio de Forças

Trabalhando para as autoridades religiosas, arquitetos e engenheiros pareciam desafiar as leis da gravidade com a força e delicadeza de suas construções: as imponentes edificações com torres que elevam-se a uma altura equivalente à de um prédio de 40 andares e plantas cruciformes logo conquistaram toda a Europa Ocidental.

Arco Ogival

Erroneamente considerado como elemento único à arquitetura gótica, o arco ogival, que passou a simbolizar a silhueta de duas mãos unidas em prece, possibilita uma melhor distribuição do peso entre as paredes do que o arco românico tradicional, permitindo que estas sejam muito mais finas ou até mesmo inexistentes.

Abóbada

Diferentemente das abóbadas esféricas dos tempos bizantinos, as abóbadas góticas são resultantes do cruzamento entre diversas ogivas de mesma altura.

Suporte

O pouco volume dos pilares brutos e cilíndricos com fustes mais esguios facilitava a passagem entre a nave central e as naves laterais.

Contraforte

Os contrafortes, principais responsáveis pela estrutura do edifício, podem ser dividos em duas categorias distintas:

•••••••Contrafortes - os contrafortes propriamente ditos foram inspirados no gênero românico. Estão posicionados em ângulo reto em relação às paredes laterais da catedral, neutralizando a pressão da abóbada.
•••••••Arcobotantes - especificamente góticos, os arcobotantes possuem uma caixilharia (armação) de pedra que escora-os aos contrafortes e às clarabóias das naves simultaneamente, dirigindo a pressão da abóbada para o lado externo da cobertura da nave central. Associados aos contrafortes, sua força é imensa; porém, sozinhos, não resistiriam à pressão lateral da abóbada.

Vitral

Grandes e coloridos, permitem um maior aproveitamento da luz natural; combinados às delicadas colunas da arquitetura, quebram a rigidez e concedem ao ambiente uma aparência de misticismo e espiritualidade. Cuidadosamente unidos por ligas de chumbo, retratam passagem bíblicas e contam a vida dos apóstolos.

• Esculturas

Catedral de Estrasburgo, França

Dos simples crucifixos às mais divinas figuras geralmente confeccionadas em pedra, marfim, madeira, bronze, ouro ou alabastro, as esculturas góticas podem ser dividas em quatro tipologias:

•••••••Estátuas-coluna - talhadas nas ombreiras (laterais) do portal, conferiam uma dimensão vertical ao pórtico.
•••••••Relevos Escultóricos - nada mais são do que o tímpano do portal, ou seja, pedras esculpidas em relevos acima da estrutura ogival da entrada. Os tímpanos costumam representar cenas do Juízo Final, com Jesus Cristo e a Virgem Maria como reis soberanos.
•••••••Esculturas de Vulto Redondo - estátuas votivas resultantes da evolução das estátuas-coluna.
•••••••Esculturas Funerárias - arcas tumulares e estátuas a elas adjacentes.

E também estão subdivididas em três tendências:

•••••••Idealismo (fim do século XII à primeira metade do século XIII) - longilíneas e retilíneas, apresentam desproporções anatômicas e expressam austeridade.
•••••••Naturalismo (segunda metade do século XIII ao início do século XIV) - ganham certa vida e movimento através da riqueza de detalhes a elas adicionada; o caráter agora humano das figuras divinas respresentadas acentua sua expressividade.
•••••••Realismo (segunda metade do século XIV ao início do século XV) - influenciadas pelo progresso dos estudos anatômicos e científicos, as estátuas passam a ser representadas como cadáveres. Triunfais e vestidas por tecidos excessivamente drapeados, adquirem características profanas.
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• Gárgulas


Originalmente, as gárgulas e grifos (do latim gorgulio, garganta) eram pequenos demônios - misturas de dragão, felino e humano - que escoavam a água das chuvas para longe das paredes a fim de evitar infiltrações que ameaçariam a estabilidade das construções, guardavam as catedrais e castelos medievais e intimidavam as pessoas com sua aparência grotesca.
Porém, o que poderiam ser apenas calhas transformaram-se em esculturas ornamentadas para manter a harmonia estética dos edíficios e protegê-los contra os espíritos das trevas - pois acreditava-se que, onde já havia um, não poderiam haver outros.

Sob atenta vigilância da Ingreja Católica, as gárgulas sofreram influências celtas e normandas. Sua primeira fase foi zoomórfica, quando eram esculpidas em madeira ou cêramica, pareciam estabelecer relações iconográficas com os animas que representavam e os sete pecados mortais: o leão, que simboliza o orgulho; o lobo, a ganância; o javali, a ira; a serpente, a inveja; o porco, a luxúria; o burro, a preguiça; e o urso, a gula.

Em sua fase final (século XIII), as figuras então antropomórficas de mármore ou calcário ganham temáticas cada vez menos religiosas e demoníacas e mais mundanas e caricaturais.

Em ambas as fases, a gárgulas apresentam silhuetas alongadas e são muito raramente talhadas em metal.

• Caligrafia e Iluminura

Diferentemente do modelo carolíngio (relativo ao imperador Carlos Magno) com a clareza de suas formas simples, as letras góticas do século XII eram ricamente ornamentadas com motivos zoomórficos e antropomórficos influenciados pela tradição dos entrelaçados irlandeses - adequando-se melhor, portanto, aos manuscritos litúrgicos.

Quando surgiram os mosteiros (ou monastérios), surgiram também os monges copistas. Estes, em sua maioria membros do baixo clero que não sabiam ler, dividiam-se entre copiar e iluminar os codex (folhas de pergaminho costuradas de modo a formarem livros) a fim de perpetuar o seu conhecimento.
Em um quarto do claustro, chamado scriptorium, os pendolistas copiavam os textos enquanto os miniaturistas eram encarregados de iluminá-los.

Fontes
Spectrum Gothic
Professor José Marques, professor de Arte
Diálogos com a História, Kátia Corrêa Peixoto Alves e Regina de Moura Gomide Belissário

5 comentários:

  1. Adoro a arte gótica.

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  2. A parte histórica sobre uma Era de Trevas é um preconceito falso criado pelos autores da Revolução Francesa. Pesquise melhor, e verá que aquele povo era mais feliz do que pensa ;)

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  3. Saudações, a arte Gótica é altamente linda, majestosa e impactante na minha humilde opinião.Pelo que vi no blog, me parece bastante claro e útil, meus parabéns, ahh propósito, concordo com o Marcos em partes, em relação aos Godos. Boa noite.

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  4. Isso sim é a verdadeira arte a verdadeira cultura assima de todas

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