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Mumificação


Anúbis, deus da morte, realizando uma mumificação.
Entre 3000 a.C. e 200 d.C., os egípcios produziram cerca de 70 milhões de múmias. Muitas delas foram destruídas para ser transformadas em ingredientes de poções mágicas (pó de múmia era considerado um ótimo remédio durante a Idade Média) e pigmentos para pintura de mestres renascentistas.
Mas até o século I d.C. - quando o costume foi deixado de lado - os egípcios conservaram, além de humanos, animais sagrados como gatos, macacos e pássaros e até alimentos.

• O Processo

Heródoto de Halicarnasso, o pai da História, relata que existiam basicamente três tipos de mumificação mais ou menos complexos que variavam de acordo com a posição social e os costumes do falecido.

O método mais suntuoso - e demorado - começava com a extração de uma parte do cérebro através de um ferro curvo introduzido pelas narinas, e de outra por meio de drogas que ajudavam a dissolvê-lo. Com uma pedra cortante, era feita uma incisão no flanco (virilha) para a retirada dos órgãos internos, que eram banhados em vinho de palmeira e óleos aromáticos.
O corpo, que primeiramente era recheado com mirra, canela e sal grosso (que retirava a umidade), depois era coberto com natrão (uma mistura de sal e bicarbonato de sódio) e nele curtido durante 70 dias. Por último, ele era envolvido em tiras de linho branco embebido em uma espécie de cola chamada betume.

Já a mumificação mediana, muito menos trabalhosa, consistia na injeção de um licor gorduroso de cedro na altura do ventre. Após algum tempo, o líquido dissolvia os órgãos e era retirado através de uma pequena incisão para que, em seguida, o corpo já pudesse ser salgado, coberto com natrão - que consumia a carne e os músculos - e enfaixado.

Por fim, a mumificação simples era destinada aos mais pobres e só fazia injetar seringas cheias de um outro tipo de licor, chamado surmaia, que era retirado após um determinado prazo para que já viesse o natrão. Muitas vezes, por falta de condições financeiras para comprar o linho virgem, o morto era envolvido por tiras das próprias roupas que usara em vida.

Durante todos os processos, eram lidos trechos e orações do Livro dos Mortos. Quando o coração era retirado do corpo (o que nem sempre acontecia, pois acreditava-se que, após a morte, o coração seria pesado durante o julgamento do Tribunal de Osíris), era colocado em seu lugar um amuleto em forma de escaravelho.
Uma múmia que perdesse a sua cabeça seria eternamente acéfala, e como essa era uma grande preocupação dos egípcios, encantamentos protetores como Possa sua cabeça não rolar acompanhavam os cadáveres. Também por isso os vasos de barro onde eram depositados os órgãos internos retirados, chamados canopos, eram sempre deixados próximo ao túmulo.

Os corpos costumavam ser enfaixados a partir dos dedos das mãos ou dos pés e às vezes pela cabeça, mas o tronco era sempre o último a ser envolvido. Podiam ser usadas até 20 camadas sobrepostas de tecido para cobrir uma múmia. Havia embalsamadores treinados para este serviço, e a profissão era oficialmente reconhecida pelo Estado.

• Cada caso é um caso

O grego Heródoto nos diz ainda que, se o corpo pertencesse a uma mulher muito bonita ou importante, ele só seria entregue aos embalsamadores três ou quatro dias após a morte - assim, já estaria em processo inicial de decomposição e provavelmente não seria violado.


E mais: se algum cadáver, fosse de um egípcio ou não, fosse encontrado às margens do Nilo vítima de assassinato ou afogamento, apenas os sacerdotes do Rio poderiam tocá-lo e embalsamá-lo.

Os sarcófagos onde seriam colocadas as múmias, que ficavam dentro do túmulo, eram feitos sob medida e com as feições do morto para que a alma pudesse reencontrar o seu corpo quando voltasse à vida.

Fontes

Coleção Grandes Impérios - volume I, Almanaque Abril
O Fascínio do Antigo Egito

2 comentários:

  1. Não posso deixar de dizer que os assuntos aqui tratados são bem interessantes.
    Luciana, obrigada pela indicação!

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