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Sonhos



Immortal Dream, de Mariusz Oleszkiewicz

Da Bíblia aos poemas épicos da Índia, os mais antigos escritos da humanidade demonstram o fascínio pelo mundo peculiar dos sonhos. Na Antiguidade acreditava-se que os sonhos continham previsões sobre o futuro ou, se quem sonhava era um rei, sobre o destino de toda uma nação.

Os escritores Mary Shelley e Bram Stocker diziam que as personagens imortais de Frankstein e Drácula surgiram em seus sonhos. Dmitri Mendeleiv, químico russo do século XX, também afirmava ter visto "num sonho uma tabela em que todos os elementos se encaixavam em seus lugares como deveriam" e, após esforços infrutíferos, criou a tabela periódica como ela é hoje.

• Oniromancia

A oniromancia (do grego oniros, sonho e mancia, profecia) está entre os mais primitivos sistemas de adivinhação, e costumava ser exercida por um sacerdote, sacerdotisa ou profissional intérprete que, além de ouvir os sonhos e explicá-los, podia oferecer conselhos quanto às providências práticas a serem tomadas.

Já na lenda do rei e herói assírio Gilgamesh, escrita em tijolos de argila por volta do século VII a.C., são encontradas alusões à oniromancia. No Antigo Egito, os intérpretes moravam nos templos dedicados ao deus dos sonhos Sérapis e eram conhecidos como sábios da biblioteca mágica; para os egípcios, dormir nos templos ou à sombra de uma esfinge podia ajudá-los a receber dos deuses um sonho revelador.
Da mesma maneira, na Grécia Antiga, viajar aos templos do deus da medicina Asclépio podia ser o caminho para um sonho que diagnosticaria uma doença misteriosa e que também indicaria um tratamento para ela. No Japão medieval, por sua vez, um peregrino podia passar cem dias ou mais em um santuário fazendo orações e obedecendo a dietas restritas em busca de um sonho com respostas.

Ao longo dos séculos, a interpretação dos sonhos entrou e saiu de moda e conquistou muitos céticos. Enquanto o grego Aristóteles afirmou que o fato de os sonhos se tornarem realidade não passava de mera coincidência, o orador Cícero dizia que o povo romano estava sendo "iludido (...) por imbecilidades sem fim".

• Como os sonhos acontecem

Em uma noite de sono, o ciclo de cinco fases se repete cerca de seis vezes. Os sonhos acontecem durante a quinta e última fase de cada ciclo, chamada sono REM, e duram até 15 minutos. Nela, os músculos permanecem paralisados, as frequências cardíaca e respiratória aumentam, a pressão arterial sobe e os olhos se movimentam rapidamente em suas órbitas (daí vem o nome REM - rapid eye movement, ou movimento rápido do olho).
Embora a ciência ainda não saiba a sua função, os neurologistas dizem que os sonhos participam do processo de memorização: enquanto eles acontecem, as informações úteis do dia são armazenadas e as desnecessárias são descartadas.

• A interpretação dos sonhos

Todos os instrumentos que cortam e dividem coisas ao meio significam discórdias, revoltas e insultos...

O primeiro manual abrangente sobre os sonhos foi o Oneirocritica, de autoria do intéprete Artemidoro de Daldis, no século II d.C. Com explicações para centenas de símbolos e sonhos, o livro ocupou o posto de maior importância sobre o assunto durante mais de mil anos e ainda hoje apresenta interpretações razoáveis; outras, como a advertência de que sonhar com formigas aladas ou codornas é sinal de azar, refletem as superstições da época e não fazem mais sentido.


A revolução sobre a visão que se tinha dos sonhos, entretanto, aconteceu com a publicação de A interpretação dos sonhos, de Sigmund Freud, em 1900 (embora tenha sido finalizada em 1899, a data foi alterada para que a obra se tornasse o marco inicial do novo século).
Antes da psicanálise e de pensadores como Freud e Carl Jung, o sonho era estranho ao sonhador e este representava o simples papel de mensageiro. Depois, declarou-se que seu significado reside não naquilo que revelam sobre o mundo externo, mas sim sobre o próprio inconsciente; os sonhos exprimem impulsos primitivos, conflitos não resolvidos e os desejos mais profundos do homem, assim como todos as personagens que nele se mostram constituem aspectos de sua mente.

• Freud e o Surrealismo


Maçã Borboleta, de Vladimir Kush (1978)

O termo surrealismo, que deu nome ao movimento de vanguarda do século XX, vem do francês sur le réel, ou seja, acima do real.

Para Freud, o homem deveria libertar sua mente da lógica e dos padrões comportamentais impostos pela sociedade e dar vazão aos sonhos, visto que o inconsciente tem papel fundamental na criatividade. A arte deveria partir do irracional, porque a vida inconsciente é mais livre e verdadeira e as imagens e sensações dos sonhos não são menos importantes do que as reais.

Fontes
Nova Enciclopédia Ilustrada Ana Maria - volume 11
O Manual do Bruxo - um dicionário do mundo mágico de Harry Potter, Allan Zola Kronzek e Elizabeth Kronzek

Mar portuguez

de Fernando Pessoa


Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão resaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abysmo deu,
Mas nelle é que espelhou o céu.

Anarquismo



Muitos acreditam que a expressão anarquia tem a ver com evento, lugar ou qualquer outra organização carente. Entretanto, o termo não se baseia nisso. As teorias que integram o pensamento anarquista estão ligadas às ideias libertárias, ou seja, ao fato de viver sem governo – o que foi estabelecido logo depois que as contradições e injustiças do sistema capitalista se mostraram visíveis, durante o século XVIII.
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Um dos percursores do anarquismo, foi William Godwin (1756-1836), que já naquela época propunha um novo tipo de arranjo social para que as pessoas não se sentissem obrigadas a serem subordinadas e seguirem à força aquilo que era determinado pelo governo. 
Com o passar de certo tempo, novos pensadores surgiram, reforçando a linhagem do pensamento de ser livre; em geral, todos eles tentaram trilhar caminhos que pudessem conceber uma sociedade plenamente sem leis, mas podemos dizer que um dos principais idealizadores do anarquismo foi o teórico Pierre-Joseph Proudhon, que escreveu a obra Que é a propriedade? em 1840.

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O anarquismo pode ser definido como uma doutrina, um conjunto de princípios políticos, sociais e culturais que defende o fim de qualquer forma de autoridade e dominação, seja ela política, econômica, social ou religiosa. 
Em um básico resumo: os anarquistas defendem uma sociedade baseada na liberdade total, porém responsável, sem a incorporação de ações violentas. Sendo assim, os anarquistas acreditavam que todas as instituições que possuíam poderes sobre a população, impediam o alcance da total liberdade, incluindo, além do Estado, igrejas e muitos outros costumes também são criticados, pela chance de domínio que eles têm para com as pessoas.
Dessa forma, a existência de classes sociais seria consequentemente abolida, pois estas mesmas seriam combatidas por meio da extinção de propriedades privadas.

Em uma nova sociedade, na qual não existiria Estado, a produção e o gerenciamento da riqueza seriam estipulados por meio de ações coorporativas, ou seja, seria de igual para igual e todos teriam a oportunidade de conquistar uma vida no mínimo confortável, sem exploração de trabalho para benefício próprio de terceiros. Tudo sempre em defesa também da solidariedade (apoio mútuo), harmonia entre os indivíduos, propriedade coletiva, autodisciplina, responsabilidade (sendo individual e coletiva) e forma de governo baseada na autogestão.

Assim como os socialistas, os anarquistas acreditavam que era necessário haver um movimento revolucionário para combater as autoridades notórias. Porém, apesar dessa coisa em comum entre os tais, os anarquistas não apoiavam a ideia de que era preciso a criação de uma ditadura para que a sociedade comunista fosse alcançada. Na opinião do movimento anarquista em si, a substituição de um governo por outro iria apenas salientar e fortalecer novas formas de pressão e desigualdade.
 

• Anarquismo no Brasil



No Brasil, a ideologia, ou seja, o sistema de ideia e valores, se uniu com o desejo de uma transformação da política através de uma ação revolucionária; trabalhadores imigrantes e "nativos", operários dos principais centros industriais do país, se reuniram em um comício-monstro na Praça da Sé, adotando a estratégia de política anarquista para os sindicatos. O sindicalismo revolucionário se tornou a principal ferramenta de luta.

Fontes
Anarquismo - O Maior Portal Anarquista do Brasil
Brasil Escola

Góticos: ao extremo da emoção negativa



A preocupação dos efeitos corrosivos das artes remonta ao grego Platão e seu discípulo Aristóteles, que viveram entre os séculos III e IV d.C. Para Platão, as artes altamente sentimentais despertam as emoções e corrompem o caráter a partir do momento em que comprometem parte do controle que a razão exerce sobre nós - fato este que se torna ainda mais preocupante quando as emoções despertadas são negativas. Aristóteles, por sua vez, acreditava que essas mesmas artes são saudáveis pela capacidade que têm de purgar a alma contra paixões destrutivas.

• Arte e Emoção

As artes desempenham papel fundamental no desenvolvimento das virtudes morais. O teatro trágico, por exemplo, é especialmente hábil em provocar sensações de medo e piedade. Ainda segundo Aristóteles, isso torna seus espectadores menos propensos a senti-las na vida real.

Filósofos e psicólogos não sabem dizer se emoções causam estados físicos ou se estados físicos causam emoções, mas têm absoluta certeza de que há ligação entre ambas as coisas. Tristeza e raiva são características inerentes ao ser humano, e a maneira de lidar com elas na infância pode definir o caráter; por isso, sentir pouca raiva é tão prejudicial quanto sentir muita raiva.
A raiva, a angústia e a tristeza, quando saudáveis, atuam no retorno a um estado emocional mais equilibrado, ao passo que a sua falta ou excesso leva à insensibilidade. Pesquisas dizem que adolescentes que escutam rock tendem a usar drogas, fazer sexo e ir mal na escola, mas é possível que esse estilo agressivo de música os ajude a lidar com seus entraves já existentes.

• Apaixonados pela vida

A subcultura gótica, que desde a década de 1990 caracteriza-se como uma corrente inspirada na melancolia e no Romantismo do século XVIII, permanece em constante renovação e baseia-se não apenas na música e no comportamento, mas também em outras formas de expressão que refletem a sua personalidade. Se o movimento punk foi uma algazarra sonora cheia de fúria, o pós-punk foi uma evolução que partiu da acusação para a reflexão - do você para o eu.

De acordo com o alemão Martin Heidegger, um dos principais representantes da filosofia existencialista, a sintonia com a morte e a vivência de experiências negativas produzem um sentimento apaixonado pela vida; o mórbido, a visão positiva sobre a solidão e a tristeza, portanto, abrem caminho para uma consciência livre de vícios e hipocrisia. Por outro lado, as normas e conceitos adotados pela sociedade oferecem a estrutura necessária para o desabrochar do ser humano, e rejeitá-las por completo pode causar alienação e amargura.

Fontes
Metallica e a Filosofia - Um curso intensivo de cirurgia cerebral, coletânea de William Irwin
Spectrum Gothic

Combustão Humana Espontânea



Incêndio sem fonte de ignição aparente, onde o calor extremo fica retido às proximidades do corpo sem afetar as imediações. Embora temperaturas iguais ou superiores a 100 °C causem morte por ebulição de líquidos corporais, para carbonizar completamente um esqueleto humano são necessários mais de 1600 °C.
Relatos orais e sem grandes evidências são conhecidos há cerca de 300 anos. Para os antigos alquimistas, a combustão espontânea seria consequência da ação do fogo secreto: um suposto tipo de chama muito diferente da que hoje se conhece.

• Teorias


Os céticos desenvolveram diversas possíveis explicações - ignição de gases corporais inflamáveis, como o metano, por ação de enzimas; taxas elevadas de álcool no sangue; eletricidade estática entre roupas e corpo -, mas fala-se muito no Efeito Pavio, onde as roupas serviriam como o pavio de uma vela (comburente), e o tecido adiposo de combustível.

Larry Arnold, por sua vez, o maior especialista do mundo no assunto, desenvolveu três teorias que, embora não apresentem nada de concreto que possa ser testado em laboratório, baseiam-se em diferentes conhecimentos.

•••••••Pyroton Subatômico

Baseada na Física Quântica, afirma que existe no corpo uma partícula minúscula e tão energizada quanto um neutrino (que viaja a uma velocidade superior à da luz), a qual se movimenta entre os quarks (que, juntamente com o lépton, constituem os dois elementos básicos formadores de átomos) e, em raras ocasiões, colide com eles. Este acontecimento, apelidado de Efeito Hiroshima Interior,  provocaria uma reação em cadeia por todo o organismo.

•••••••Kundalini

Muito estudada por médicos e místicos orientais e pouco conhecida no Ocidente, a kundalini é uma bioenergia que flui pela coluna vertebral de todos os seres humanos. Deve-se atentar ao fato de que o seu desequilíbrio, o qual pode ser provocado por abalos emocionais, desencadeia picos de elevação da temperatura corporal.
Para a Yoga, quando adormecida, a energia assemelha-se a uma chama congelada; desequilibrada, no entanto, gera uma espécie de bola de plasma com raio de 30 a 45 cm que reduz a base do tronco a cinzas, enquanto tudo anatomicamente fora desta área permanece intacto.

•••••••Cartografia da Combustão

Através de uma lista de incêndios anormais que envolviam pessoas e propriedades em todo o Reino Unido, Larry Arnold percebeu que linhas retas conectavam até dezenas de intervenções. Esta teoria associa-se à ideia de uma energia geofísica ainda desconhecida que alinharia monumentos e lugares importantes da humanidade, a qual também poderia causar a combustão espontânea de edifícios e pessoas.

• Casos registrados


John Irving Bentley: em 1966, o físico de 92 anos foi encontrado com 90% do corpo carbonizado na banheira, que mal estava chamuscada. Um pedaço de sua perna foi tudo o que restou.

•••••••Mary Hardy Reeser, 1951

Uma senhora foi encontrada carbonizada dentro de seu apartamento; sua cabeça foi reduzida ao tamanho de uma bola de tênis e apenas um pedaço de sua coluna vertebral e seu pé esquerdo não foram consumidos. Nada além do sofá e do teto, que apresentava marcas de fuligem, foi danificado. Wilton Marion Krogman, professor da Universidade de Medicina da Pensilvânia, afirmou nunca ter visto um crânio humano tão reduzido por ação do calor - uma vez que o normal seria que ele se dilatasse até estourar.

•••••••Robert Francis Bailey, 1967

O morador de rua foi encontrado por um grupo de trabalhadoras no segundo andar de um albergue com um corte no abdômen, de onde saíam chamas que já avançavam para a escadaria. A morte aconteceu por asfixia através dos gases da combustão.

Fontes
Apocalipse 2000 - Combustão Espontânea
Medo B. - Combustão Humana Espontânea
Sobrenatural Blog

Versos Íntimos

de Augusto dos Anjos


Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Vandalismo

de Augusto dos Anjos


Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos...

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!

Tribos Urbanas na América Latina

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Repudiados e temidos pela sociedade que tende a marginalizá-las, as tribos urbanas surgiram da necessidade de comunicar, diferenciar e identificar. Especialmente separadas pela estética, na América Latina as tribos da cultura dark são vistas como grotescas e, muitas vezes, também sofrem intolerâncias entre si.

• Cultura dark na adolescência

Transição crítica e crucial, com a adolescência surge a busca pela identidade. O adolescente - o ser humano - precisa sentir que pertence a algum lugar, e procura, em um universo simbólico, inspirar-se em um personagem mais liberto. Embora a rejeição e a agressão possam custar caro, o desejo pela satisfação pessoal é sempre mais forte.

• Punks


Na América Latina, os punks foram os primeiros a amedrontar com sua aparência: fizeram o trabalho sujo para que outras tribos pudessem surgir. Na Argentina, expressaram o inconformismo com a ditadura através da música e queriam questionar o estabelecido.

• Góticos


Associados ao terror e também à extrema sensibilidade, os góticos se voltam para o que todos os outros temem e ignoram: a morte e tudo o que se parece com ela. Suas festas, ditas manifestações satânicas e vampíricas, demonstram atração por uma beleza onde os outros não a veem. Mais temidos que desprezados, todos parecem concordar que dormir em caixões não deve ser nada confortável.

• Emos


A expressão, que provém do inglês emotional, designa jovens melancólicos e poéticos pejorativamente relacionados à automutilação e ao suicídio. No México, a jovem geração ainda enfrenta a violência nas ruas do país.

Fontes:
Tabu - América Latina: Tribos Urbanas

Instrumentos de Tortura e Execução

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A tortura existe desde que há civilização, tendo adquirido requintes especialmente violentos durante o Império Romano. Junto ao suplício físico, a Santa Inquisição somou o terror psicológico - algo irônico para o Cristianismo, que se dizia uma religião de amor e fraternidade.
De início, a Igreja Católica era contra a prática da tortura, mas, em 1252, o papa Inocêncio IV promulgou a bula que autorizava os castigos físicos para a obtenção de confissões, consideradas a principal  evidência de uma heresia. Durante o período de perseguição às bruxas, quem denunciasse outros supostos servos de Satã poderia ter a sorte de ser executado de uma maneira um pouco menos cruel.

• Instrumentos

A partir do século XV, a Igreja criou manuais para orientar os seus carrascos. A única recomendação era que a tortura nunca fosse infligida pelos padres.

Além de aparelhos sofisticados e de alto custo, eram utilizados instrumentos simples como tesouras, chicotes e barras de ferro aquecidas. É difícil distinguir os instrumentos de tortura daqueles destinados à execução, visto que ambos eram terríveis e, muitas vezes, levavam à morte de forma extremamente dolorosa.

•••••••Touro de Bronze


Primeiro dispositivo de tortura da Grécia Antiga, consiste em uma peça oca suficientemente grande para confinar uma pessoa. O touro, que inicialmente era apenas aquecido, foi aperfeiçoado com uma complexa tubulação que fazia os gritos do condenado soarem como o animal enfurecido.

•••••••Túnica Molesta


Criada a pedido do imperador romano Nero, que queria impressionar o público dos anfiteatros com novos espetáculos. Uma túnica de tecido fino era revestida por uma pasta feita a partir de um líquido inflamável que alimentava uma verdadeira bola de fogo humana até que todo o corpo fosse consumido.

•••••••Empalamento


Uma estaca de madeira com a ponta afiada podia ser introduzida através da boca, umbigo ou - mais comumente - pelo ânus. Verticalmente, a estaca atravessava o corpo sem atingir órgãos vitais, o que fazia com que a vítima permanecesse viva durante dias a fio.

Embora tenha mais de 3 mil anos - diz a lenda que Assurbanípal, monarca assírio da Antiguidade, gostava de assistir a sessões enquanto fazia as refeições -, o maior praticante do empalamento da história foi Vlad Tepes, governador da Wallachia (atual Romênia) no século XV e figura que inspirou Bram Stocker a escrever Drácula. Vlad, o Empalador, como passou a ser chamado, foi prisioneiro dos turcos até os seus 12 anos e com eles aprendeu a crueldade: acredita-se que tenha torturado mais de 20 mil turcos com estacas de pinho no chamado Campo dos Empalados.

•••••••Fogueira


Estrangulamento de Marianna de Karvajal, litografia do século XIX

Tida como um ato de misericórdia, a morte pela fogueira dava uma pequena amostra do fogo do Inferno para que o herege se arrependesse e tivesse a alma perdoada. Dependendo de como a pira fosse organizada, a morte podia acontecer de três maneiras distintas: por asfixia consequente da inalação de fumaça, que queimava a garganta e afogava os pulmões em seus próprios fluidos; por queimaduras causadas apenas pelo calor das chamas, que já era suficiente para descolar a pele; ou pelo próprio fogo, que repuxava as articulações - causando espasmos involuntários -, derretia pele e músculos e consumia todo o corpo em cerca de 45 minutos.

•••••••Pêndulo


Interrogatório no Strappado, de Bessonov Nicolay (1992)

Simples e rápido: com os pulsos amarrados atrás das costas por uma corda que se estendia até uma roldana, a vítima era violentamente suspensa e tinha os ombros deslocados. Para intensificar o sofrimento, podia ter pesos presos aos pés. Acredita-se que Maquiavel, autor de O Príncipe, tenha sido submetido a este tipo de tortura quando foi preso, em 1513.

•••••••Dama de Ferro


O nome dama de ferro inspirou os ingleses do Iron Maiden

Também chamado Virgem de Nuremberg, cidade onde foi criado no século XVI, consta que tenha sido utilizado pela primeira vez em 1515 com um falsificador de moedas. A dama de ferro é um sarcófago de dois metros de altura com espinhos longos e afiados dispostos de forma a não atingir nenhum órgão vital e prolongar o sofrimento; duas portas, uma de cada lado, se abriam para dentro e para fora enquanto feriam pontos que ainda não haviam sido machucados. O acusado podia passar dias lá dentro sem que seus gritos fossem ouvidos.

•••••••Esmaga Cabeça


Capacete metálico que pressionava a cabeça contra uma base sob o queixo e tinha como objetivo "excruciar a mente demoníaca" - mas a lista de pensamentos que a Igreja considerava heréticos era tão extensa, que não era nada difícil encontrar um motivo para condenar alguém. Por ser mais frágil, o maxilar era o primeiro a quebrar; em seguida os olhos saltavam das órbitas e, por último, o cérebro vazava pelo crânio despedaçado.

•••••••Estripador de Peitos


Tenazes em brasa, de Bessonov Nicolay (2001)

Garras metálicas muito comumente aquecidas que dilaceravam os seios até torná-los irreconhecíveis; muitas vezes, quatro garras eram utilizadas simultaneamente. Uma variante do instrumento, que punia mulheres acusadas de adultério, era chamada de aranha: fixada na parede, prendia e puxava os seios até removê-los.

•••••••Roda


Inicialmente com as mãos e pés amarrados, a vítima tem os ossos esmagados por golpes de uma barra de ferro. Se conseguisse quebrá-los sem rasgar a pele, o carrasco seria aplaudido pela multidão por conta de sua habilidade. A ideia era não ter sangue ou fraturas expostas. Em seguida, o corpo desfigurado seria enrolado na parte externa da roda e queimado por brasas (ou espetado por agulhas) enquanto ela girava em torno de seu próprio eixo.

•••••••Berço de Judas


Peça triangular de madeira sobre a qual a vítima, sustentada por correntes, era colocada de pernas abertas; o afrouxamento brusco ou gradual das correntes tornava inevitável que o dispositivo a penetrasse.

•••••••Burro Espanhol


Interrogatório de Marie Curlie, de Bessonov Nicolay (2001)

Com pesos amarrados aos pés, a vítima era montada nua sobre a placa de madeira que tinha um formato triangular acentuado. O peso de seu próprio corpo contra o fio cortante acabava por dividi-lo ao meio.

•••••••Esfola


Com os braços amarrados acima da cabeça, o condenado tinha a pele lentamente retirada por uma pequena faca, começando pelos pés. A maioria das vítimas morria antes que o carrasco chegasse à sua cintura. Já conhecida no Oriente Médio e na África, a esfola foi largamente praticada durante a Idade Média.

•••••••Mesa de Evisceração


O acusado era deitado sobre a mesa e tinha os pés e as mãos imobilizados. Como um anzol, um pequeno ganho preso a uma corrente era inserido no abdômen através de uma incisão e extraía os órgãos internos.

•••••••Gaiolas Suspensas


Nuas ou seminuas, as vítimas eram aprisionadas em gaiolas pouco maiores do que elas mesmas e que, por sua vez, eram suspensas em postes ou vias públicas. O cadáver permanecia exposto até se desintegrar completamente.

•••••••Pera da Angústia




Composta por folhas metálicas que, quando abertas, se expandiam em até três vezes o seu tamanho, a pera era forçada através do ânus (em caso de acusação de homossexualismo), vagina (adultério e bruxaria) ou boca (blasfêmia). Dentes pontiagudos na extremidade das folhas auxiliavam a rasgar os intestinos, o útero ou a garganta.

•••••••Cadeira da Inquisição


Nua, a vítima se sentava na cadeira coberta por espinhos que perfuravam as suas costas, pernas e braços. Além do seu próprio peso, cintas de couro apertadas ajudavam a aumentar a dor gradualmente; por vezes, brasas eram colocadas sob a cadeira e queimavam os pés do acusado. O método sobreviveu na França e na Alemanha até o século XIX.

•••••••Cadeira das Bruxas




Pretendia imobilizar o acusado, prendendo-o de costas ao assento com as pernas no encosto, para intimidá-lo com outros métodos de tortura.

•••••••Cadeira do Tigre


Método chinês que consiste em amarrar as pernas da vítima à cadeira e colocar cada vez mais tijolos sob os seus pés - até que as cordas arrebentem. Simultaneamente, o acusado tem a boca amordaçada de maneira a rasgar os cantos dos lábios e pode receber choques elétricos.

•••••••Garfo


Garfo de metal com duas pontas afiadas que penetram o queixo e o tórax, matando lentamente por asfixia. Preso a um colar de couro que é colocado no pescoço, ao longo do instrumento lê-se os termos Abiuro e I renounce, uma vez que as heresias mais graves deveriam ser punidas com a renúncia à vida - mas ao menos a alma ainda seria salva.

•••••••Máscaras


Feitas de ferro e nas mais variadas formas (orelhas de burro ou focinho de porco, por exemplo), por vezes tinham artifícios internos como bolas que pressionavam os olhos ou o nariz, ou lâminas que dilacerariam a língua do condenado se ele tentasse gritar ou chorar. Ainda assim, o incômodo físico não era tão grande quanto a humilhação pública, visto que as máscaras eram uma forma de punir os mentirosos.

•••••••Garras de Gato


Garras metálicas suficientemente grandes para rasgar não apenas a pele, mas também os músculos da vítima.

•••••••Quebra Joelhos


Unidas por duas roscas, duas placas paralelas de madeira que podem conter pregos eram apertadas até esmagar completamente os joelhos. Este tipo de tortura normalmente era feito em sessões que aumentavam a dor de maneira gradual.

•••••••Cavalete


Com os braços presos aos furos na parte superior e as pernas acorrentadas à outra extremidade, o acusado tinha as costas pressionadas pelo peso do próprio corpo contra o fio cortante do bloco. Enquanto isso, com um funil, o torturador tapava seu nariz e obrigava-o a ingerir água.

•••••••Banco da Tortura


Os romanos chamavam-no equuleus (cavalo jovem), mas o dispositivo pode ter sido inspirado na antiga lenda grega do gigante Procrustes, que esticava os viajantes em uma mesa de ferro até que eles coubessem nela. Este processo, que se resume a amarrar pulsos e tornozelos a tábuas gradualmente afastadas, provoca danos irreversíveis nos ossos e articulações.

•••••••Potro


Mesa com orifícios laterais onde o acusado tem os membros amarrados pelas partes mais fortes, como panturrilhas e antebraços. Quando uma manivela era girada, as cordas produziam um efeito torniquete e, no mínimo, necrosavam os tecidos. A legislação espanhola decretava um número máximo de cinco voltas permitidas, para, caso o acusado fosse inocente, não ficasse com sequelas irreparáveis. Entretanto e não raro, este número era excedido até que os ossos fossem esmagados.

•••••••Garrote


Colar de ferro com pregos que penetravam a coluna cervical. Preso a um pilar, este instrumento foi muito usado na Espanha até o fim do século XX e podia matar tanto por asfixia quanto pelo esmagamento da coluna - o que viesse primeiro.

•••••••Serrote


Com as pernas abertas e amarrada de cabeça para baixo, a vítima era serrada ao meio. O fato de mantê-la de ponta a cabeça diminuía a perda de sangue e melhorava a oxigenação do cérebro, retardando a morte e prolongando a dor.

•••••••Botas


Cunhas de ferro que esmigalhavam pernas e pés. A cada pancada do martelo que apertava as peças, o inquisidor repetia a pergunta. Uma variante deste dispositivo era a bota espanhola, que, durante a Inquisição no país, era aquecida e comprimida por uma manivela.

• Tortura Contemporânea


Pirâmide humana na prisão iraquiana de Abu Ghraib

Um dos maiores escândalos assistidos pelo mundo aconteceu em 2003, logo após a ocupação do Iraque por soldados norte-americanos e ingleses. Imagens comprovaram que os soldados humilhavam e torturavam prisioneiros iraquianos obrigando-os a rastejar nus pelo chão e a ingerir fezes e urina.

•••••••Tortura à Brasileira


O Brasil conviveu com a tortura durante o chamado Estado Novo (1937-1945) do governo de Getúlio Vargas e, principalmente, no Regime Militar (1964-1985). O mandato do general Emílio Garrastazu Médici, em especial, constituiu os chamados anos de chumbo, com desaparecimentos, severas punições e execuções dos opositores ao regime. Mas os castigos físicos não se resumem aos 21 anos de ditadura: em abril de 2001, a ONU divulgou um relatório com 348 ocorrências de tortura no Brasil registradas apenas nos meses do segundo semestre de 2000.

Fontes
Alborno'z Blog - Tortura Medieval
Apocalipse 2000 - O Museu da Tortura
Câmara da Tortura
Correio do Ribatejo - O gosto pela tortura, J. C. Almeida Gonçalves
Nova Enciclopédia Ilustrada Ana Maria - volume 12
Rart og Grotesk Blog
Spectrum Gothic - Métodos de Tortura e Execução na Idade Média
The Torture Museum