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Síndrome de Ekbom


Estudada em 1938 pelo neurologista sueco Karl Axel Ekbom (que também emprestou seu nome à Síndrome das Pernas Inquietas), originalmente chamada por ele de dermatozoenwahn e também conhecida como Delírio de Infestação Parasitária ou Neurodermia Parasitofóbica, a Síndrome de Ekbom consiste no delírio persistente de que vermes e parasitas saem do corpo do paciente e infestam a sua pele.

• Sintomas

No intuito de eliminar os parasitas, os pacientes recorrem ao perigoso uso de inseticidas e à automutilação: coçam e cortam a pele, provocando as chamadas dermatitis artefacta (lesões mecânicas) e causando infecções que podem levar a doenças como a aids e a sífilis.

Os sintomas variam de psicóticos e depressivos a disfunções orgânicas como diabetes melito (elevação de açúcar no sangue) e neurite periférica (lesão ou destruição dos nervos). Os pacientes sentem um grande desconforto físico e, após algumas crises de tremor e febre, costumam levar ao dermatologista amostras de cabelo, pele e outras substâncias que aderem às lesões (como poeira e fiapos de roupas, por exemplo) para que elas sejam analisadas laboratorialmente e comprovem a existência dos vermes - sendo este um sinal clássico do transtorno, conhecido como "sinal da caixa de fósforos".
Esse tipo de delírio visual tende a surgir principalmente em usuários de substâncias alucinógenas como a cocaína - fato que deu origem ao termo cocaine bugs (insetos de cocaína, em inglês) -, mas, em geral, os pacientes são capazes de desenhar e descrever minuciosamente artrópodes das mais diversas formas e tamanhos.

• Características.
O protótipo perfeito para um paciente propenso à Síndrome de Ekbom reside em uma mulher senil, com mais ou menos 58 anos, divorciada ou viúva, socialmente isolada e de baixa escolaridade.

Quando não vivem sozinhos, até 25% dos doentes - principalmente as mulheres, que são as mais afetadas pelo distúrbio - conseguem induzir seus familiares e vizinhos à mesma doença através do fenômeno conhecido como folie à deux (em francês, demência a dois). E, embora consultem dezenas de médicos que jamais encontram uma solução para o seu problema, recusam avaliações psiquiátricas.

• Descrição de um caso

Um trabalhador rural aposentado de 67 anos, solteiro e sem filhos pratica a automutilação na região da bolsa escrotal há cerca de 25 anos, onde faz incisões (cortes) com uma lâmina de barbear no intuito de retirar os pequenos vermes cilíndricos, avermelhados por fora, brancos por dentro e com mais ou menos 10 centímetros de comprimento que se espalharam por todo o seu corpo. Ele diz que precisa retirá-los e estendê-los ao sol para que derretam e morram - e que esta é a única maneira de matá-los.

Esboço de um parasita de corpo alongado e com uma pequena cabeça feito pelo próprio paciente.
O paciente não apresenta sintomas depressivos nem fóbico-ansiosos, o que afasta a hipótese de esquizofrenia. Apresenta infecções locais e anemia ferropriva (causada pela ausência de ferro no organismo) consequentes das lesões, além de dores musculares e fadiga. Não possui histórico psiquiátrico na família e, apesar do discurso ligeiramente acelerado, possui raciocínios coerentes, está orientado em relação ao tempo-espaço e alcança 29 de 30 pontos no Mini-Exame do Estado Mental de Folstein (Mini-Mental).

• Tratamento

Antipsicóticos como a pimozida, um antagônico (oposto) opiáceo, quando aliados a outros antidepressivos, costumam surtir bons resultados - embora possam provocar discinesia tardia (espasmos musculares involuntários) e arritmia cardíaca. Além do mais, se o tratamento por abruptamente interrompido é possível que o paciente apresente piora, uma vez que a permanência dos delírios é desconhecida.

Fontes
Dicionário de Síndromes Blog
Scielo - Revista Psiquiátrica do Rio Grande do Sul

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