de Augusto dos Anjos
Numerar sepulturas e carneiros,
Reduzir carnes podres a algarismos
Tal é, sem complicados silogismos,
A aritmética hedionda dos coveiros!
Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos
Da morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
Na progressão dos números inteiros,
A gênese de todos os abismos!
Oh! Pitágoras da última aritmética,
Continua a contar na paz ascética
Dos tabidos carneiros sepulcrais.
Tíbias, cérebros, crânios, rádio e úmeros,
Porque, infinita como os próprios números,
A tua conta não acaba mais!
Fontes
Assim Se Escreve... Gramática - Assim Escreveram... Literatura, Odilon Soares Leme, Stella Maria Garrafa Serra e José Albetoni de Pinho
Românticos Tuberculosos
A tuberculose ou bacilo de Koch é uma doença respiratória relacionada ao alcoolismo, tabagismo, baixa resistência imunológica e condições precárias de vida - motivo pelo qual também é chamada de Doença da Pobreza.
Mas o que fazia caírem doentes os em sua maioria jovens poetas românticos, ao contrário do que se possa imaginar, nem sempre era a vida boêmia, mas antes a sua frágil saúde. Transtornados pela intensidade dos próprios sentimentos, definhavam de dentro para fora: alimentavam-se mal, dormiam mal e muitas vezes sequer acalentavam o desejo de viver.
• Álvares de Azevedo
A lista é grande. Não foram poucos os poetas - sobretudo os românticos - que morreram de tuberculose.
Manuel Antônio Álvares de Azevedo foi o principal herdeiro da geração byroniana na literatura brasileira. Morreu em 1852, aos 20 anos de idade.
• Casimiro de Abreu
José Marques Casimiro de Abreu, durante os seus dois últimos anos de vida, deixou-se dominar por um profundo pessimismo. Obrigado pelo pai a mudar-se para Portugal a fim de praticar o comércio, a melancolia e a tristeza fizeram-no constituir na morte o seu maior desejo. Morreu em 1860, aos 21 anos.
• Soares de Passos
Antonio Augusto Soares de Passos foi o maior nome do Ultrarromantismo português. A tuberculose revestiu suas obras de aspectos mórbidos e pessimistas, como no célebre poema O Noivado do Sepulcro. Morreu em 1860, aos 34 anos.
• Júlio Dinis
Pseudônimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, principal representante da ficção campesina no romance português. Autor de As Pupilas do Senhor Reitor, foi motivado pela própria doença a formar-se em Medicina. Morreu em 1871, aos 32 anos.
• Castro Alves
Antônio Frederico de Castro Alves, o Poeta da Abolição, foi um dos principais líderes da campanha abolicionista-liberal. Parte de sua obra foi editada e publicada postumamente. Morreu em 1871, dois anos após amputar o pé direito por conta de um acidente, aos 24 anos.
• José de Alencar
José Martiniano de Alencar, notável ficcionista de romances históricos, indianistas e urbanos. Autor de obras como O Guarani, Iracema, Senhora e Cinco Minutos. Morreu em 1877, aos 48 anos.
• Cesário Verde
José Joaquim Cesário Verde, poeta português que demorou a ser reconhecido. Suas obras, entre o Romantismo e o Realismo e muito influenciadas por Charles Baudelaire, repudiam as tradições e só foram consagradas no período do Modernismo. Morreu em 1886, aos 31 anos.
Fontes
Assim Se Escreve... Gramática - Assim Escreveram... Literatura, Odilon Soares Leme, Stella Maria Garrafa Serra e José Albetoni de Pinho
Novas Palavras - Ensino Médio 2, Emília Amaral, Mauro Ferreira, Ricardo Leite
A Reforma Protestante
Foto retirada do filme Lutero, que conta a história e trajetória do monge que ficou conhecido por causar uma cisão na Igreja Católica, provocando a Reforma Protestante
• O poder da Igreja
Durante a Idade Média, a Igreja Católica se consolidou, aos poucos criando pilares e ficando cada vez mais rica, firmando território sólido na Europa Ocidental.
A hierarquia católica - padre, bispo, arcebispo, cardial e papa - tornou-se de extrema influência para a sociedade, muitas vezes como grandes senhores feudais. Enquanto isso, os pequenos clérigos não possuíam muitos bens, lutando contra a miséria.
Mas, a Igreja também tinha quase completo domínio sobre a vida espiritual e material da população, ganhando assim um certo poder predominante com todos os devotos.
• Preço da salvação
Os representantes pregavam que se você contribuísse, pagando as devidas indulgências (indulgência é o perdão que a Igreja oferece àqueles que se arrependem de seus pecados. Nos primeiros tempos, assumia a forma de penitência pública, autoflagelação, por exemplo. Nos séculos seguintes, as indulgências se transformaram em cartas vendidas aos fiéis), comprando relíquias veneráveis (pretensos pedaços da cruz em que Cristo fora crucifixado.) Somente tais coisas poderiam absorver seus pecados e garantir a salvação na vida eterna. Também era recomendado:
- Jejuar;
- Ajudar os mais necessitados;
- Evitar relações sexuais, a não ser que estivesse ligado a procriação;
- Não dizer ofensas que pudessem ser consideradas como blasfêmia ou calúnias.
O povo acabou incorporando outros pretextos para garantir lugar nos céus, como: autoflagelações e peregrinações à locais considerados sagrados (Roma - onde se encontra os corpos dos apóstolos Pedro e Paulo -, Jerusalém - lugar no qual Cristo morreu -, e Santiago de Compostela - cidade que teria sido enterrado São Tiago.)
Entretanto, como pode se imaginar, nem todos tinham uma mente fechada, fanática e crente em tudo aquilo que a Igreja Católica impunha. E foi a partir daí que surgiram pensadores humanistas que criticavam os abusos cometidos pelo alto clero - muitos dos mesmos foram acusados de heresia pela Igreja e condenados a morrer na fogueira. -
De acordo com um desses intelectuais, Erasmo de Roterdã afirmava que era necessário que a Igreja se assumisse mais humilde e desvinculada dos bens materiais, conforme era proposto pelos ensinamentos dos evangelhos.
Apesar da repressão, o movimento que ditava regras contra as práticas consideradas imorais, foi crescendo e ganhando força. O protesto ficou conhecido como Reforma, graças ao seu líder, o revolucionário Martinho Lutero.
• Surge o desafiador
Martinho Lutero (1483-1546) era um monge agostiniano que lecionava Teologia na Universidade de Wittenberg, na atual Alemanha.
Quando, em 1517 no Sacro Império Romano-Germânico, desafiou a Igreja, outras pessoas sentiram-se motivadas a fazer o mesmo.
Lutero propunha mudanças na Igreja de Roma. Suas propostas provocaram uma intensa transformação, nascendo assim a Reforma Protestante e respectivamente o protestantismo.
Em 1530, auxilado pelo humanista Philipp Melanchthon, Lutero redigiu a Confissão de Augsburgo, que constituiu a doutrina da Igreja Luterana.
• O Protestantismo
As promessas reformistas de Lutero se difundiram rapidamente. Entre seus princípios estavam:
- A teoria do sacerdócio universal, segundo o qual, qualquer pessoa poderia interpretar os textos sagrados e ser ''sacerdote de si mesmo'', sem a necessidade de ter um representante para intermediar sua relação com Deus.
- A tese da salvação pela fé, que rejeita as ideias da Igreja Católica com a crença da salvação pelas obras, especialmente as ''falsas boas obras'', pagas com dinheiro.
- Abolição dos sacerdotes.
- Eliminação dos sacramentos, isto é, das típicas cerimônias de benção, com exceção do batismo e da eucaristia.
- Substituição do latim pela língua germânica nas cerimônias religiosas (já que foi Lutero que traduziu a Bíblia Sagrada do latim para o alemão, deixando disponível a todos que quisessem ler os santos evangelhos.)
- Rejeição da hierarquia comum do clero católico.
Ao desenvolver seus próprios conceitos e criar uma nova prática religiosa, Martinho Lutero provocou uma divisão, quebrando o potente monopólio da Igreja Católica.
Porém, os conflitos e hostilidades se prolongaram até 1555, ano em que o imperador assinou a Paz de Augsburgo, garantindo enfim, liberdade religiosa aos protestantes.
''Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disso gasta dinheiro com indulgências (...) provoca a ira de Deus.''
''Esperar ser salvo mediante cartas de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.''
Fontes
HISTÓRIA - Gislane e Reinaldo
Wikipedia
HISTÓRIA - Gislane e Reinaldo
Wikipedia
Álvares de Azevedo
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O mito confunde-se com o homem. Após a sua morte, Álvares de Azevedo foi rapidamente reconhecido como aquele que viria a ser o mais completo poeta brasileiro.
• O Homem
Filho de Manuel Álvares de Azevedo e Maria Luiza Mota Azevedo, Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu em 12 de setembro de 1831, em São Paulo (SP), mais especificamente na casa do avô materno, Severo Mota.
A ilustre família mudou-se para o Rio de Janeiro (RJ) em 1833, quando o pai de Maneco bacharelou-se em Direito. Em 1844 a família retorna a São Paulo, mas no ano seguinte Álvares de Azevedo volta ao Rio para cursar o que hoje seria o Ensino Médio no colégio Pedro II.
Fundou a Revista Mensal da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano e, em 1848, ingressa na Faculdade de Direito de São Paulo, que não chegou a concluir. De saúde sempre frágil, sofre um intervenção cirúrgica sem efeito - e, segundo a família, sem anestesia - devido a um tumor a fossa ilíaca (relativo ao íleo, parte do intestino delgado) ocasionado por uma queda de cavalo; ao mesmo tempo, descobriu-se que sofria de tuberculose - a chamada Doença da Pobreza, comum entre os poetas (principalmente os ultrarromânticos) devido à sua má alimentação e à vida boêmia que costumavam levar.
Depois de 46 dias de agonia sobre uma cama, aos 21 anos incompletos, Álvares de Azevedo morreu no domingo de 25 de abril de 1852. Sua mãe estava grávida de seu oitavo irmão. Seu corpo foi enterrado no cemitério Pedro II, na Praia Vermelha (Rio de Janeiro), mas em 1854 foi traslado para o cemitério São João Batista, em Botafogo.
• O Poeta
Apelidado Poeta da Dúvida, Álvares de Azevedo foi o maior expoente do Ultrarromantismo brasileiro. Chegou-se a dizer que ele havia nascido na sala da biblioteca da Faculdade de Direito de São Paulo e, embora há quem acredite que tenha levado uma vida boêmia e pervertida, seus estudiosos creem que ele a tenha passado como teria supostamente nascido: entre livros e sonhos.
Amigo de Bernardo Guimarães (colega de faculdade e autor de A Escrava Isaura) e Aureliano Lessa (poeta com o qual Álvares de Azevedo, em conjunto com Bernardo Guimarães, planejava a publicação de uma obra intitulada As Três Liras), era muito admirado por seus contemporâneos e valorizou como nenhum outro o romantismo da mulher, que considerava uma criação sublime, divina e inconsútil, isto é, intocável. Segundo o poeta modernista Mário de Andrade, "o amor sexual lhe repugnava e, pelas obras que deixou, é difícil dizer que tivesse experiência dele".
Sua poesia (a principal forma de expressão dos ultrarromânticos) influenciada por Heinrich Heine, George Sand e principalmente os pioneiros Lord Byron e Alfred de Musset é de um raro individualismo romântico: os poemas ricos em métrica e variados em ritmo expressam o tédio e a melancolia (spleen), o amor e o medo, a frustração, o escapismo e o pessimismo tipicamente byronianos.
Seus versos ocupam-se tanto do amor que oscila entre a virgem etérea e a sensualidade quanto da fumaça de um charuto e dos valores de uma sociedade capitalista - que viriam a ser o principal tema da terceira geração romântica.
Mas, por outro lado, o subjetivo, "o mais romântico de nossos poetas românticos" também traz dentro de si o antídoto para o chamado Mal do Século: a incapacidade de amar e a constante ansiedade em observar e ser observado aliadas à sua natureza desapaixonada revelam o realismo irônico, a imaturidade e o contraste consciente do autor. Alguns de seus poemas são paródias à sua própria geração.
• Obras
Por sua temática macabra e fantástica, as obras de Álvares de Azevedo costumam ser muito apreciadas pelo público gótico. Cena do episódio Macário, da série Tudo o Que Sólido Pode Derreter.
Além da poesia, sua obra compreende a prosa, críticas e estudos sobre Literatura e Civilização em Portugal, George Sand, Lucano e outros, discursos e um total de 69 cartas.
Todo o seu material, compilado entre 1848 e 1852 enquanto estudou Direito, foi publicado postumamente. Em vida, Álvares de Azevedo publicou apenas alguns poemas e discursos.
Principais obras
•••••Poemas
•••••••- Lira dos Vinte Anos (1853). Dividida em três partes, é considerada a sua obra mais expressiva)
•••••••- Livro de Frá Gondicário (1842)
•••••••- Poema do Frade (1862)
•••••••- Conde Lopo (1866)
•••••Contos
•••••Peças
• Curiosidades
•••••- O verso inscrito em seu epitáfio - Foi poeta - sonhou - e amou na vida pertence ao seu poema Lembrança de Morrer, o último da primeira parte de Lira dos Vinte Anos.
•••••- O poema Se Eu Morresse Amanhã, considerado um de seus mais significativos, foi escrito poucos dias antes de sua morte e lido em seu enterro por Joaquim Manuel de Macedo (introdutor da prosa de ficção no Romantismo e autor de A Moreninha)
•••••- Anjinho é um poema que alude à morte prematura de seu irmão Manuel Inácio, que teria acometido Álvares de Azevedo de uma febre quase fatal entre os cinco e os seis anos de idade. Teria sido este o seu primeiro contato com a morte.
•••••- Um Canto do Século, primeiro poema entre quatro não terminados de Hinos do Profeta, é quase igual a outro intitulado 12 de Setembro, com apenas algumas variações na ordem das estrofes.
•••••- O poema É ela! é ela! é ela! é ela! é um exemplo de paródia ao muitas vezes ridículo exagero do ultrarromantismo.
Fontes
Assim Se Escreve... Gramática - Assim Escreveram... Literatura, Odilon Soares Leme, Stella Maria Garrafa Serra e José Albetoni de Pinho
Spectrum Gothic
Novas Palavras - Ensino Médio 2, Emília Amaral, Mauro Ferreira, Ricardo Leite
Despedidas à...
de Álvares de Azevedo
Se entrares, ó meu anjo, alguma vez
Na solidão onde eu sonhava em ti,
Ah! vota uma saudade aos belos dias
Que a teus joelhos pálido vivi!
Adeus, minh’alma, adeus! eu vou chorando...
Sinto o peito doer na despedida...
Sem ti o mundo é um deserto escuro
E tu és minha vida...
Só por teus olhos eu viver podia
E por teu coração amar e crer,
Em teus braços minha alma unir à tua
E em teu seio morrer!
Mas se o fado me afasta da ventura,
Levo no coração a tua imagem...
De noite mandarei-te os meus suspiros
No murmúrio da aragem!
Quando a noite vier saudosa e pura,
Contempla a estrela do pastor nos céus,
Quando a ela eu volver o olhar em prantos
Verei os olhos teus!
Mas antes de partir, antes que a vida
Se afogue numa lágrima de dor,
Consente que em teus lábios num só beijo
Eu suspire de amor!
Sonhei muito! sonhei noites ardentes
Tua boca beijar eu o primeiro!
A ventura negou-me... até mesmo
O beijo derradeiro!
Só contigo eu podia ser ditoso,
Em teus olhos sentir os lábios meus!
Eu morro de ciúme e de saudade;
Adeus, meu anjo, adeus!
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A Peste Negra no Século XIV
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A peste bubônica, causada pela bactéria Yersinia pestis, passou a ser chamada de Peste Negra (ou Black Death, em inglês) a partir de meados do século XIV, em um dois mais assustadores episódios da história da humanidade. A bactéria, comum a roedores como esquilos e principalmente ratos, também pode ser transmitida através de suas pulgas (Xenopsylla cheopis), que se alimentam de seu sangue contaminado.
Hoje, sabemos que a doença leva de dois a cinco dias para se manifestar; conhecemos a sua causa e o que fazer para tratá-la. Mas, àquela época, mesmo que soubessem a origem da peste, os médicos não teriam muito o que fazer.
Durante o feudalismo medieval, a ocupação de solos inférteis devido à escassez de terras (vale lembrar que a terra era a principal riqueza desse período) já afetava a produção de alimentos e o trabalho agrícola. Com isso, os preços dispararam e a fuga dos camponeses em busca de trabalho nas florescentes cidades levou à ascensão da burguesia.
Mas as cidades medievais, embora simbolizassem a liberdade econômica e intelectual que abriu caminho para o movimento humanista, eram também o centro do problema: faltava água potável, não havia saneamento básico e o lixo acumulava-se pelas ruas, fazendo com que, em dias mais quentes, moscas e outros insetos formassem verdadeiras nuvens. O mau cheiro era insuportável e as doenças de pele, infecções e epidemias muito comuns.
• Origem
A peste negra surgiu na Mongólia em 1346 e não se sabe exatamente como ou por quê. O fato é que não demorou muito para que ela se espalhasse por todo o continente asiático: da China, onde morreram cerca de 60 milhões de pessoas, através das rotas de comércio da seda, chegou ao sul da Itália em 1347 e encontrou todas as condições favoráveis possíveis. Enfraquecida pela fome, sem defesas contra a nova doença e com as pessoas vivendo muito próximas umas às outras nas cidades, a população européia logo adoeceu.
O Enterro das Vítimas da Peste no Verão de 1349, iluminura do manuscrito de Gilles de Muisit
Além da peste bubônica, outras duas variantes da doença coexistiram: a pneumônica e a septicêmica. A pneumônica, ainda mais letal do que a bubônica, leva à morte em um ou até dois dias e é transmitida através do espirro e da tosse. O ar viciado propagava miasmas (gases tóxicos liberados pelos corpos em decomposição) e os médicos, sem saber a verdadeira causa da epidemia, recomendavam a queima de ervas aromáticas pelas ruas. Já a septicêmica, não menos terrível, ataca o sistema sanguíneo e mata por infecção generalizada muito rapidamente.
• Com a Peste no corpo
Botões (bulbos) negros, vulgarmente chamados de tumores, se espalhavam pelo pescoço, virilha e axilas e podiam crescer ou inchar até ficarem do tamanho de um ovo de galinha. Em seguida, manchas roxas ou negras - às vezes poucas, às vezes muitas - apareciam por todo o corpo do doente. Depois que os primeiros tumores apareciam as vítimas morriam em até uma semana.
Embora a grande maioria morresse após três dias sem manifestar quaisquer sintomas, sangramento nasal, dores de cabeça ou no corpo, febre alta, delírios, vertigem e, em estágios mais greves, diarreia, eram morte certa.
• Caos
Ilustração das ruas de uma Itália devastada pela Peste em 1348
O ano de 1348 foi o mais difícil para a Europa, que viu quase dois terços de sua população - mais de 25 milhões de pessoas - serem dizimados. Nas cidades, onde houve maior índice de mortalidade, multiplicavam-se as escolas: saber ler e calcular era fundamental à prática do comércio e, por mais que fosse responsável por todos os centros de ensino, as explicações da Igreja para as desigualdades sociais já não satisfaziam ninguém.
Assim, a Igreja dizia que a epidemia era um castigo, uma manifestação da ira divina contra a ascensão da classe burguesa, a usura (capitalismo, lucro financeiro) e a difusão do conhecimento. Flagelantes iam de uma região a outra em peregrinação, mutilando-se com varas e chicotes numa tentativa desesperada de agradar ao Deus que os teria amaldiçoado com a peste devido à sua falta de fé e pecados contra a Igreja.
Não foram poucas as vezes em que a histeria voltou-se contra os leprosos e os judeus, que foram acusados de envenenar os poços dos cristãos. Em Estrasburgo (França), 16 mil judeus foram massacrados. O caos era tamanho que muitos dos mortos pela peste só eram descobertos dias depois, quando os vizinhos sentiam o cheiro do cadáver em decomposição. Os corpos eram abandonados nas ruas e o maior problema era encontrar onde enterrá-los: os cemitérios estavam cheios e não havia mais madeira para fabricar os caixões.
• A Peste em números
Na Bélgica, morriam até 600 pessoas por dia. No convento de Montpellier (França), onde a higiene era precária, todos os 45 franciscanos morreram.
Só em Londres, foram mais de 80 mil mortes. Depois de 1350, a peste ainda atingiu a Inglaterra outras seis vezes. Em 1665, um novo surto aterrorizou o país e até mesmo a Universidade de Cambridge foi fechada.
• Curiosidade
A Peste Negra inspirou o italiano Giovanni Boccaccio a escrever The Decameron, onde sete homens e três mulheres fogem para o campo. Na introdução, ele narra os efeitos da epidemia na cidade de Florença em 1348.
Fontes
EyeWitness to History.com - The Black Death, 1348
Isaac Newton e Sua Maçã, Kjartan Poskitt
Nova Enciclopédia Ilustrada Ana Maria - volume 14
Desesperança
de Manuel Bandeira
Esta manhã tem a tristeza de um crepúsculo,
Como dói um pesar em cada pensamento!
Ah, que penosa lassidão em cada músculo...
O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento
Que dá medo... O ar, parado, incomoda, angustia...
Dir-se-ia que anda no ar um mau pressentimento.
Assim deverá ser a natureza um dia,
Quando a vida acabar e, astro apagado, a Terra
Rodar sobre si mesma estéril e vazia.
O demônio sutil das nevroses enterra
A sua agulha de aço em meu crânio doído.
Ouço a morte chamar-me e esse apelo me aterra...
Minha respiração se faz como um gemido.
Já não entendo a vida, e se mais a aprofundo,
Mais a descompreendo e não lhe acho sentido.
Fontes
Como dói um pesar em cada pensamento!
Ah, que penosa lassidão em cada músculo...
O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento
Que dá medo... O ar, parado, incomoda, angustia...
Dir-se-ia que anda no ar um mau pressentimento.
Assim deverá ser a natureza um dia,
Quando a vida acabar e, astro apagado, a Terra
Rodar sobre si mesma estéril e vazia.
O demônio sutil das nevroses enterra
A sua agulha de aço em meu crânio doído.
Ouço a morte chamar-me e esse apelo me aterra...
Minha respiração se faz como um gemido.
Já não entendo a vida, e se mais a aprofundo,
Mais a descompreendo e não lhe acho sentido.
Fontes
Antologia Poética - Manuel Bandeira (A Cinza das Horas)
Alucinógenos - A droga das viagens
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Alguns alucinógenos ocorrem naturalmente em árvores, videiras, folhas e fungos, como os cogumelos. Outros são feitos em laboratórios a partir da mistura de diferentes substâncias químicas, como o LSD. Drogas como a maconha e o ecstasy também podem causar efeitos alucinógenos quando usadas em grandes doses.
• Tolerância
A tolerância aos alucinógenos (precisar de doses cada vez maiores para sentir os efeitos) acontece rapidamente, e a tolerância a um tipo de alucinógeno, como o LSD, pode levar à tolerância a outros tipos, como os cogumelos. Porém, essa tolerância é reversível.
• Dependência
Não existe nenhuma evidência científica de dependência por alucinógenos. Isso talvez se deva justamente à alta indução de tolerância e reversibilidade desta. Se alguém começar a usar LSD diariamente, no segundo ou terceiro dia não terá qualquer efeito, mas se der uma semana de intervalo, voltará a sentir os efeitos da substância. Há poucas evidências de que exista dependência, abstinência e overdose por alucinógenos. Não há relatos de mortes causadas diretamente por alucinógenos, embora pessoas já tenham morrido por se envolverem em acidentes quando sob efeito da droga.
• Tolerância
A tolerância aos alucinógenos (precisar de doses cada vez maiores para sentir os efeitos) acontece rapidamente, e a tolerância a um tipo de alucinógeno, como o LSD, pode levar à tolerância a outros tipos, como os cogumelos. Porém, essa tolerância é reversível.
• Dependência
Não existe nenhuma evidência científica de dependência por alucinógenos. Isso talvez se deva justamente à alta indução de tolerância e reversibilidade desta. Se alguém começar a usar LSD diariamente, no segundo ou terceiro dia não terá qualquer efeito, mas se der uma semana de intervalo, voltará a sentir os efeitos da substância. Há poucas evidências de que exista dependência, abstinência e overdose por alucinógenos. Não há relatos de mortes causadas diretamente por alucinógenos, embora pessoas já tenham morrido por se envolverem em acidentes quando sob efeito da droga.
Os dois principais problemas do uso de alucinógenos são o risco de acidentes (muito alto, pela grande alteração da percepção do tempo e espaço e alteração do julgamento) e indução de surto psicótico (em até 2% dos casos). São bem conhecidos casos de pessoas que "foram e nunca mais voltaram" da viagem de ácido. São pessoas com pré-disposição genética. Porém não temos como saber quem tem esta pré-disposição.
• Alucinações
Os efeitos dos alucinógenos não são fáceis de prever, pois diferem de acordo com a pessoa e o momento. Os principais são mudanças na maneira de perceber as coisas por meio dos sentidos e mudanças no encadeamento dos pensamentos, o que pode incluir estranhas sensações, como a de flutuar. Algumas pessoas acham essas sensações prazerosas, enquanto outras sentem os mesmos efeitos de maneira perturbadora e desagradável.
• Alucinações
Os efeitos dos alucinógenos não são fáceis de prever, pois diferem de acordo com a pessoa e o momento. Os principais são mudanças na maneira de perceber as coisas por meio dos sentidos e mudanças no encadeamento dos pensamentos, o que pode incluir estranhas sensações, como a de flutuar. Algumas pessoas acham essas sensações prazerosas, enquanto outras sentem os mesmos efeitos de maneira perturbadora e desagradável.
Os efeitos começam cerca de uma hora após tomar a droga, tornam-se mais fortes após três ou quatro horas, durando cerca de 12 horas e incluem: experiências sensoriais intensas (como cores muito brilhantes e sons bastante agudos); mistura de sentidos, como ouvir cores e ver sons; mudança na percepção do tempo (os minutos podem parecer lentos como horas, ou a pessoa pode reviver momentos que ocorreram há tempos); os espaços ficam distorcidos; pensamentos intensos; mudanças emocionais; tremores; cansaço; sentir-se paralisado; pupilas dilatadas; náuseas ou vômitos; pressão sanguínea elevada; respiração rápida e mais profunda do que o normal e problemas de coordenação.
• Bad Trips
• Bad Trips
Às vezes os efeitos dos alucinógenos são predominantemente negativos, o que é comum no primeiro uso: são as chamadas bad trips (más viagens, em inglês). Os efeitos incluem: ansiedade extrema ou medo; alucinações assustadoras; pânico; medo de perder o controle ou de ficar louco e paranóia.
É perigoso misturar alucinógenos com drogas como álcool ou anfetamina, pois os efeitos das duas podem aumentar de maneira imprevisível.
• LSD
• LSD
Também chamado de ácido, doce, AC e Antônio Carlos, o LSD é um poderoso alucinógeno, que pode produzir significativas mudanças na percepção, humor e pensamento. Apenas uma pequena quantidade é suficiente para causar alucinações visuais e distorções, experiência conhecida como trip. A cartela picotada é o formato mais encontrado no Brasil. Outras apresentações possíveis são os comprimidos (micropontos), formas grafitosas e gelatinosas. As sensações desagradáveis incluem medo, ansiedade e depressão e até mesmo os usuários mais experientes podem ter bad trips.
Pouco se sabe sobre esses efeitos, mas a droga pode estar relacionada com um risco maior de aborto. O uso de LSD no ano que antecede a concepção, tanto pela mulher como pelo homem, pode estar associado a má-formações congênitas.
• Os cogumelos alucinógenos
• Os cogumelos alucinógenos

Os cogumelos capazes de produzir viagens alucinógenas são de difícil identificação. Há quatro gêneros: Psilocibe, Panaeolus, Copelandia e Amanita. Os dois primeiros gêneros são encontrados no Brasil.
Os cogumelos do gênero Amanita, em especial o Amanita muscaria, são os mais conhecidos. Eles possuem um aspecto colorido e psicodélico bastante característico. É o mais relacionado aos cogumelos alucinógenos pelo público em geral. O efeito é semelhante ao LSD, geralmente mais brando e de duração mais curta. Há alterações na percepção, principalmente de caráter visual e auditivo, além de aceleração e desorganização do pensamento. O humor pode variar de situações de grande euforia a quadros de extremo mal-estar, marcados por tristeza e medo. Falhas na avaliação da realidade por vezes podem produzir sintomas paranóicos (mania de perseguição), usualmente momentâneos e restritos ao período da intoxicação. A ingestão de cogumelos errados pode causar intoxicações graves e até mesmo fatais.
• Conseqüências de longo prazo
• Conseqüências de longo prazo
Cérebro - Flashbacks, ou seja, períodos em que a pessoa sente os efeitos da droga voltarem. Podem acontecer após dias, semanas ou anos, e incluem alucinações visuais. Podem durar alguns minutos e serem perturbadores. Os flashbacks podem ser desencadeados pelo uso de outras drogas, cansaço ou exercício físico. Em algumas pessoas pode aumentar o risco de problemas mentais.
Fontes
Revista Galileu. Edição 187, fevereiro de 2007
Desenganos da vida humana metaforicamente
de Gregório de Matos
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É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.
É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.
É nau enfim, que, em breve ligeireza,
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:
Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?
Fontes
Dark Pictures
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É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.
É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.
É nau enfim, que, em breve ligeireza,
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:
Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?
Fontes
Dark Pictures
Adolf Hitler
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• Biografia
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Nascido em 1889 na cidade austríaca de Braunau am Inn (Alta Áustria), Adolf Hitler era filho de Alois Hitler, funcionário aduaneiro. Sua mãe, Klara Hitler era prima de seu pai e foi até a casa de Alois para cuidar de sua mulher, que já se apresentava adoentada e prestes a morrer. Depois de enviuvar-se, Louis decidiu casar-se com Klara. Para isso, teve que pedir permissão à Igreja Católica, que só liberou o casamento depois da gravidez de Klara.
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Do matrimônio de Louis e Klara nasceram dois filhos: Adolf e Paula. Durante os primeiros anos de sua juventude, Adolf era conhecido como um rapaz inteligente e mal-humorado. Na adolescência, foi duas vezes reprovado no exame de admissão da Escola de Linz. Nesse mesmo período começou a formular suas primeiras idéias de caráter anti-semita, sendo fortemente influenciado por um professor chamado Leopold Poetsch.
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A relação de Hitler com seus pais era bastante ambígua. À mãe dedicava extremo carinho e dedicação. Com o pai tinha uma relação conflituosa, marcada principalmente pela oposição que Louis fazia ao interesse de Adolf pelas artes e arquitetura. Frustrado com o insucesso na seqüência de seus estudos, Hitler mudou-se para Viena, aos 21 anos, vivendo de pequenos expedientes. Vivendo em condições precárias, mudou-se para Munique quando tinha 25 anos de idade.
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Com a explosão da Primeira Guerra Mundial, decidiu alistar-se voluntariamente no Exército Alemão, incorporando o 16º Regimento de Infantaria Bávaro. Lutando bravamente nos campos de batalha, conquistou condecorações por bravura durante sua atuação militar e recomendações de um superior de origem judaica. Depois de se recuperar de uma cegueira temporária, voltou para Munique trabalhando no departamento de imprensa e propaganda do Quarto Comando das Forças Armadas.
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Em 1919, depois de presenciar a derrota militar alemã, filiou-se a um pequeno grupo político chamado Partido Trabalhista Alemão.
Utilizando seus grandes dotes oratórios, Hitler começou a angariar a adesão de novos partidários e propôs a mudança do partido para o nome de Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. A renovação do nome acompanhou a criação de uma nova simbologia ao partido - uma bandeira vermelha com uma cruz gamada - e a incorporação de milícias comprometidas a defender o ideal do partido.
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Dois anos depois de integrar o partido, Hitler tornara-se chefe supremo do Partido Nazista (contração do termo alemão Nationalsozialist). Agrupado a um pequeno grupo de partidários, Hitler esboçou um golpe político que foi contido pelas autoridades alemãs. No ano de 1923, foi condenado a cinco anos de prisão, dos quais só cumpriu apenas oito meses. Nesse meio tempo, escreveu as primeiras linhas de sua obra, um misto de autobiografia e manifesto político, chamada Mein Kampf (em alemão, Minha Luta).
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Liberto, resolveu remodelar as diretrizes de seu partido incorporando diretrizes do fascismo, noções de disciplina rígida e a formação de grupos paramilitares. Adotando uma teoria de cunho racista, Hitler dizia que o povo alemão era descendente da raça ariana, destinada a empreender a construção de uma nação forte e próspera. Para isso deveriam vetar a diversidade étnica em seu território, que perderia suas forças produtivas para raças descomprometidas com os arianos.
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Depois de aniquilar dissidentes no interior do partido, na chamada Noite dos Longos Punhais, Hitler começou a colocar em prática o conjunto de medidas defendidas por ele e o partido nazista. Organizando várias intervenções na economia, com os chamados Planos Quadrienais, Hitler conseguiu ampliar as frentes de trabalho e reaquecer a indústria alemã. A rápida ascensão econômica veio seguida pela ampliação das matérias primas e dos mercados consumidores. Foi nesse momento que a teoria do Espaço Vital fora colocada em prática.
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Hitler, tornando-se um grande líder carismático e ardoroso estrategista, impôs à Europa as necessidades do Estado nazista. Depois de exigir o domínio da região dos Sudetos e assinar acordos de não-agressão com os russos, o governo nazista tinha condições plenas de pôr em prática seu grande projeto expansionista. Com o início da Segunda Guerra, Hitler obteve grandes vitórias que pareciam lhe garantir o controle de um amplo território: suas profecias pareciam se cumprir.
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Somente após a invasão à Rússia e a entrada dos EUA no conflito, a dominação das forças nazistas pôde ser revertida. A vitória dos Aliados entre 1943 e 1944 colocou Hitler em uma situação extremamente penosa. Resistindo à derrota, Hitler resolveu refugiar-se em seu bunker, em Berlim. Himmler, um dos generais da alta cúpula nazista, tentou assinar um termo de rendição sem o consentimento de Adolf Hitler. O acordo foi rejeitado pelos Aliados, que continuaram a atacar as tropas alemãs.
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Indignado, Hilter resolveu substituir Himmler pelo comandante Hermann Gering, que logo pediu para assumir o governo alemão. Irritado com seus comandados, em um último ato, Hilter nomeou Karl Doenitz como presidente da Alemanha e Joseph Goebbeles, chanceler. Em 30 de abril de 1945, sem oferecer nenhum tipo de resistência militar, Goebbeles, Hitler e sua esposa, Eva Braun, suicidaram-se.
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Fontes
Brasil Escola
O Pensamento
Cogito, ergo sum
(Penso, logo existo)
René Descartes
Auto-retrato em espelho esférico, de M. C. Escher
Para a ciência, o pensamento é uma corrente elétrica produzida pelos neurônios (células cerebrais) através de um ciclo complexo chamado sinapse. Já para a filosofia, o pensamento é a maneira com que o espírito parece sair de dentro de si e percorrer o mundo para conhecê-lo.
Essência do "caniço pensante", expressão que Blaise Pascal utilizou para referir-se ao homem, o pensamento é uma atividade solitária e invisível que, embora precise ser proferida para ser compartilhada, traduz-se em sinais corporais que a tornam menos secreta do que se poderia supor.
O pensamento é fruto do trabalho da inteligência, que, por sua vez, difere do instinto e do hábito devido à sua capacidade de análise e compreensão. Além de pôr em movimento memória, percepção e imaginação, o pensamento exprime a existência do ser humano como ser racional, capaz de conhecimentos abstratos e intelectuais e de dar a si mesmo leis e princípios a fim de alcançar a verdade.
• A necessidade do método
Operário da consciência, o pensamento elabora teorias (explicações) e cria métodos na busca pelo conhecimento. O método (do grego methodos, onde meta = por meio de; e hodos - caminho) é, portanto, o regulador do pensamento e conduz à descoberta de uma verdade até então desconhecida.
A necessidade do método provém do fato de que o erro, a ilusão e a mentira rondam o conhecimento e interferem no pensamento. Para Platão, discípulo de Sócrates, o melhor método era aquele que, através do diálogo e da discussão racional, libertava o pensamento dos chamados conhecimentos sensíveis, ou seja, das crenças e aparências.
Aristóteles foi o primeiro a dizer que, ao lado de um método geral que todo e qualquer conhecimento deveria seguir, figuravam outros métodos particulares e específicos. Galileu Galilei e René Descartes julgaram, entretanto, que um único método (o matemático, no caso), chamado mathesis universalis, era válido para todos os campos do conhecimento. Até o século XIX, a única diferença era que filósofos e cientistas achavam que este método universal deveria ser aquele empregado pelas ciências da natureza, e não o matemático.
• O método de cada campo
Foi apenas a partir do século XX, com a fenomenologia de Edmund Husserl e a corrente do estruturalismo, que passou-se a considerar que cada campo do conhecimento deveria ter seu próprio método.
•••••Ciências exatas ou matemáticas - utilizam-se do método dedutivo ou axiomático, que tem como ponto de partida um conjunto de termos primitivos e indemonstráveis que não precisam ser provados - os chamados axiomas.
•••••Ciências naturais - empregam o método indutivo, também chamado experimental ou hipotético por basear-se em testes e observações.
•••••Ciências humanas - têm como base o método compreensivo ou interpretativo, que busca analisar o comportamento e as práticas dos seres humanos.
•••••Filosofia - atualmente, a filosofia faz uso de quatro diferentes métodos intimamente ligados entre si:
•••••••- método reflexivo - parte da autoanálise do pensamento;
•••••••- método crítico - investiga os fundamentos da arte, da ética e da política;
•••••••- método descritivo - descreve a essência das ações humanas e a estrutura interna dos objetos;
•••••••- método interpretativo - busca a origem, as transformações e o sentido das coisas.
• Pensamento mítico e Pensamento lógico
A filosofia dos séculos XVIII e XIX afirma que do mito à lógica há uma evolução do espírito humano. Para a Filosofia da Ilustração e o positivismo, o pensamento mítico é o resquício de uma fase primitiva da evolução da humanidade que tende a desaparecer com o avanço da racionalidade - colocando, assim, o mito como característica de culturas inferiores e a lógica como pertencente a sociedades superiores e civilizadas.
Hoje, sabemos que esta é uma concepção equivocada e que tanto o pensamento mítico quanto o pensamento lógico (também chamado de conceitual) podem coexistir em uma mesma sociedade. Estudos neurológicos, anatômicos e fisiológicos mostram que o cérebro humano está dividido em dois hemisférios: em um deles estão localizados a linguagem e o pensamento simbólicos, que tendem ao maravilhoso e à imaginação, enquanto o outro é responsável pela linguagem e pensamento conceituais.
Fontes
Filosofia e Sociologia, Marilena Chaui e Pérsio Santos de Oliveira
Revista Superinteressante, janeiro de 1996
Curiosidades sobre Isaac Newton
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Na verdade, a maçã que caiu na cabeça de Newton e inspirou todo o seu trabalho não passa de uma lenda.
•••••••- O nascimento de Isaac em 25 de dezembro de 1642 (mesmo ano da morte do italiano Galileu Galilei) foi tão prematuro que seu pequenino corpo poderia caber dentro de uma jarra de meio litro. O médico acreditava que o bebê não tinha esperança de vida, mas, lutando contra todas as expectativas, Isaac chegou aos 84 anos e permaneceu lúcido até sua morte em 1727.
•••••••- Isaac estava entre os piores alunos das classes de grego e latim da escola de gramática Rei Eduardo VI, em Grantham (Inglaterra).
•••••••- Tinha mania de vermelho, tanto que chegou a desenvolver uma receita para tinta vermelha feita à base de sangue de carneiro. Durante os 20 anos em que morou com Isaac, seu amigo John Wickins precisou conviver com cadeiras, camas, almofas, cortinas e tudo vermelho.
•••••••- Trabalhava sempre sozinho, tinha um gênio dos diabos, não suportava críticas e nem a idéia de ficar famoso. Anotava suas descobertas em um caderninho e não as dividia com quase ninguém.
•••••••- Quando desenvolveu o teorema do binômio (utilizado para cálculos precisos de logaritmos), deixou-se entusiasmar por sua descoberta e trabalhou com números de até 55 casas decimais.
•••••••- Em 1669, assumiu o cargo de professor lucasiano da Universidade de Cambridge. Ainda hoje este é um dos cargos mais respeitados em todo o mundo, e desde que foi criado em 1663, só houve 17 professores que o ocuparam - todos eles geniais de alguma maneira. O atual professor lucasiano é o brilhante físico Stephen Hawking, que luta contra uma doença degenerativa que acabará por levá-lo à morte enquanto tenta explicar o surgimento do Universo.
•••••••- Isaac falou para salas vazias durante quase 20 anos. Os alunos se retivaram de suas aulas e não pareciam muito interessados em ouvir suas teorias sobre como as coisas funcionavam.
•••••••- Isaac levou praticamente duas décadas para aperfeiçoar nos mínimos detalhes os seus cálculos sobre a gravidade. Durante um bom tempo, ele simplesmente perdeu a paciência e os deixou de lado.
•••••••- Para entender como a visão funciona, espetou um palito pontudo abaixo do globo ocular e o enfiou o mais fundo que pôde - o que o fez enxergar círculos coloridos e se perguntar de onde vinham as cores. Em outra de suas experiências, passou horas olhando diretamente para o sol a fim de descobrir o efeito produzido. Como resultado, ele quase ficou cego e precisou passar dias em um quarto escuro para recuperar a visão.
•••••••- Em 1668, deixou uma mistura alquímica no fogo e foi à igreja. De alguma maneira, as chamas atingiram os papéis e produtos espalhados por seu laboratório e reduziram anotações de experiências, um volumoso livro sobre a luz - que estaria sendo preparado para calar a boca dos críticos - e toda a sua casa a cinzas.
•••••••- O físico Robert Hooke foi o principal crítico das obras de Newton sobre ótica, que iam contra os princípios de René Descartes - os quais Hooke considerava corretos. Tempos após muitas discussões, Isaac escreveu a Hooke: Descartes deu um passo importante. O senhor fez vários progressos (...) Se enxerguei mais longe, foi por ter subido nos ombros de gigantes. Mas acontece que Hooke era baixinho e fisicamente deformado. Ou seja: essa foi a maneira cruel e muito sarcástica que Newton encontrou para agradecer a todos os pensadores desde a Antiguidade, menos Hooke.
•••••••- Em 1696, assumiu o cargo de inspetor da Moeda. A economia inglesa estava prestes a ruir devido à descontrolada falsificação: a cada cinco moedas, uma era falsa. Os outros países da Europa começavam a recusar a moeda e todas as libras correntes precisavam ser recunhadas. Além de dificultar a falsificação criando uma nova família de moedas, o próprio Newton percorreu as favelas de Londres atrás dos falsários. E, apesar de estar sempre acompanhado por dois guardas armados, o que realmente assustava os interrogados era o seu ar de poucos amigos.
•••••••- Assim que Robert Hooke - secretário da Royal Society - morreu, em 1703, Isaac aceitou o cargo que antes havia recusado de presidente da sociedade científica. A primeira coisa que fez foi retirar o retrato de Hooke da parede e queimá-lo.
•••••••- Mesmo após a morte do matemático Leibniz, que roubou a sua não divulgada teoria sobre o cálculo diferencial para publicá-la em seu nome, Isaac nunca perdeu a chance de escrever algo perverso sobre ele.
•••••••- Ao que parece, Isaac Newton morreu virgem.
Fontes
Isaac Newton e Sua Maçã, Kjartan Poskitt
Quero escrever o borrão vermelho de sangue
de Clarice Lispector
Quero escrever o borrão vermelho de sangue
com as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam
pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
não dei.
Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.
Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.
Quero escrever o borrão vermelho de sanguecom as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam
pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
não dei.
Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.
Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.
Soneto XIX
de Mário Quintana
Minha morte nasceu quando eu nasci.
Despertou, balbuciou, cresceu comigo...
E dançamos de roda ao Luar amigo
Na pequena rua em que vivi.
E dançamos de roda ao Luar amigo
Na pequena rua em que vivi.
Já não tem mais aquele jeito antigo
De rir, e que, ai de mim, também perdi!
Mas inda agora a estou sentindo aqui,
Grave e boa, a escutar o que lhe digo:
Tu és minha doce Prometida,
Nem sei quando serão as nossas bodas,
Se hoje mesmo... ou no fim da longa vida...
E as horas lá se vão, loucas ou tristes...
Mas é tão bom, em meio às horas todas,
De rir, e que, ai de mim, também perdi!
Mas inda agora a estou sentindo aqui,
Grave e boa, a escutar o que lhe digo:
Tu és minha doce Prometida,
Nem sei quando serão as nossas bodas,
Se hoje mesmo... ou no fim da longa vida...
E as horas lá se vão, loucas ou tristes...
Mas é tão bom, em meio às horas todas,
Pensar em ti... saber que tu existes!
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Os Sete Pecados Capitais
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Os conceitos incorporados aos sete pecados capitais tratam-se de uma classificação de condições humanas conhecidas atualmente como vícios que é muito antiga e precede o surgimento do cristianismo mas que foi usada mais tarde pelo catolicismo com o intuito de controlar, educar, e proteger os seguidores, de forma a compreender e controlar os instintos básicos do ser humano. O que foi visto como problema de saúde pelos antigos gregos como, por exemplo, a depressão (melancolia, ou tristetia), foi transformado em pecado pelos grandes pensadores da Igreja Católica.
• Gula
É o desejo insaciável, além do necessário, em geral por comida, bebida ou substâncias tóxicas. Para algumas denominações cristãs, é considerado um dos sete pecados capitais. Segundo tal visão, esse pecado também está relacionado ao egoísmo humano: querer ter sempre mais e mais, não se contentando com o que já tem, é uma forma de cobiça. Ela seria controlada pelo uso da virtude da temperança. Entretanto, a gula não é considerada um pecado universalmente; dependendo da cultura, ela pode ser vista como um sinal de status.
• Avareza
É o apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro, priorizando-os e deixando Deus em segundo plano. É considerado o pecado mais tolo por se firmar em possibilidades. Na concepção cristã, a avareza é considerada um dos sete pecados capitais, pois o avarento prefere os bens materiais ao convívio com Deus. Neste sentido, o pecado da avareza conduz à idolatria, que significa tratar algo, que não é Deus, como se fosse Deus.
• Luxúria
A luxúria (do latim luxuriae) é o desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material. Também pode ser entendido em seu sentido original: “deixar-se dominar pelas paixões”. Segundo a doutrina católica, é um dos sete pecados capitais e consiste no apego aos prazeres carnais, corrupção de costumes, sexualidade extrema, lascívia e sensualidade.
• Ira
É um intenso sentimento de raiva, ódio e rancor - um conjunto de fortes emoções e vontade de agressão geralmente derivada de causas acumuladas ou traumas. Pode ser visto como uma cólera ou um sentimento de vingança, ou seja, uma vontade frequentemente tida como incontrolável dirigida a uma ou mais pessoas por qualquer tipo de ofensa ou insulto.
• Vaidade ou Soberba
Para a Igreja Católica, a soberba é um dos sete pecados capitais, sendo o mesmo pecado associado ao orgulho excessivo, à arrogância e à vaidade.
• Inveja
É um dos sete pecados capitais na tradição Católica. É considerada pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bênçãos e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual. É o desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue. O invejoso ignora tudo o que é e possui para cobiçar o que é do próximo.
• Preguiça
A Igreja Católica apresenta a preguiça como um dos sete pecados capitais caracterizado pela pessoa que vive em estado de falta de capricho, esmero, empenho, em negligência, desleixo, morosidade, lentidão e moleza, de causa orgânica ou psíquica, que a leva à inatividade acentuada. Aversão ao trabalho, frequentemente associada ao ócio e à vadiagem.
Fontes
Sistinas
Mais luz!
de Antero de Quental
Amem a noite os magros crapulosos,
E os que sonham com virgens impossíveis,
E os que se inclinam, mudos e impassíveis,
À borda dos abismos silenciosos...
Tu, Lua, com teus raios vaporosos,
Cobre-os, tapa-os e torna-os insensíveis,
Tanto aos vícios cruéis e inextinguíveis
Como aos longos cuidados dolorosos!
Eu amarei a santa madrugada,
E o meio-dia, em vida refervendo,
E a tarde rumorosa e repousada.
Viva e trabalhe em plena luz: depois,
Seja-me dado ainda ver, morrendo,
O claro Sol, amigo dos heróis!
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Amem a noite os magros crapulosos,
E os que sonham com virgens impossíveis,
E os que se inclinam, mudos e impassíveis,
À borda dos abismos silenciosos...
Tu, Lua, com teus raios vaporosos,
Cobre-os, tapa-os e torna-os insensíveis,
Tanto aos vícios cruéis e inextinguíveis
Como aos longos cuidados dolorosos!
Eu amarei a santa madrugada,
E o meio-dia, em vida refervendo,
E a tarde rumorosa e repousada.
Viva e trabalhe em plena luz: depois,
Seja-me dado ainda ver, morrendo,
O claro Sol, amigo dos heróis!
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Hão de chorar por ela os cinamomos...
de Alphonsus de Guimaraens
Hão de chorar por ela os cinamomos,
Murchando as flores ao tombar do dia.
Dos laranjais hão de cair os pomos,
Lembrando-se daquela que os colhia.
As estrelas dirão: - "Ai! nada somos,
Pois ela se morreu silente e fria..."
E pondo os olhos nela como pomos,
Hão de chorar a irmã que lhes sorria.
A lua, que lhe foi mãe carinhosa,
Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la
Entre lírios e pétalas de rosa.
Os meus sonhos de amor serão defuntos...
E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,
Pensando em mim: - "Por que não vieram juntos?"
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Murchando as flores ao tombar do dia.
Dos laranjais hão de cair os pomos,
Lembrando-se daquela que os colhia.
As estrelas dirão: - "Ai! nada somos,
Pois ela se morreu silente e fria..."
E pondo os olhos nela como pomos,
Hão de chorar a irmã que lhes sorria.
A lua, que lhe foi mãe carinhosa,
Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la
Entre lírios e pétalas de rosa.
Os meus sonhos de amor serão defuntos...
E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,
Pensando em mim: - "Por que não vieram juntos?"
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Vaticano
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Único Estado do mundo a ter seus portões abertos e fechados diariamente e também o menor, o Vaticano é a residência oficial do papa. Ocupa um quarteirão de 0,44 km² no centro de Roma e não é muito maior do que uma fazenda de médio porte.
Originalmente, Vaticano era o deus romano que "abria a boca do recém-nascido para que ele pudesse dar o seu primeiro grito, o primeiro choro", e também designava uma das sete colinas de Roma, onde erguia-se o Circo de Nero - arena construída pelo imperador Calígula e onde muitos mártires cristãos foram executados, entre eles o apóstolo São Pedro. De qualquer maneira, o termo latino vaticanus está relacionado à palavra profecia - no caso, Colina da Profecia.
• História
Bandeira do Vaticano
Desde o império de Carlos Magno (século IX) e durante quase mil anos, os papas católicos reinaram soberanos em praticamente todos os países da Península Itálica. Mas em 1870 (fim do século XIX), com a unificação italiana, as tropas do rei Vittorio Emmanuel II invadiram Roma e anexaram a cidade ao novo país que surgia.
O papado, que não reconheceu a unificação, considerou-se prisioneiro e a questão só foi resolvida durante o fascismo italiano em 1929, quando o ditador Benito Mussolini e o papa Pio XI assinaram o Tratado de Latrão. Além de reconhecer a soberania da Santa Sé - que representa todos os setores da Igreja -, o governo pagou ao Vaticano 1,75 bilhão de liras pelas terras tomadas.
• O Estado
Os portões do Vaticano são abertos e fechados diariamente pelos soldados com o tradicional uniforme da Guarda Suíça
Símbolo do poder da Igreja Católica, o Stato della Città del Vaticano, em italiano - ou Civitas Urbis Vaticanis, em latim -, é uma monarquia onde o papa é o chefe religioso, executivo, judiciário e também legislativo. Seu idioma oficial é o latim e sua moeda é o euro.
Com uma população que não chega a mil habitantes, o Vaticano mantém relações diplomáticas com mais de 170 países e abriga apenas membros da Igreja e de sua guarda. Não há políticos ou militares.
Entre eles, estão cerca de 150 mulheres e 110 soldados - incluindo os da Guarda Suíça. Todos eles devem ser jovens entre 20 e 25 anos, católicos praticantes, solteiros e possuir ensino superior ou curso profissionalizante. Os salários são baixos e não há pagamento de impostos.
A Fábrica de São Pedro, que funciona como uma espécie de prefeitura, cuida da manutenção dos edifícios e da limpeza das ruas. Toda a renda do Estado provém do turismo, de donativos e dos investimentos de capital. Como qualquer outro país, o Vaticano tem direito (não exercido) a um exército e uma esquadra sob sua bandeira.
Os museus do Vaticano recebem cerca de 3 milhões de visitantes por ano, especialmente a atual Basílica de São Pedro (a original foi demolida por má conservação) e os afrescos inovadores, mais ainda ligados às tradições de Michelangelo no teto da Capela Sistina (onde normalmente acontece o Conclave), representando cenas do Velho Testamento.
Fontes
Nova Enciclopédia Ilustrada Ana Maria - volume 12
Renúncia
de Manuel Bandeira

Chora de manso e no íntimo... procura
Tentar curtir sem queixa o mal que te crucia:
O mundo é sem piedade e até riria
Da tua inconsolável amargura.
Só a dor enobrece e é grande e é pura.
Aprende a amá-la que a amarás um dia.
Então ela será tua alegria,
E será ela só tua ventura...
A vida é vã como a sombra que passa
Sofre sereno e de alma sombranceira
Sem um grito sequer tua desgraça.
Encerra em ti tua tristeza inteira
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua doce e constante companheira...
.

Chora de manso e no íntimo... procura
Tentar curtir sem queixa o mal que te crucia:
O mundo é sem piedade e até riria
Da tua inconsolável amargura.
Só a dor enobrece e é grande e é pura.
Aprende a amá-la que a amarás um dia.
Então ela será tua alegria,
E será ela só tua ventura...
A vida é vã como a sombra que passa
Sofre sereno e de alma sombranceira
Sem um grito sequer tua desgraça.
Encerra em ti tua tristeza inteira
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua doce e constante companheira...
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A Lucidez Perigosa
de Clarice Lispector

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.
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Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.
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