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Neurastenia



A neurastenia ou exaustão nervosa é um transtorno psicológico devido ao enfraquecimento (astenia) do sistema nervoso central. O termo foi introduzido pelo neurologista norte-americano George Miller Beard no Boston Medical and Surgical Journal em 1869 para designar um quadro de exaustão física e psicológica, nervosismo e humor depressivo. Nele, Beard escreveu que "a anemia é para o sistema vascular o que a neurastenia é para o sistema nervoso".
Em 1880, Beard publicou A practical treatise on nervous exhaustion (neurasthenia) [Um tratado prático sobre a exaustão nervosa (neurastenia)] e, um ano depois, American nervousness - its causes and consequences [Nervosismo americano - suas causas e consequências].

Estima-se que a neurastenia atinja de 3 a 11% da população mundial, tanto masculina quanto feminina. A doença foi incluída pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no CID-10 (Classificação Internacional de Doenças de 1992), mas não entrou para o DSM-IV (Dicionário de Saúde Mental de 1994).

• Causas

Existem fatores endógenos (internos) e exógenos (externos) que podem contribuir para a manifestação do problema. Entre os endógenos estão predisposição genética para ansiedade, depressão, sensibilidade ao cortisol (hormônio anti-inflamatório) e déficit de dopamina (neurotransmissor responsável pela sensação de prazer). Já entre os exógenos estão situações traumáticas, trabalho exaustivo e rotina frustrante.

Para Sigmund Freud, o pai da psicanálise, a neurastenia estava associada ao excesso de masturbações, práticas sexuais anormais e pressão intracraniana. Outros psiquiatras consideravam-na como uma regressão ao comportamento infantil.

• Sintomas


Une leçon clinique à La Salpêtrière, de André Brouillet (1887)

Segundo o psiquiatra francês do século XIX Jean-Martin Charcot, os principais sintomas, além de fadiga, são cefaleia (dor de cabeça), raquialgia (dor na coluna), dispepsia  (dificuldade para comer), insônia e depressão nervosa.
Para Beard, havia ainda dificuldade de concentração, medos mórbidos, problemas de memória, inquietação, pupilas dilatadas, dormência dos membros e problemas sexuais.

Beard dizia ainda que, em 1860, nenhuma doença nervosa era mais comum do que a neurastenia. De acordo com ele, ela passava despercebida porque o acesso aos sintomas dependia dos relatos dos pacientes e também porque, para quem sofria, os males pareciam irreais e insignificantes.

• Diagnóstico

O diagnóstico de neurastenia era frequente ao fim do século XIX, e a doença entrou e saiu de moda ao longo do século XX. Até então, era tida como ponto de partida para a epilepsia e paralisia geral - visto que, à época, era comum a associação de problemas físicos com problemas mentais.
O maior número de ocorrências vinha da Ásia e da América do Norte. Na Ásia, a neurastenia não carregava a conotação negativa de uma doença mental e servia de máscara para transtornos mais graves, como a esquizofrenia. Nos Estados Unidos, onde também é chamada de americanitis, era tratada como síndrome característica do american way of life.

Para diagnosticar seus pacientes, Beard conversava longamente com eles. Dessa forma ele tinha não apenas acesso aos sintomas, mas também a chance de excluir a possibilidade de outras condições mentais ou orgânicas.
Atualmente o diagnóstico deve ser feito investigando-se outras possibilidades de fadiga crônica, tais como distúrbios metabólicos (diabetes, doença celíaca), infecciosos (vírus HIV, hepatite C) ou imunológicos (lúpus sistêmico).

• Tratamento

Álcool, drogas, cigarros, café, carne vermelha e alimentos gordurosos em geral potencializam os sintomas da doença. Uma alimentação rica em cereais, frutas, legumes e verduras aliada a exercícios físicos aeróbicos (caminhar, correr ou nadar) pode, portanto, contribuir para o bem-estar do paciente. Caso esteja incapacitado de se exercitar, o melhor é repousar. Beard também sugeria massagens, hidroterapia e eletroconvulsoterapia.

A psicoterapia é uma importante ferramenta durante o tratamento, uma vez que ajuda o paciente que teve sua vida social comprometida em função de suas alterações comportamentais a se organizar de acordo com suas prioridades, lidar com seus problemas, compreender melhor a si mesmo e sentir-se motivado.
Beard observou que alguns sintomas, como por exemplo a insônia, podem desaparecer logo na primeira consulta, assim que o paciente recebe informações claras sobre a natureza de sua doença e suas possibilidades de cura.

• Casos


Virginia Woolf, de George Charles Beresford (1902)

- O médico e filósofo pragmatista William James, professor de Freud, foi diagnosticado com neurastenia e morreu em consequência de problemas cardíacos. Como norte-americano, James defendia a teoria de que a doença é uma americanite.

- A escritora modernista inglesa Virginia Woolf tinha crises depressivas e, no último bilhete que escreveu para o marido, dizia ouvir vozes e sentir-se incapaz de ler ou se concentrar. Cometeu suicídio ao encher os bolsos do casaco com pedras e afogar-se em um rio.

- O romancista francês Marcel Proust, grande nome do século XX, dizia sofrer de neurastenia. Desde a infância problemas de pele, olhos e crises respiratórias fragilizaram sua saúde. Proust, que era homossexual, passou seus últimos anos confinado em seu apartamento, dormindo durante o dia e trabalhando em seus livros durante a noite. Morreu de pneumonia.

- A poetisa portuguesa Florbela Espanca sofreu com os primeiros sintomas da doença aos 13 anos de idade. Após muitas mudanças de cidade, divórcios e dois abortos espontâneos, a neurose tornou-se insuportável e Florbela suicidou-se com uma superdose de Veronal, um calmante semelhante ao Gardenal.

Fontes
Scielo - Neurastenia
Wikipedia

Sonhos



Immortal Dream, de Mariusz Oleszkiewicz

Da Bíblia aos poemas épicos da Índia, os mais antigos escritos da humanidade demonstram o fascínio pelo mundo peculiar dos sonhos. Na Antiguidade acreditava-se que os sonhos continham previsões sobre o futuro ou, se quem sonhava era um rei, sobre o destino de toda uma nação.

Os escritores Mary Shelley e Bram Stocker diziam que as personagens imortais de Frankstein e Drácula surgiram em seus sonhos. Dmitri Mendeleiv, químico russo do século XX, também afirmava ter visto "num sonho uma tabela em que todos os elementos se encaixavam em seus lugares como deveriam" e, após esforços infrutíferos, criou a tabela periódica como ela é hoje.

• Oniromancia

A oniromancia (do grego oniros, sonho e mancia, profecia) está entre os mais primitivos sistemas de adivinhação, e costumava ser exercida por um sacerdote, sacerdotisa ou profissional intérprete que, além de ouvir os sonhos e explicá-los, podia oferecer conselhos quanto às providências práticas a serem tomadas.

Já na lenda do rei e herói assírio Gilgamesh, escrita em tijolos de argila por volta do século VII a.C., são encontradas alusões à oniromancia. No Antigo Egito, os intérpretes moravam nos templos dedicados ao deus dos sonhos Sérapis e eram conhecidos como sábios da biblioteca mágica; para os egípcios, dormir nos templos ou à sombra de uma esfinge podia ajudá-los a receber dos deuses um sonho revelador.
Da mesma maneira, na Grécia Antiga, viajar aos templos do deus da medicina Asclépio podia ser o caminho para um sonho que diagnosticaria uma doença misteriosa e que também indicaria um tratamento para ela. No Japão medieval, por sua vez, um peregrino podia passar cem dias ou mais em um santuário fazendo orações e obedecendo a dietas restritas em busca de um sonho com respostas.

Ao longo dos séculos, a interpretação dos sonhos entrou e saiu de moda e conquistou muitos céticos. Enquanto o grego Aristóteles afirmou que o fato de os sonhos se tornarem realidade não passava de mera coincidência, o orador Cícero dizia que o povo romano estava sendo "iludido (...) por imbecilidades sem fim".

• Como os sonhos acontecem

Em uma noite de sono, o ciclo de cinco fases se repete cerca de seis vezes. Os sonhos acontecem durante a quinta e última fase de cada ciclo, chamada sono REM, e duram até 15 minutos. Nela, os músculos permanecem paralisados, as frequências cardíaca e respiratória aumentam, a pressão arterial sobe e os olhos se movimentam rapidamente em suas órbitas (daí vem o nome REM - rapid eye movement, ou movimento rápido do olho).
Embora a ciência ainda não saiba a sua função, os neurologistas dizem que os sonhos participam do processo de memorização: enquanto eles acontecem, as informações úteis do dia são armazenadas e as desnecessárias são descartadas.

• A interpretação dos sonhos

Todos os instrumentos que cortam e dividem coisas ao meio significam discórdias, revoltas e insultos...

O primeiro manual abrangente sobre os sonhos foi o Oneirocritica, de autoria do intéprete Artemidoro de Daldis, no século II d.C. Com explicações para centenas de símbolos e sonhos, o livro ocupou o posto de maior importância sobre o assunto durante mais de mil anos e ainda hoje apresenta interpretações razoáveis; outras, como a advertência de que sonhar com formigas aladas ou codornas é sinal de azar, refletem as superstições da época e não fazem mais sentido.


A revolução sobre a visão que se tinha dos sonhos, entretanto, aconteceu com a publicação de A interpretação dos sonhos, de Sigmund Freud, em 1900 (embora tenha sido finalizada em 1899, a data foi alterada para que a obra se tornasse o marco inicial do novo século).
Antes da psicanálise e de pensadores como Freud e Carl Jung, o sonho era estranho ao sonhador e este representava o simples papel de mensageiro. Depois, declarou-se que seu significado reside não naquilo que revelam sobre o mundo externo, mas sim sobre o próprio inconsciente; os sonhos exprimem impulsos primitivos, conflitos não resolvidos e os desejos mais profundos do homem, assim como todos as personagens que nele se mostram constituem aspectos de sua mente.

• Freud e o Surrealismo


Maçã Borboleta, de Vladimir Kush (1978)

O termo surrealismo, que deu nome ao movimento de vanguarda do século XX, vem do francês sur le réel, ou seja, acima do real.

Para Freud, o homem deveria libertar sua mente da lógica e dos padrões comportamentais impostos pela sociedade e dar vazão aos sonhos, visto que o inconsciente tem papel fundamental na criatividade. A arte deveria partir do irracional, porque a vida inconsciente é mais livre e verdadeira e as imagens e sensações dos sonhos não são menos importantes do que as reais.

Fontes
Nova Enciclopédia Ilustrada Ana Maria - volume 11
O Manual do Bruxo - um dicionário do mundo mágico de Harry Potter, Allan Zola Kronzek e Elizabeth Kronzek

Sadomasoquismo: o sadismo



Oposto ao masoquismo, o sadismo é um distúrbio que surge durante a vida adulta, mas que provavelmente tem origem em traumas (como abuso sexual) e brincadeiras na infância e que pode ser diagnosticado através da psicoterapia. Em crianças, os primeiros sinais de sadismo podem se manifestar através de um comportamento exibicionista e arrogante.
Enquanto o masoquista é excitado pela dor, o sádico sente prazer em infligir sofrimento e humilhação através do desejo - que pode ou não ser concretizado - de ferir, torturar, asfixiar ou assassinar seu objeto sexual. (A asfixia temporária, chamada asfixiofilia, é considerada um intensificador do prazer devido à diminuição de oxigênio no cérebro durante o orgasmo.)

Em seu ensaio O Mal-Estar na Cultura, de 1930, Sigmund Freud define o sadismo como um anseio amoroso (Eros) aliado a um impulso destrutivo dirigido ao mundo exterior (Tânatos); uma agressão erótica que encontra, através do sexo, uma maneira de se manifestar.
Ainda segundo Freud, o sadismo não é um distúrbio exclusivamente sexual, mas também uma tendência das sociedades, que perseguem e menosprezam a cultura de outras para manterem-se unidas.

• A culpa é do Marquês


O termo sadismo deriva do nome do escritor e filósofo francês Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade, que ao fim do século XVIII ficou famoso por descrever em seus livros, além de orgias e perversões, o prazer de torturar para alcançar a satisfação sexual.

Filho de uma freira, Sade passou 29 dos seus 74 anos de vida em uma prisão. Em 1763, protagonizou o caso de Aix-en-Provence, cidade onde torturou uma moça para satisfazer suas fantasias sexuais - história esta que voltaria a se repetir em outras ocasiões.
Em julho de 1780, concluiu Diálogos Entre um Padre e um Moribundo. Quando a obra chegou às mãos do escandalizado diretor do presídio, foi ordenado que retirassem do marquês pena e papel para que ele não escrevesse coisas tão revoltantes. Transferido para a famosa prisão da Bastilha de Paris, em 1781, descreveu ainda 600 variações do instinto sexual.

Fontes
Nova Enciclopédia Ilustrada Ana Maria - volumes 11 e 14
O Mal-Estar na Cultura, Sigmund Freud

Síndrome de Capgras


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A Síndrome de Capgras (ou Delírio de Capgras) é um raro distúrbio no qual uma pessoa sofre de uma crença ilusória de que um conhecido, normalmente um cônjuge ou outro membro familiar próximo, foi substituído por um impostor idêntico. A síndrome de Capgras é classificada numa categoria de crenças ilusórias envolvendo erros de identificação a respeito de pessoas, lugares ou objetos. Pode ocorrer de forma aguda, passageira ou grave.

A ilusão é mais comum em pacientes com diagnóstico de esquizofrenia, embora possa ocorrer em variadas condições, como dano cerebral e demência. Embora seja comumente chamada de síndrome por poder ocorrer com ou paralelamente a várias outras desordens e doenças, alguns pesquisadores argumentam que deveria ser considerada mais um sintoma de algo do que uma síndrome em si mesma.

É nomeada após Joseph Capgras, o psiquiatra francês que primeiro a descreveu em 1923 (artigo por Capgras e Reboul-Lachaux), que usaram o termo "l'illusion des sosies" (a ilusão dos sósias) ao descrever o caso de uma francesa que reclamava de que vários sósias tomaram o lugar de seus conhecidos. O termo "ilusão" é sutilmente diferente de delírio na psiquiatria, de forma que "Delírio de Capgras" tem sido usado mais adequadamente.

Algumas das primeiras pistas para possíveis causas do delírio de Capgras foram sugeridas pelo estudo de pacientes com dano cerebral que desenvolveram propagnosia, ou seja, incapacidade de reconhecer rostos. Porém, um estudo de 1984 por Bauer mostrou que mesmo sem reconhecimento consciente, os pacientes emitiam sinais (respostas galvânicas através da pele) ao serem confrontados com rostos familiares, sugerindo que haja uma maneira consciente e uma não-consciente de reconhecimento facial.

As emoções que sentimos ficam codificadas nas imagens que vemos e nesta síndrome a imagem se separa da emoção, gerando assim um desconhecimento de alguém próximo.

Fontes
Wikipédia

A Crueldade Humana




A caça às bruxas da Inquisição, a perseguição aos judeus do Holocausto, as torturas da ditadura militar, as barbáries durante a escravidão: não faltam exemplos de como, sempre com argumentos pretensamente racionais, a maldade humana foi exercida com imensa crueldade. Até hoje há genocídios em curso em regiões da África e perseguições por motivos políticos e religiosos em diversas partes do globo. Não é preciso ir nem tão longe, aliás. Nas prisões brasileiras, o uso do pau de arara - instrumento no qual o torturado fica pendurado de cabeça para baixo - e as sessões de espancamentos e choques ainda são comuns.

De todos os animais, o mais cruel é o ser humano. Animais matam quando tem fome, matam para se defender, mas nenhum mata por prazer. O homem mata. Foi o que aconteceu durante o Holocausto.
Faz parte do sistema ter um exército de miseráveis disponíveis para forçar a classe trabalhadora. Isso para que, se alguém se insubordinar em uma empresa ou fábrica, tem mais cem na porta disputando a vaga dele. Ou seja, a violência continua sendo a base do sistema.

Pode-se dizer que existem condições para esse tipo de coisa. A carceragem das cadeias é um exemplo. Nem todo carcereiro é um sádico, mas o local é um prato cheio para alguém que seja. O que não necessariamente quer dizer que toda violência é cruel.
Para a convivência temos que viver sob restrições. Isso provoca impulsos agressivos e cruéis que devem ser extravasados. Jogos de videogames violentos podem ser um jeito de lidar com esses impulsos, essa necessidade de extravasar.
Se a pessoa não tiver a possibilidade de descarga, se viver em uma estrutura muito rígida, pode desenvolver esse tipo de comportamento.



Não dá para afirmar que a maldade é genética, apesar de haver correntes que defendem essa ideia. Ninguém nasce psicopata ou sádico. Há pesquisas que tentam achar combinações genéticas, tem até pesquisadores que dizem ter provas, mas até hoje não existe nenhuma evidência científica disso. A forma como se educa uma criança e como a pessoa se insere na sociedade é determinante. Quanto menos repressora for a socidade, menos intenso esse tipo de manifestação. Não tem acabar com regras e leis, elas têm que existir e nós temos que lidar com um tanto de agressividade social.

Sempre haverá o mal-estar da civilização. Faz parte da sociedade produzir violência. Mas temos meios de lidar com ela. É uma área ainda vista com preconceito. As pessoas pensam "não sou louco, por que vou fazer terapia?", e só procuram ajuda na hora que a água transborda.

Em relação à crueldade, é possível tratar para que se impeça que outras pessoas sofram e ela mesma também. Nós sobrevivemos ao pau de arara, mas o pau de arara também sobreviveu. Não podemos esquecer.

Fontes 
Folha Universal, 16 de setembro de 2010.

Bipolaridade

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• O que é?
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A alternância de estados depressivos com maníacos é a tônica dessa patologia. Muitas vezes o diagnóstico correto só será feito depois de muitos anos. Uma pessoa que tenha uma fase depressiva, receba o diagnóstico de depressão e dez anos depois apresente um episódio maníaco tem na verdade o transtorno bipolar, mas até que a mania surgisse não era possível conhecer diagnóstico verdadeiro.
O termo mania é popularmente entendido como tendência a fazer várias vezes a mesma coisa. Mania em psiquiatria significa um estado exaltado de humor. A depressão do transtorno bipolar é igual à depressão recorrente que só se apresenta como depressão, mas uma pessoa deprimida do transtorno bipolar não recebe o mesmo tratamento do paciente bipolar.
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• Características
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O início desse transtorno geralmente se dá em torno dos 20 ou 30 anos de idade, mas pode começar mesmo após os 70 anos. O início pode ser tanto pela fase depressiva como pela fase maníaca, iniciando gradualmente ao longo de semanas, meses ou abruptamente em poucos dias, já com sintomas psicóticos o que muitas vezes confunde com síndromes psicóticas.
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• Fase maníaca
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Tipicamente leva uma a duas semanas para começar e, quando não tratada, pode durar meses. O estado de humor está elevado, podendo isso significar uma alegria contagiante ou uma irritação agressiva. Junto a essa elevação encontram-se alguns outros sintomas como elevação da autoestima, sentimentos de grandiosidade que podem chegar à manifestação delirante de grandeza considerando-se uma pessoa especial, dotada de poderes e capacidades únicas - como telepáticas por exemplo. Aumento da atividade motora apresentando grande vigor físico e apesar disso com uma diminuição da necessidade de sono.
O paciente apresenta uma forte pressão para falar ininterruptamente, as idéias correm rapidamente a ponto de não concluir o que começou e ficar sempre emendando uma idéia não concluída em outra sucessivamente - a isto denominamos fuga-de-idéias. O paciente apresenta uma elevação da percepção de estímulos externos levando-o a distrair-se constantemente com pequenos ou insignificantes acontecimentos alheios à conversa em andamento. Aumento do interesse e da atividade sexual. Perda da consciência a respeito de sua própria condição patológica, tornando-se uma pessoa socialmente inconveniente ou insuportável. Envolvimento em atividades potencialmente perigosas sem manifestar preocupação com isso. Podem surgir sintomas psicóticos típicos da esquizofrenia, o que não significa uma mudança de diagnóstico, mas revela um quadro mais grave.
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• Fase depressiva
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É de certa forma o oposto da fase maníaca, onde o humor está depressivo, a autoestima em baixa e com sentimentos de inferioridade. A capacidade física está comprometida, pois a sensação de cansaço é constante. As idéias fluem com lentidão e dificuldade, a atenção é difícil de ser mantida e o interesse pelas coisas em geral é perdido, bem como o prazer na realização daquilo que antes era agradável. Nessa fase o sono também está diminuído, mas, ao contrário da fase maníaca, não é um sono que satisfaça ou descanse, uma vez que o paciente acorda indisposto. Quando não tratada a fase depressiva também pode durar meses.
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• Como a pessoa se sente
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Ele se sente bem, realmente bem. Na verdade, quase invencível. Ele se sente como não tendo limites para suas capacidades e energia. Poderia até passar dias sem dormir. Ele está cheio de idéias, planos, conquistas e se sentiria muito frustrado se a incapacidade dos outros não o deixasse ir além. Ele mal consegue acabar de expressar uma idéia e já está falando de outra numa lista interminável de novos assuntos. Em alguns momentos ele se aborrece para valer, não se intimida com qualquer forma de cerceamento ou ameaça, não reconhece qualquer forma de autoridade ou posição superior a sua. Com a mesma rapidez com que se zanga, esquece o ocorrido negativo como se nunca tivesse acontecido nada. As coisas que antes não o interessava mais lhe causam agora prazer; mesmo as pessoas com quem não tinha bom relacionamento são para ele amistosas e bondosas.
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• Como se trata?
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O lítio é a medicação de primeira escolha, mas não é necessariamente a melhor para todos os casos.
Freqüentemente é necessário acrescentar alguns anticonvulsivantes como o tegretol, o trileptal, o depakene, o depakote ou o topamax. Nas fases mais intensas de mania pode se usar de forma temporária os antipsicóticos. Quando há sintomas psicóticos é quase obrigatório o uso de antipsicóticos. Nas depressões resistentes pode-se usar com muita cautela antidepressivos.
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Há pesquisadores que condenam o uso de antidepressivo para qualquer circunstância nos pacientes bipolares em fase depressiva, por causa do risco da chamada "virada maníaca", que consiste na passagem da depressão diretamente para a exaltação num curto espaço de tempo. O tratamento com lítio ou algum anticonvulsivante deve ser definitivo, ou seja, está recomendado o uso permanente dessas medicações mesmo quando o paciente está completamente saudável, mesmo depois de anos sem ter problemas. Esta indicação se baseia no fato de que tanto o lítio como os anticonvulsivantes podem prevenir uma fase maníaca poupando assim o paciente de maiores problemas. Infelizmente o uso contínuo não garante ao paciente que ele não terá recaídas, apenas diminui as chances disso acontecer.
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Fontes
Psicosite

O Medo

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Está escuro e você está sozinho em casa. Com exceção do programa que você está assistindo na TV, o silêncio é total. Então, você ouve a porta da frente repentinamente batendo. Sua respiração acelera. Seu coração dispara. Seus músculos enrijecem. Um segundo depois, você percebe que não tem ninguém tentando entrar em sua casa. Era apenas o vento.
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• O que é o medo?
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O medo é uma reação em cadeia no cérebro que tem início com um estímulo de estresse e termina com a liberação de compostos químicos que causam aumento da freqüência cardíaca, aceleração na respiração e energização dos músculos. O estímulo pode ser uma aranha, um auditório cheio de pessoas esperando que você fale ou a batida repentina da porta de sua casa.

Como as células do cérebro estão constantemente transferindo informações e iniciando respostas, há dúzias de áreas do cérebro envolvidas no sentimento de medo. Mas pesquisas mostram que determinadas partes desempenham papéis centrais nesse processo.
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•••••••Tálamo - decide para onde enviar os dados sensoriais recebidos (dos olhos, dos ouvidos, da boca e da pele).
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•••••••Córtex sensorial - interpreta os dados sensoriais.
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•••••••Hipocampo - armazena e busca memórias conscientes, além de processar conjuntos de estímulos para estabelecer um contexto.
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•••••••Amígdala (Tonsila cerebelar) - decodifica emoções, determina possíveis ameaças e armazena memórias do medo.
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•••••••Hipotálamo - ativa a reação de "luta ou fuga". O processo de criação do medo começa com um estímulo assustador e termina com a reação de luta ou fuga. Mas há pelo menos dois caminhos entre o início e o final do processo.
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• Criando medo
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O processo de criação do medo acontece no cérebro e é totalmente inconsciente. Há dois caminhos envolvidos na reação de medo: o caminho baixo é rápido e desordenado, ao passo que o caminho alto leva mais tempo e entrega uma interpretação mais precisa dos eventos. Ambos os processos acontecem simultaneamente. A vazão repentina de adrenalina, noradrenalina e vários outros hormônios causa mudanças no corpo:

•••••Aumento da pressão arterial e freqüência cardíaca; as pupilas dilatam para receber a maior quantidade possível de luz; as artérias da pele se contraem para enviar uma quantidade de sangue mais significativa aos grupos musculares maiores (reação responsável pelo "calafrio" muitas vezes associado com o medo - há menos sangue na pele para mantê-lo aquecido); o nível de glicose sangüínea diminui; os músculos enrijecem, energizados por adrenalina e glicose (reação responsável pelos arrepios - quando pequenos músculos conectados a cada pêlo da superfície da pele tensionam, os fios são forçados para cima, puxando a pele com eles); a musculatura lisa relaxa para permitir que entre uma maior quantidade de oxigênio nos pulmões; sistemas não essenciais (como o digestivo e o imunológico) são desligados para guardar a energia para as funções de emergência; há dificuldade para se concentrar em tarefas pequenas (o cérebro deve se concentrar em somente uma coisa para determinar de onde vem a ameaça).

Todas essas reações físicas têm a intenção de lhe ajudar a sobreviver a uma situação perigosa. O medo (e a reação de luta ou fuga em particular) é um instinto que todo animal possui.

Fontes
HowStuffWorks Brasil - ComoTudoFunciona

Síndrome de Ekbom


Estudada em 1938 pelo neurologista sueco Karl Axel Ekbom (que também emprestou seu nome à Síndrome das Pernas Inquietas), originalmente chamada por ele de dermatozoenwahn e também conhecida como Delírio de Infestação Parasitária ou Neurodermia Parasitofóbica, a Síndrome de Ekbom consiste no delírio persistente de que vermes e parasitas saem do corpo do paciente e infestam a sua pele.

• Sintomas

No intuito de eliminar os parasitas, os pacientes recorrem ao perigoso uso de inseticidas e à automutilação: coçam e cortam a pele, provocando as chamadas dermatitis artefacta (lesões mecânicas) e causando infecções que podem levar a doenças como a aids e a sífilis.

Os sintomas variam de psicóticos e depressivos a disfunções orgânicas como diabetes melito (elevação de açúcar no sangue) e neurite periférica (lesão ou destruição dos nervos). Os pacientes sentem um grande desconforto físico e, após algumas crises de tremor e febre, costumam levar ao dermatologista amostras de cabelo, pele e outras substâncias que aderem às lesões (como poeira e fiapos de roupas, por exemplo) para que elas sejam analisadas laboratorialmente e comprovem a existência dos vermes - sendo este um sinal clássico do transtorno, conhecido como "sinal da caixa de fósforos".
Esse tipo de delírio visual tende a surgir principalmente em usuários de substâncias alucinógenas como a cocaína - fato que deu origem ao termo cocaine bugs (insetos de cocaína, em inglês) -, mas, em geral, os pacientes são capazes de desenhar e descrever minuciosamente artrópodes das mais diversas formas e tamanhos.

• Características.
O protótipo perfeito para um paciente propenso à Síndrome de Ekbom reside em uma mulher senil, com mais ou menos 58 anos, divorciada ou viúva, socialmente isolada e de baixa escolaridade.

Quando não vivem sozinhos, até 25% dos doentes - principalmente as mulheres, que são as mais afetadas pelo distúrbio - conseguem induzir seus familiares e vizinhos à mesma doença através do fenômeno conhecido como folie à deux (em francês, demência a dois). E, embora consultem dezenas de médicos que jamais encontram uma solução para o seu problema, recusam avaliações psiquiátricas.

• Descrição de um caso

Um trabalhador rural aposentado de 67 anos, solteiro e sem filhos pratica a automutilação na região da bolsa escrotal há cerca de 25 anos, onde faz incisões (cortes) com uma lâmina de barbear no intuito de retirar os pequenos vermes cilíndricos, avermelhados por fora, brancos por dentro e com mais ou menos 10 centímetros de comprimento que se espalharam por todo o seu corpo. Ele diz que precisa retirá-los e estendê-los ao sol para que derretam e morram - e que esta é a única maneira de matá-los.

Esboço de um parasita de corpo alongado e com uma pequena cabeça feito pelo próprio paciente.
O paciente não apresenta sintomas depressivos nem fóbico-ansiosos, o que afasta a hipótese de esquizofrenia. Apresenta infecções locais e anemia ferropriva (causada pela ausência de ferro no organismo) consequentes das lesões, além de dores musculares e fadiga. Não possui histórico psiquiátrico na família e, apesar do discurso ligeiramente acelerado, possui raciocínios coerentes, está orientado em relação ao tempo-espaço e alcança 29 de 30 pontos no Mini-Exame do Estado Mental de Folstein (Mini-Mental).

• Tratamento

Antipsicóticos como a pimozida, um antagônico (oposto) opiáceo, quando aliados a outros antidepressivos, costumam surtir bons resultados - embora possam provocar discinesia tardia (espasmos musculares involuntários) e arritmia cardíaca. Além do mais, se o tratamento por abruptamente interrompido é possível que o paciente apresente piora, uma vez que a permanência dos delírios é desconhecida.

Fontes
Dicionário de Síndromes Blog
Scielo - Revista Psiquiátrica do Rio Grande do Sul

Síndrome de Cotard

"Estou morta. Não sou nada. Nunca serei nada. Estou completamente morta. Sou uma morta-viva; meu corpo é apenas poeira. Logo minhas pernas não me carregarão mais... Meus pulmões são de um cadáver. Podem me radiografar que não encontrarão nada. Dentro do meu corpo há apenas pó. Sou um cadáver que anda para que ninguém me enterre... Não há mais dinheiro para me enterrar. É preciso me jogar na vala comum. Sou um cadáver que anda, uma morta-viva, uma morta que ressuscitou três vezes. Sou imortal... Sou um cadáver grávido. Ando para alimentar o bebê, que também está morto. Engravidaram um cadáver... e eu estou muito, muito gorda."
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Também conhecida como Delírio de Negação, a Síndrome de Cotard é uma raríssima patologia neuropsiquiátrica na qual o paciente acredita estar morto e putrefato, podendo chegar a sentir até mesmo o cheiro do próprio corpo em decomposição e vermes rastejando sobre ele. Além de dizer-se desprovido de sangue e órgãos internos, o paciente também consegue descrever em detalhes a hora e a situação de sua morte.

• Descoberta

Apresentada à Société Médico-psychologique (Sociedade Médico-psicológica) de Paris em 28 de junho de 1880 pelo neurologista francês Jules Cotard na sua obra Du délire hypochondriaque dans une forme grave de la mélancolie auxieuse (Do delírio hiponcondríaco sob uma forma grave de melancolia ansiosa, em francês) a partir do caso de uma mulher de 43 anos, casada e com filhos, que acreditava não possuir cérebro, nervos ou entranhas e negava a existência de Deus e do Diabo, a síndrome foi considerada uma nova espécie de depressão grave e psicótica - esta chamada Lipemania e proposta pelo psiquiatra Jean-Étienne Dominique Esquirol.

Em um trecho de sua obra, Cotard diz que a paciente pedia para ser queimada viva, suplicava para que abrissem suas veias, cortassem seus braços e pernas e abrissem todo o seu corpo para confirmar que seus órgãos não existiam mais.

• Características

E, realmente, a síndrome de Cotard consiste em um estado de melancolia e ansiedade com paroxismos de uma agitação maníaca, durante os quais a mulher gemia e se contorcia pelo chão, alternados com períodos de total imobilidade e mutismo.

Em síntese, o delírio de negação tende a surgir em pacientes com histórico de esquizofrenia e transtorno bipolar; seu conteúdo explicitamente niilista, ou seja, vazio, estabelece relações com um profundo estágio de depressão e também com a Síndrome de Capgras (na qual o paciente tem certeza de que todos à sua volta são clones impostores).

Exatamente como a Síndrome de Capgras, a Síndrome de Cotard é o resultado da desconexão entre as áreas fusiformes (que nada mais são do que todos os orifícios do corpo humano, desde os olhos até o ânus) e as estruturas límbicas que as reconhecem (como o septo, o tálamo e o hipotálamo, que estão relacionados às emoções). Como consequência, o paciente perde a capacidade de compreensão e exercício da fala, passando a negar não apenas seus órgãos internos, mas também a sua própria imagem refletida no espelho - que é descrita como "apagada e esmaecida".

• Comportamento

Por acreditar-se morto - e, muito frequentemente, imortal -, o paciente deixa de se alimentar, higienizar e relacionar com as outras pessoas. Neste caso, porém, a imortalidade deixa de ser um privilégio para se transformar em um eterno tormento; longe de ser a glória, é o horror. E, se alguém tentar lhe dizer que não está morto, ele provavelmente responderá que o outro também está cadavérico, mas ainda não sabe disso.

Enquanto que em estágios avançados o doente nega a existência do mundo e a sua própria, em casos mais leves pode manifestar-se um sentimento de angústia e desespero durante um quadro passageiro de transtorno depressivo unipolar. Mas, de uma maneira geral, a analgesia (completa ausência de dor física) e a automutilação são características muito presentes - e, embora raramente consiga consumar o ato devido ao seu total desequilíbrio, são inúmeras as tentativas de suicídio.

• Tratamento

O tratamento para a Síndrome de Cotard é feito à base de antidepressivos tricíclicos (que possuem este nome por causa da presença de três anéis de átomos em sua composição) e serotoninérgicos (à base de serotonina, substância química responsável pelo bem-estar) somados a sessões de Terapia Eletroconvulsiva (TEC, ou simplesmente choques elétricos).

• Outros casos
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Alguns biógrafos dizem que Edgar Allan Poe, eminente poeta do terror norte-americano no século XIX, apresentava sintomas da Síndrome de Cotard em seus últimos meses de vida.

Além do primeiro caso descrito por Cotard, o próprio neurologista relatou o caso de um homem que, nas raras vezes em que conseguia dizer algumas palavras - e ainda assim com péssima dicção -, repetia que todo o seu corpo havia sido destruído e que restaram-lhe apenas os seus olhos - e que, portanto, não podia ouvir, falar ou mover-se. Há ainda uma outra mulher que vestiu-se com um sudário, pediu à família para que a enterrasse e, não tendo atendido o seu pedido, permaneceu deitada em seu caixão até que realmente veio a falecer.

Fontes
Dayse Stoklos Malucelli, psicanalista e mestre em Filosofia
Dicionário de Síndromes Blog
Terapia em Dia

Automutilação


Na década de 1930, a automutilação (em inglês, self-harm) foi classificada pelo psicanalista húngaro Adolph Stern como uma patologia (doença, distúrbio) entre a neurose e a psicose - que geram disfunções no metabolismo cerebral, desintegram o Ego e provocam uma angústia desesperadora.

Cortar ou queimar partes do próprio corpo, reabrir feridas em processo de cicatrização, ferir-se com agulhas, pregos, cacos de vidro ou outros objetos pontiagudos, chicotear-se, enforcar-se por alguns instantes e ingerir grandes doses de remédios sem nunca haver intenção de suicídio estão entre as formas mais comuns de automutilação.

• Por quê?

Para quem pratica a automutilação, ela representa uma espécie de troca da dor emocional pela dor física: sangue por alívio.
Cerca de 2% da população mundial, em sua maioria mulheres, praticam agressões contra o próprio corpo. Atualmente, os poucos pesquisadores que abordam o assunto acreditam que a automutilação, quando associada a eventos traumáticos - ou apenas à sua lembrança - como violências sexuais, orfandade, bullying ou uma grande desilusão, pode ter origem genética. Cada vez mais acredita-se também que esta disfunção esteja relacionada aos transtornos de Personalidade Borderline (TPB) e bipolar e a distúrbios alimentares como a anorexia e a bulimia.
Depressão, baixa autoestima e ansiedade também são fatores que contribuem para o desejo inconsciente de autopunição.

Embora os sintomas costumem se manifestar durante a adolescência (ou até mesmo na infância), a automutilação não é uma maneira desesperada de chamar atenção - e, ao contrário do que se costuma dizer, ela pode estar relacionada a qualquer coisa, mas nunca ao suicídio.

• Como o inferno começa

Tímidos, os primeiros cortes são superficiais, cicatrizam em menos de uma semana e à vezes sequer deixam alguma marca. Imediatamente após estes primeiros ensaios, reina um sentimento de alívio que instiga o desejo de, por assim dizer, aperfeiçoá-los.
Depois de algum tempo, as sessões de automutilação se transformam em um ritual cada vez mais frequente e cuidadosamente elaborado. Braços (principalmente os pulsos), pernas (principalmente as coxas) e abdômen costumam ser os pontos mais atingidos. Aliás, pensar que há controle sobre as partes do corpo que serão lesionadas é um equívoco, pois não o há; os cortes, mais graves e profundos, além de coçar horrivelmente, chegam a causar febres altas e infecções e muitas vezes precisam ser fechados com pontos. Limpar todo o sangue do chão, das paredes, da pia, das toalhas e lavar as roupas ensanguentadas no banheiro - além de gazes, esparadrapos e antibióticos - passam a fazer parte da rotina.

Passado o falso alívio, o sentimento de culpa pelo descobrimento e sutil destruição do próprio corpo é embalado por um terrível ataque de pânico. O ar parece sufocante e a vontade de chorar é irreprimível.

• Consequências

Por medo de ser exposto e recriminado, o automutilador vive em um constante estado de vergonha e tem verdadeiro pavor de que a família e os amigos o toquem e descubram. Apresenta dificuldade em explicar cicatrizes repetidas e, por isso, mesmo em dias muito quentes, passa a vestir-se apenas com roupas de mangas longas e deixa de frequentar praias ou piscinas.
Logo que realmente se dá conta das feias cicatrizes que traz na própria pele, passa a olhar para as pessoas em busca de marcas em seus corpos, e, não encontrando-as, sente-se ainda mais solitário e introspectivo e já não consegue reconhecer-se a si mesmo (crise de identidade).

• Tratamento

Os sintomas da automutilação podem, na maioria dos casos, permanecer por até dez anos. Nos últimos tempos foram desenvolvidos muitos tratamentos com drogas específicas, embora nenhum deles tenha eficácia comprovada. O mais recomendável continuam a ser a análise simples e individual para resgatar a autoestima e a psicoterapia em grupo, que procura despertar a consciência para os efeitos devastadores deste mal.

Entretanto, outros meios de abandonar aos poucos a necessidade de se automutilar consistem em escrever textos, poemas ou contos e até mesmo desenhar. Impedir à força que o automutilador continue a ferir-se apenas o machucaria ainda mais; ele precisa sentir-se amado e vivo, e não à beira de um abismo sem fundo. Mente sã, corpo são.

Colaboradores
Diorgenes Calumby sugeriu o tema da postagem

Fontes
InfoEscola
Antes de fazer seu primeiro corte (Lucas Nietzel, Youtube)
Automutilação: como o inferno começa (Youtube)

Sadomasoquismo: o masoquismo

. • Origem
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O termo masoquismo origina-se do nome de Leopold von Sacher Masoch, novelista austríaco do século XIX. Sua obra mais famosa, Venus in Furs, descreve um caso de amor entre uma mulher dominadora e o homem que ela escraviza. Pessoas de ambos os sexos podem ser masoquistas.
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• Características
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O masoquista é, em geral, um indivíduo cuja personalidade se caracteriza pela ansiedade compulsiva e pela auto-flagelação. Ele despreza a si mesmo e à própria vida. Julga não merecer nada além da humilhação. Sua alegria está em ver confirmada essa opinião. Talvez seja mais fácil entender a satisfação que o sádico experimenta ao agredir alguém, do que compreender o masoquista e seu prazer na submissão. Por que alguém pode gostar de uma situação de inferioridade e desamparo?
Nas tribos e culturas exóticas a dor e a "humilhação" geralmente estão associadas aos rituais de iniciação, como por exemplo quando o indivíduo se transforma em adulto. No entanto, nesse caso a dor não é buscada por mero prazer individual, e sim como meta de superação e ascensão a uma nova categoria social.
Culpa e medo parecem ser os principais fatores das tendência masoquistas. Se um indivíduo se sente culpado em relação a seus desejos sexuais, ficará satisfeito ao ver esses desejos humilhados. O masoquista vê na sua flagelação uma penitência necessária para poder permitir-se a recompensa do prazer erótico. Aqueles que temem suas emoções, particularmente quanto ao desejo sexual, são muitas vezes incapazes de agir sem a autoridade de alguém emocionalmente mais forte. Por isso tendem a procurar relações em que sejam dominados.
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• Teorias
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Sigmund Freud acreditava que uma criança que assiste o ato sexual entre adultos, especialmente entre seus pais, pode tornar-se sadomasoquista quando adulto. Ela pode interpretar o ato sexual como uma forma de violência. Os castigos corporais na infância são também considerados possíveis causas de um futuro comportamento sadomasoquista.
Nas sociedades em que a passividade feminina é uma característica secular, não constitui surpresa a inclinação de mulheres para o masoquismo. A explicação para essa tendência é que as meninas são menos estimuladas a identificarem-se com qualquer atividade (qualidade de ativo). Nesse tipo de sociedade, as jovens meninas são obrigadas a reprimirem seus crescentes impulsos sexuais, pois a responsabilidade da iniciativa é geralmente atribuída ao macho.
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• Consequências
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O sadomasoquismo pode aflorar em diversas situações. O sadomasoquista pode ocultar suas tendência e acabar surpreendendo a esposa logo após o casamento, pedindo, por exemplo, para ser amarrado à cama. E ainda, não são raros os indivíduos capazes de praticar crueldades com seus empregados, filhos ou animais e que, ao mesmo tempo, desejam ser maltratados por seu parceiro sexual.
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• Conclusão
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Não há motivos para sermos preconceituosos com esse tipo de impulso erótico. Embora sejam julgados como "anormais", esses impulsos devem ser respeitados, já que dependem exclusivamente do desejo de cada indivíduo livre. E ainda, uma transa que de vez em quando é mais "quente" não causa mal a ninguém! Nenhuma mulher se transforma em uma "masoquista" só porque, às vezes, gosta de ser possuída com mais força pelo parceiro. O mesmo servindo para esse homem, que não se torna "sádico" só porque foi mais ativo na relação. Ou vice-versa!

Fontes
Artigonal – Diretório de Artigos Gratuitos
Jonatas Dornelles, Doutor em Antropologia Social