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Alimentação na Idade Média



História do grande Alexandre. Século XV.

O período de compreende a Idade Média vai da que queda do Império Romano do Ocidente (Roma, em 476 d.C.) à tomada do Império Romano do Oriente (Constantinopla, em 1453 d.C.). Foram dez séculos marcados pela exploração do trabalho servil, pelo teocentrismo e pelo desenvolvimento da classe burguesa.

Para o historiador italiano Massimo Montanari, especialista em história da alimentação medieval, a comida era a primeira oportunidade para as camadas dominantes da sociedade manifestarem sua superioridade. Em uma época de grande crescimento demográfico por todos os países da Europa, ter comida em abundância era uma situação de privilégio.

• Alimentação da nobreza


Livro de Caça. Iluminura do início do século XV.
A refeição era feita sem garfos. As aves eram desossadas
com as mãos e cortadas com o auxílio de uma pinça.

De início, o soberano medieval era um homem que deveria, obrigatoriamente, comer muito. Uma narrativa do século IX conta que o duque Guido di Spoleto foi rejeitado como rei dos francos porque se contentava com uma refeição modesta.
Nos brasões das famílias nobres predominavam animais carnívoros como o leão, o urso e o lobo. Durante a Idade Média, a carne caracterizou-se como alimento típico do homem (isto é, das camadas abastadas da sociedade). Comer carne significa matar animais e simular as práticas da guerra: é a ela que o nobre caçador deve sua força e o comando.

Com o passar do tempo, na Baixa Idade Média, comer muito passou a ser um direito adquirido por via hereditária, mas não necessariamente uma obrigação. A mesa medieval assumia um caráter aritmético, onde mais comida significa maior posição social. Em 1344, Pedro IV de Aragão escreve que "Uma vez que, no serviço, é justo que algumas pessoas sejam honradas mais que outras, de acordo com a condição de seu estado, queremos que em nossa travessa seja colocada comida para oito pessoas." Comida para seis era servida para príncipes, arcebispos e bispos; para quatro, outros prelados e cavalheiros que se sentassem à mesa do rei.

Carne, ovos, queijo, pão de trigo e vinho são essenciais à mesa da nobreza. Os peixes eram reservados para os dias de penitência religiosa. Frutas e legumes eram raros, e os médicos recomendavam que seu consumo fosse restrito. O único doce era o mel, produto de luxo de origem muçulmana.

• Alimentação do clero

As doações post obitum (isto é, após a morte), o dízimo e as esmolas provenientes de todas as camadas sociais constituíam a base da propriedade da igreja. Com estes recursos, os religiosos integravam uma poderosa elite.

O gosto pelos pratos abundantes e o apego material eram duramente criticados. "O cavaleiro se torna monge e de pobre fica rico", ironiza um cônego francês em 1080.
Durante a quaresma, os monges se reuniam para uma refeição em dias de trabalho e para duas em dias de festa. O almoço acontecia por volta do meio dia e era constituído por dois pratos quentes (uma sopa e um guisado, ambos de legumes).

• Alimentação do camponês


Tacuinum sanitatis. Sul da Alemanha, século XV.
Poucas pessoas à mesa, sobre a qual estão o pão e o vinho.
Os utensílios são de ferro e madeira.

Reconstituir os hábitos alimentares dos camponeses é um tarefa difícil, uma vez que não existem relatos diretos. Como o direito à caça e à exploração de terras era cada vez mais exclusivo dos senhores feudais, a carne aos poucos desaparece da mesa camponesa e o cereal passa a ser seu principal componente.
Em 1268, em Beaumont-le-Roger (França), a ração de um casal sujeito à corveia - pagamento através de trabalhos realizados nas terras senhoriais - era de dois pães pequenos (cerca de 2 kg), um galão de vinho (4 litros), meia libra de carne (200 g) ou ovos e um alqueire de ervilhas (cerca de 13 litros). Para muitos, se beneficiar com o alimento oferecido pelo senhor era um privilégio.

Em raras ocasiões, como as grandes festas litúrgicas, os camponeses melhoravam suas refeições para compensar os dias de penitência. Outro tipo de situação eram os banquetes funerários. Após a cerimônia, familiares e membros do clero que a ela haviam assistido se reuniam na casa do falecido para uma refeição que simbolizava a coesão da comunidade após a partida de um de seus membros. Em 1193, um camponês destinou dois porcos, dois carneiros, um tonel de vinho e uma parte de seu trigo e milho para a realização de seu banquete.

• A mesa medieval

De acordo com um ditado medieval, a família camponesa definia sua identidade através da mesa: Vivere a uno pane e a uno vino (Viver como um só pão e um só vinho). Analogamente, o banquete real era um instrumento de união ao redor do chefe.
Os lugares, entretanto, nunca eram escolhidos ao acaso. Ser colocado em uma posição considerada inferior era motivo de protesto. Segundo uma novela do século XV, ao apresentar-se modestamente vestido como poeta, Dante Alighieri não foi reconhecido pela corte e foi acomodado na extremidade da mesa. Ao retornar bem vestido, foi bem colocado e não hesitou em satirizar o acontecimento, lambuzando propositadamente suas roupas com a comida servida.

A mesa medieval era retangular - forma mais adequada para definir distâncias e relações. Em dias comuns, os pratos eram de cerâmica, cobre ou madeira nobre, assim como os talheres e outros utensílios. A louça feita em metais preciosos era guardada para os grandes banquetes.

Nos séculos XII e XIII surgiram os primeiros manuais de boas maneiras para ensinar aos pequenos nobres como se comportar à mesa. Exclusivamente voltados à nobreza, todos eles retratam o camponês como alguém rude que não conhece as regras.

• Ideal estético

A arte, da Antiguidade ao Renascimento, e as expressões linguísticas medievais indicam que o ideal estético era representado pelo corpo robusto, considerado sinal de beleza, riqueza e bem-estar. A rica burguesia de Florença (Itália), por exemplo, definia a si mesma como "povo gordo" para celebrar seu triunfo político e econômico. O jejum e a cultura da magreza só eram aceitos em caso de penitência religiosa ou quando a intenção era granjear a santidade.

• Fome na Idade Média

Durante a Idade Média, as doenças carenciais - como a diarreia crônica por falta de minerais - são a segunda moléstia mais letal, perdendo apenas para as infecções.

Fome, epidemia e guerra: os três flagelos contra os quais se pedia a proteção divina. Mas o medo da fome não era uma característica exclusiva da Idade Média. Vencer as dificuldades impostas pelo tempo e pelo espaço para obter variedade e abundância sobre a mesa sempre foi uma obsessão do homem.
Atualmente, a função básica do alimento - saciar a fome - passou para segundo plano em detrimento do que o consumo daquele determinado alimento significa. Exemplo disso, como aponta Montanari, é o café: embora seja uma bebida estimulante, está associado à pausa entre dois períodos de trabalho. Na Idade Média, pelo contrário, o que importava era a quantidade.

• Curiosidades

- A cor do pão, alimento central da dieta camponesa, era indicador de condição social: enquanto os nobres comiam pão branco, feito de trigo, os camponeses comiam pães de cevada, centeio e outros grãos misturados.

- As especiarias pelas quais os europeus atravessaram oceanos durante as Grandes Navegações dos séculos XV e XVI eram, na verdade, produtos terapêuticos. Em 1607, Le Thresor de Santé (O Tesouro da Saúde) enumera as propriedades da pimenta-do-reino: mantém a saúde, conforta o estômago, cura calafrios de febres intermitentes e aborta os fetos mortos.

- Na Idade Média, a digestão era entendida como um processo de cozimento, onde o calor animal atua como principal responsável pela degradação dos outros alimentos. As carnes, portanto, eram temperadas com especiarias e ervas aromáticas que facilitariam a sua absorção.

Fontes
História da alimentação, Jean-Louis Flandrin e Massimo Montanari
Comida como cultura, Massimo Montanari

Anarquismo



Muitos acreditam que a expressão anarquia tem a ver com evento, lugar ou qualquer outra organização carente. Entretanto, o termo não se baseia nisso. As teorias que integram o pensamento anarquista estão ligadas às ideias libertárias, ou seja, ao fato de viver sem governo – o que foi estabelecido logo depois que as contradições e injustiças do sistema capitalista se mostraram visíveis, durante o século XVIII.
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Um dos percursores do anarquismo, foi William Godwin (1756-1836), que já naquela época propunha um novo tipo de arranjo social para que as pessoas não se sentissem obrigadas a serem subordinadas e seguirem à força aquilo que era determinado pelo governo. 
Com o passar de certo tempo, novos pensadores surgiram, reforçando a linhagem do pensamento de ser livre; em geral, todos eles tentaram trilhar caminhos que pudessem conceber uma sociedade plenamente sem leis, mas podemos dizer que um dos principais idealizadores do anarquismo foi o teórico Pierre-Joseph Proudhon, que escreveu a obra Que é a propriedade? em 1840.

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O anarquismo pode ser definido como uma doutrina, um conjunto de princípios políticos, sociais e culturais que defende o fim de qualquer forma de autoridade e dominação, seja ela política, econômica, social ou religiosa. 
Em um básico resumo: os anarquistas defendem uma sociedade baseada na liberdade total, porém responsável, sem a incorporação de ações violentas. Sendo assim, os anarquistas acreditavam que todas as instituições que possuíam poderes sobre a população, impediam o alcance da total liberdade, incluindo, além do Estado, igrejas e muitos outros costumes também são criticados, pela chance de domínio que eles têm para com as pessoas.
Dessa forma, a existência de classes sociais seria consequentemente abolida, pois estas mesmas seriam combatidas por meio da extinção de propriedades privadas.

Em uma nova sociedade, na qual não existiria Estado, a produção e o gerenciamento da riqueza seriam estipulados por meio de ações coorporativas, ou seja, seria de igual para igual e todos teriam a oportunidade de conquistar uma vida no mínimo confortável, sem exploração de trabalho para benefício próprio de terceiros. Tudo sempre em defesa também da solidariedade (apoio mútuo), harmonia entre os indivíduos, propriedade coletiva, autodisciplina, responsabilidade (sendo individual e coletiva) e forma de governo baseada na autogestão.

Assim como os socialistas, os anarquistas acreditavam que era necessário haver um movimento revolucionário para combater as autoridades notórias. Porém, apesar dessa coisa em comum entre os tais, os anarquistas não apoiavam a ideia de que era preciso a criação de uma ditadura para que a sociedade comunista fosse alcançada. Na opinião do movimento anarquista em si, a substituição de um governo por outro iria apenas salientar e fortalecer novas formas de pressão e desigualdade.
 

• Anarquismo no Brasil



No Brasil, a ideologia, ou seja, o sistema de ideia e valores, se uniu com o desejo de uma transformação da política através de uma ação revolucionária; trabalhadores imigrantes e "nativos", operários dos principais centros industriais do país, se reuniram em um comício-monstro na Praça da Sé, adotando a estratégia de política anarquista para os sindicatos. O sindicalismo revolucionário se tornou a principal ferramenta de luta.

Fontes
Anarquismo - O Maior Portal Anarquista do Brasil
Brasil Escola

Instrumentos de Tortura e Execução

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A tortura existe desde que há civilização, tendo adquirido requintes especialmente violentos durante o Império Romano. Junto ao suplício físico, a Santa Inquisição somou o terror psicológico - algo irônico para o Cristianismo, que se dizia uma religião de amor e fraternidade.
De início, a Igreja Católica era contra a prática da tortura, mas, em 1252, o papa Inocêncio IV promulgou a bula que autorizava os castigos físicos para a obtenção de confissões, consideradas a principal  evidência de uma heresia. Durante o período de perseguição às bruxas, quem denunciasse outros supostos servos de Satã poderia ter a sorte de ser executado de uma maneira um pouco menos cruel.

• Instrumentos

A partir do século XV, a Igreja criou manuais para orientar os seus carrascos. A única recomendação era que a tortura nunca fosse infligida pelos padres.

Além de aparelhos sofisticados e de alto custo, eram utilizados instrumentos simples como tesouras, chicotes e barras de ferro aquecidas. É difícil distinguir os instrumentos de tortura daqueles destinados à execução, visto que ambos eram terríveis e, muitas vezes, levavam à morte de forma extremamente dolorosa.

•••••••Touro de Bronze


Primeiro dispositivo de tortura da Grécia Antiga, consiste em uma peça oca suficientemente grande para confinar uma pessoa. O touro, que inicialmente era apenas aquecido, foi aperfeiçoado com uma complexa tubulação que fazia os gritos do condenado soarem como o animal enfurecido.

•••••••Túnica Molesta


Criada a pedido do imperador romano Nero, que queria impressionar o público dos anfiteatros com novos espetáculos. Uma túnica de tecido fino era revestida por uma pasta feita a partir de um líquido inflamável que alimentava uma verdadeira bola de fogo humana até que todo o corpo fosse consumido.

•••••••Empalamento


Uma estaca de madeira com a ponta afiada podia ser introduzida através da boca, umbigo ou - mais comumente - pelo ânus. Verticalmente, a estaca atravessava o corpo sem atingir órgãos vitais, o que fazia com que a vítima permanecesse viva durante dias a fio.

Embora tenha mais de 3 mil anos - diz a lenda que Assurbanípal, monarca assírio da Antiguidade, gostava de assistir a sessões enquanto fazia as refeições -, o maior praticante do empalamento da história foi Vlad Tepes, governador da Wallachia (atual Romênia) no século XV e figura que inspirou Bram Stocker a escrever Drácula. Vlad, o Empalador, como passou a ser chamado, foi prisioneiro dos turcos até os seus 12 anos e com eles aprendeu a crueldade: acredita-se que tenha torturado mais de 20 mil turcos com estacas de pinho no chamado Campo dos Empalados.

•••••••Fogueira


Estrangulamento de Marianna de Karvajal, litografia do século XIX

Tida como um ato de misericórdia, a morte pela fogueira dava uma pequena amostra do fogo do Inferno para que o herege se arrependesse e tivesse a alma perdoada. Dependendo de como a pira fosse organizada, a morte podia acontecer de três maneiras distintas: por asfixia consequente da inalação de fumaça, que queimava a garganta e afogava os pulmões em seus próprios fluidos; por queimaduras causadas apenas pelo calor das chamas, que já era suficiente para descolar a pele; ou pelo próprio fogo, que repuxava as articulações - causando espasmos involuntários -, derretia pele e músculos e consumia todo o corpo em cerca de 45 minutos.

•••••••Pêndulo


Interrogatório no Strappado, de Bessonov Nicolay (1992)

Simples e rápido: com os pulsos amarrados atrás das costas por uma corda que se estendia até uma roldana, a vítima era violentamente suspensa e tinha os ombros deslocados. Para intensificar o sofrimento, podia ter pesos presos aos pés. Acredita-se que Maquiavel, autor de O Príncipe, tenha sido submetido a este tipo de tortura quando foi preso, em 1513.

•••••••Dama de Ferro


O nome dama de ferro inspirou os ingleses do Iron Maiden

Também chamado Virgem de Nuremberg, cidade onde foi criado no século XVI, consta que tenha sido utilizado pela primeira vez em 1515 com um falsificador de moedas. A dama de ferro é um sarcófago de dois metros de altura com espinhos longos e afiados dispostos de forma a não atingir nenhum órgão vital e prolongar o sofrimento; duas portas, uma de cada lado, se abriam para dentro e para fora enquanto feriam pontos que ainda não haviam sido machucados. O acusado podia passar dias lá dentro sem que seus gritos fossem ouvidos.

•••••••Esmaga Cabeça


Capacete metálico que pressionava a cabeça contra uma base sob o queixo e tinha como objetivo "excruciar a mente demoníaca" - mas a lista de pensamentos que a Igreja considerava heréticos era tão extensa, que não era nada difícil encontrar um motivo para condenar alguém. Por ser mais frágil, o maxilar era o primeiro a quebrar; em seguida os olhos saltavam das órbitas e, por último, o cérebro vazava pelo crânio despedaçado.

•••••••Estripador de Peitos


Tenazes em brasa, de Bessonov Nicolay (2001)

Garras metálicas muito comumente aquecidas que dilaceravam os seios até torná-los irreconhecíveis; muitas vezes, quatro garras eram utilizadas simultaneamente. Uma variante do instrumento, que punia mulheres acusadas de adultério, era chamada de aranha: fixada na parede, prendia e puxava os seios até removê-los.

•••••••Roda


Inicialmente com as mãos e pés amarrados, a vítima tem os ossos esmagados por golpes de uma barra de ferro. Se conseguisse quebrá-los sem rasgar a pele, o carrasco seria aplaudido pela multidão por conta de sua habilidade. A ideia era não ter sangue ou fraturas expostas. Em seguida, o corpo desfigurado seria enrolado na parte externa da roda e queimado por brasas (ou espetado por agulhas) enquanto ela girava em torno de seu próprio eixo.

•••••••Berço de Judas


Peça triangular de madeira sobre a qual a vítima, sustentada por correntes, era colocada de pernas abertas; o afrouxamento brusco ou gradual das correntes tornava inevitável que o dispositivo a penetrasse.

•••••••Burro Espanhol


Interrogatório de Marie Curlie, de Bessonov Nicolay (2001)

Com pesos amarrados aos pés, a vítima era montada nua sobre a placa de madeira que tinha um formato triangular acentuado. O peso de seu próprio corpo contra o fio cortante acabava por dividi-lo ao meio.

•••••••Esfola


Com os braços amarrados acima da cabeça, o condenado tinha a pele lentamente retirada por uma pequena faca, começando pelos pés. A maioria das vítimas morria antes que o carrasco chegasse à sua cintura. Já conhecida no Oriente Médio e na África, a esfola foi largamente praticada durante a Idade Média.

•••••••Mesa de Evisceração


O acusado era deitado sobre a mesa e tinha os pés e as mãos imobilizados. Como um anzol, um pequeno ganho preso a uma corrente era inserido no abdômen através de uma incisão e extraía os órgãos internos.

•••••••Gaiolas Suspensas


Nuas ou seminuas, as vítimas eram aprisionadas em gaiolas pouco maiores do que elas mesmas e que, por sua vez, eram suspensas em postes ou vias públicas. O cadáver permanecia exposto até se desintegrar completamente.

•••••••Pera da Angústia




Composta por folhas metálicas que, quando abertas, se expandiam em até três vezes o seu tamanho, a pera era forçada através do ânus (em caso de acusação de homossexualismo), vagina (adultério e bruxaria) ou boca (blasfêmia). Dentes pontiagudos na extremidade das folhas auxiliavam a rasgar os intestinos, o útero ou a garganta.

•••••••Cadeira da Inquisição


Nua, a vítima se sentava na cadeira coberta por espinhos que perfuravam as suas costas, pernas e braços. Além do seu próprio peso, cintas de couro apertadas ajudavam a aumentar a dor gradualmente; por vezes, brasas eram colocadas sob a cadeira e queimavam os pés do acusado. O método sobreviveu na França e na Alemanha até o século XIX.

•••••••Cadeira das Bruxas




Pretendia imobilizar o acusado, prendendo-o de costas ao assento com as pernas no encosto, para intimidá-lo com outros métodos de tortura.

•••••••Cadeira do Tigre


Método chinês que consiste em amarrar as pernas da vítima à cadeira e colocar cada vez mais tijolos sob os seus pés - até que as cordas arrebentem. Simultaneamente, o acusado tem a boca amordaçada de maneira a rasgar os cantos dos lábios e pode receber choques elétricos.

•••••••Garfo


Garfo de metal com duas pontas afiadas que penetram o queixo e o tórax, matando lentamente por asfixia. Preso a um colar de couro que é colocado no pescoço, ao longo do instrumento lê-se os termos Abiuro e I renounce, uma vez que as heresias mais graves deveriam ser punidas com a renúncia à vida - mas ao menos a alma ainda seria salva.

•••••••Máscaras


Feitas de ferro e nas mais variadas formas (orelhas de burro ou focinho de porco, por exemplo), por vezes tinham artifícios internos como bolas que pressionavam os olhos ou o nariz, ou lâminas que dilacerariam a língua do condenado se ele tentasse gritar ou chorar. Ainda assim, o incômodo físico não era tão grande quanto a humilhação pública, visto que as máscaras eram uma forma de punir os mentirosos.

•••••••Garras de Gato


Garras metálicas suficientemente grandes para rasgar não apenas a pele, mas também os músculos da vítima.

•••••••Quebra Joelhos


Unidas por duas roscas, duas placas paralelas de madeira que podem conter pregos eram apertadas até esmagar completamente os joelhos. Este tipo de tortura normalmente era feito em sessões que aumentavam a dor de maneira gradual.

•••••••Cavalete


Com os braços presos aos furos na parte superior e as pernas acorrentadas à outra extremidade, o acusado tinha as costas pressionadas pelo peso do próprio corpo contra o fio cortante do bloco. Enquanto isso, com um funil, o torturador tapava seu nariz e obrigava-o a ingerir água.

•••••••Banco da Tortura


Os romanos chamavam-no equuleus (cavalo jovem), mas o dispositivo pode ter sido inspirado na antiga lenda grega do gigante Procrustes, que esticava os viajantes em uma mesa de ferro até que eles coubessem nela. Este processo, que se resume a amarrar pulsos e tornozelos a tábuas gradualmente afastadas, provoca danos irreversíveis nos ossos e articulações.

•••••••Potro


Mesa com orifícios laterais onde o acusado tem os membros amarrados pelas partes mais fortes, como panturrilhas e antebraços. Quando uma manivela era girada, as cordas produziam um efeito torniquete e, no mínimo, necrosavam os tecidos. A legislação espanhola decretava um número máximo de cinco voltas permitidas, para, caso o acusado fosse inocente, não ficasse com sequelas irreparáveis. Entretanto e não raro, este número era excedido até que os ossos fossem esmagados.

•••••••Garrote


Colar de ferro com pregos que penetravam a coluna cervical. Preso a um pilar, este instrumento foi muito usado na Espanha até o fim do século XX e podia matar tanto por asfixia quanto pelo esmagamento da coluna - o que viesse primeiro.

•••••••Serrote


Com as pernas abertas e amarrada de cabeça para baixo, a vítima era serrada ao meio. O fato de mantê-la de ponta a cabeça diminuía a perda de sangue e melhorava a oxigenação do cérebro, retardando a morte e prolongando a dor.

•••••••Botas


Cunhas de ferro que esmigalhavam pernas e pés. A cada pancada do martelo que apertava as peças, o inquisidor repetia a pergunta. Uma variante deste dispositivo era a bota espanhola, que, durante a Inquisição no país, era aquecida e comprimida por uma manivela.

• Tortura Contemporânea


Pirâmide humana na prisão iraquiana de Abu Ghraib

Um dos maiores escândalos assistidos pelo mundo aconteceu em 2003, logo após a ocupação do Iraque por soldados norte-americanos e ingleses. Imagens comprovaram que os soldados humilhavam e torturavam prisioneiros iraquianos obrigando-os a rastejar nus pelo chão e a ingerir fezes e urina.

•••••••Tortura à Brasileira


O Brasil conviveu com a tortura durante o chamado Estado Novo (1937-1945) do governo de Getúlio Vargas e, principalmente, no Regime Militar (1964-1985). O mandato do general Emílio Garrastazu Médici, em especial, constituiu os chamados anos de chumbo, com desaparecimentos, severas punições e execuções dos opositores ao regime. Mas os castigos físicos não se resumem aos 21 anos de ditadura: em abril de 2001, a ONU divulgou um relatório com 348 ocorrências de tortura no Brasil registradas apenas nos meses do segundo semestre de 2000.

Fontes
Alborno'z Blog - Tortura Medieval
Apocalipse 2000 - O Museu da Tortura
Câmara da Tortura
Correio do Ribatejo - O gosto pela tortura, J. C. Almeida Gonçalves
Nova Enciclopédia Ilustrada Ana Maria - volume 12
Rart og Grotesk Blog
Spectrum Gothic - Métodos de Tortura e Execução na Idade Média
The Torture Museum

Holocausto



Judeus são transferidos após rebelião no Gueto de Varsóvia, em 1943

Antes chamados de centros de reeducação, os campos de concentração foram criados em 1933 e receberam este nome dos próprios soldados da Shutzstaffel, a SS (Esquadrão de Proteção). Em 1941, Adolf Hitler percebeu que neles estava o que ele chamava de solução final para evitar a miscigenação: com ajuda de civis simpatizantes - eficientemente instruídos pela propaganda nazista a odiar os judeus - os soldados embarcavam os "indesejáveis" nos trens.

• Guetos

Enquanto saqueavam casas, destruíam o comércio e humilhavam judeus por toda a Europa, os nazistas restauraram os guetos - bairros criados durante a Idade Média para proteger os cristãos. Neles, famílias inteiras viviam em condições subumanas: alimentação escassa (cerca de 200 kcal ao dia, o que representa apenas 10% do valor recomendado) e trabalhos forçados. Tentativas de fuga eram sumariamente reprimidas. Os guetos confinavam prisioneiros que iriam para os campos de concentração, mas muitos morriam de fome ali mesmo; os corpos em decomposição não eram retirados, o que comprometia as condições higiênico-sanitárias.

O Gueto de Varsóvia foi o primeiro a se rebelar contra as tropas de Hitler; foi criado em setembro de 1939, logo após a invasão da Polônia. O bairro era cercado por um muro de 3 metros de altura, e os 590 mil prisioneiros deram tiros e atiraram granadas contra os nazistas durante todo o mês de abril do ano de 1943. 56 mil judeus morreram.

• Campos de concentração

Ao embarcar nos trens, as famílias eram separadas e, na maioria das vezes, jamais se reencontravam. Enfileirados, até mesmo idosos, mulheres e crianças eram vistoriados pelos médicos alemães; essa revista servia para escolher os que seriam mortos imediatamente e os que viveriam por estarem aptos ao trabalho braçal.
Os que ficavam eram despidos, levados aos chuveiros e tinham os cabelos e pelos das axilas e genitálias raspados. Recebiam boné, meias, calças e um paletó com um triângulo que distinguia judeus (amarelo), estrangeiros (azul), homossexuais (rosa), prisioneiros políticos (vermelho), criminosos comuns (preto), pacifistas e religiosos contrários ao regime (violeta).
Os prisioneiros dormiam no chão ou em camas cobertas com capim dentro de barracões superlotados. Acordavam às cinco da manhã, tomavam apenas café puro e seguiam em fila para o trabalho. Nos campos onde não havia o que fazer, passavam horas executando movimentos repetitivos como tirar e colocar o boné - conduta que tinha por objetivo enfraquecer o moral dos presos. Ao meio dia, recebiam uma sopa rala com batatas diretamente sobre as mãos; alguns sortudos tinham pratos de latão.

• O pior crime do mundo


Em 1944, forças soviéticas chegaram ao campo de concentração de Lublin, na Polônia, onde encontraram cerca de 500 mil prisioneiros e mais de 1 milhão de pares de sapatos pertencentes aos judeus que ali haviam sido confinados.

Até 1941, os judeus não podiam exercer certas profissões e nem estudar em escolas públicas da Alemanha e Áustria. Durante toda a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os nazistas aprisionaram entre 7 e 8 milhões de judeus em seus 22 campos de concentração. Cerca de 6 milhões deles morreram de fome, foram fuzilados ou serviram como cobaias em experiências científicas que nunca comprovaram a superioridade da raça ariana, mas a maioria foi para as câmaras de gás.
Auschwitz, na Polônia, foi o maior campo de concentração nazista e fez cerca de 1 milhão de vítimas. Quando os soviéticos chegaram, após a derrota alemã e o suicídio de Hitler, encontraram apenas 5 mil sobreviventes em condições desumanas. Os soldados encontraram também esconderijos com pertences dos prisioneiros, como dentes de ouro arrancados à força pelos alemães.

O Holocausto deixou o mundo literalmente sem palavras: foi necessário encontrar um novo termo para explicá-lo. Em 1494, o jurista judeu Raphael Lemkin escreveu pela primeira vez a palavra genocídio, que designa o extermínio de uma raça (do grego genos). Criou, assim, um conceito que a humanidade conhecia, mas nunca havia diagnosticado: a intenção de destruir todo um grupo étnico ou religioso. Logo após o fim da guerra, em 1948, a recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU) considerou o genocídio como o pior crime do mundo.

Fontes
Coleção Grandes Impérios - volume III, Almanaque Abril
Nova Enciclopédia Ilustrada Ana Maria - volume 6

Mitologia nas águas



Se procurarmos o termo mito no dicionário, pode ser descrito como: fato, passagem dos tempos fabulosos, tradição que, sob forma de alegoria, deixa entrever um fato natural histórico ou filosófico. Por final também sendo relacionado à coisa inacreditável e sem realidade.
Mitologia é um conjunto de mitos, baseados em histórias fabulosas dos deuses, semideuses e heróis da antiguidade.  

William Shakespeare (1564-1616), considerado um dos maiores escritores de todos os tempos, por suas grandiosas obras, pensava que na vida de cada pessoa, surge uma maré que conduz à fortuna. Quem perde essa correnteza afunda-se no vazio e na tristeza. 
Na antiga Índia, a literatura era comparada com rios formados de histórias.
Os setes mares sempre despertaram curiosidade e principalmente a imaginação fértil dos seres humanos.
A modificação de cores, o
 movimento constante provocado pelo vento, ao mesmo tempo em que suas ondas calmas parecem ser acolhedoras, são imprevisíveis e às vezes, até mesmo mortais. Repleto de mistérios; poderia alguém controla-lo?  
E foi a partir daí que nasceram as criaturas que habitam as profundezas marítimas e seus respectivos contos.

• Poseidon


Na Mitologia Grega, Poseidon é o deus dos mares – irmão de Zeus (que por sua vez, é deus dos céus) e Hades (deus do mundo subterrâneo).
Maremotos são atribuídos à ira de Poseidon, que costuma atravessar o mar com sua carruagem puxada por cavalos-marinhos. O tridente encontrado em suas mãos tem o poder de criar ondas furiosas, gigantescas, fortes agitações e atrair terríveis tempestades.

• Kraken


Um polvo gigantesco e perigoso, considerado inimigo dos navegadores. Se ele chegar a atacar um navio, não tem como fugir de seus enormes tentáculos envolventes. 
Reza o mito que se esconde nos mares da Noruega e quando se sente ameaçado, solta uma tinta negra que escurece as águas, como próprio objetivo de defesa. Por isso, ''os inimigos'' não conseguem enxergar tal ser.

No segundo filme de Piratas do Caribe (intitulado como Piratas do Caribe: O Baú da Morte), a criatura aparece, colocando a vida do capitão Jack Sparrow em perigo por ter uma ''dívida'' com o comandante do navio Holandês Voador, Davy Jones. 
Depois de conseguir escapar das garras de Davy Jones e da perseguição de Kraken, Jack espera estar liberto, até que é colocando em uma armadilha e o Pérola Negra junto com o Capitão Sparrow, são arrastados para as profundezas do mar pelo polvo, que se ergue atrás dele e o devora ao final do filme.
Mas, os sobreviventes do navio partirão em uma futura aventura em busca de recuperar Jack, na sugestão de resgata-lo na pós-vida. 

• Sereias e Nereidas
 

Lindas mulheres com caudas de peixe, as sereias podem ser encontradas por todos os mares. São características por gostarem de crianças e muitas vezes, assumem sua forma humana para brincar com as mesmas na beira do mar. Quando se firma uma amizade entre esses seres diferentes realidades, a sereia pode passar a proteger a criança escolhida, surgindo em seus sonhos para alertar contra qualquer perigo. 
Dizem que o belo canto de uma sereia pode encantar e deixar um marinheiro ou qualquer outro homem, literalmente hipnotizado e apaixonado não somente por sua beleza, mas também, pela sonoridade perfeita que sua voz expõe. 

No curta de 1968 de Raoul Servais, chamado Sirene, uma triste e bonita história sobre o assunto é relatada. O que demonstra que os seres mitológicos ganham destaque em ficção e fantasias.

Já as 
nereidas são criaturas mágicas do Mar Mediterrâneo; belas jovens que flutuam sobre as ondas, interagindo com gaivotas e golfinhos.

• Nagas



Seres mágicos que as águas ocultam, segundo a tradição da Índia, tais criaturas podem assumir tanto a forma de uma serpente quanto de uma bonita jovem com cauda de cobra. Habitantes de cidades secretas submarinas; apreciam joias brilhantes.

• Dragões-marinhos 


Nos antigos mapas de navegação era comum encontrar os pontos de localização e indicações das cavernas de dragões-marinhos; espécies de serpentes imensas que vinham à superfície para respirar, o que acabava sendo uma ameaça para os barcos que estavam ao seu redor; eram destruídos por suas caudas.
Contam que o fundo do Mar Mediterrâneo escondia um dragão que jamais dormia ou repousava; outros não pereciam por serem guardiões de tesouros preciosos. 

• Furacões Fantasmas e Mar de Trevas

Maelstrom
é conhecido por ser um imenso furacão que ocorre no mar, engolindo e destruindo navios; surge na superfície como formato de um grande funil, emitindo um rugido que pode ser ouvido de longe, considerado um dos sons mais assustadores do mundo. 

Uma região onde podem ser encontrados os navios fantasmas desaparecidos? Mare TenebrosumUm lugar que não está marcado nos mapas, pois a zona não pode ser encontrada facilmente, já que surge do nada à meia noite e todos os navios que passam por ela, penetram nas trevas do mar sem ao menos dar conta, geralmente quando não há Lua nem estrelas no céu. 

Fontes  
Folha de S. Paulo/Folhinha – Histórias, sábado, 8 de janeiro de 2011. 

Google Imagens
Silveira Bueno – Minidicionário 

Wikipedia
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A Crueldade Humana




A caça às bruxas da Inquisição, a perseguição aos judeus do Holocausto, as torturas da ditadura militar, as barbáries durante a escravidão: não faltam exemplos de como, sempre com argumentos pretensamente racionais, a maldade humana foi exercida com imensa crueldade. Até hoje há genocídios em curso em regiões da África e perseguições por motivos políticos e religiosos em diversas partes do globo. Não é preciso ir nem tão longe, aliás. Nas prisões brasileiras, o uso do pau de arara - instrumento no qual o torturado fica pendurado de cabeça para baixo - e as sessões de espancamentos e choques ainda são comuns.

De todos os animais, o mais cruel é o ser humano. Animais matam quando tem fome, matam para se defender, mas nenhum mata por prazer. O homem mata. Foi o que aconteceu durante o Holocausto.
Faz parte do sistema ter um exército de miseráveis disponíveis para forçar a classe trabalhadora. Isso para que, se alguém se insubordinar em uma empresa ou fábrica, tem mais cem na porta disputando a vaga dele. Ou seja, a violência continua sendo a base do sistema.

Pode-se dizer que existem condições para esse tipo de coisa. A carceragem das cadeias é um exemplo. Nem todo carcereiro é um sádico, mas o local é um prato cheio para alguém que seja. O que não necessariamente quer dizer que toda violência é cruel.
Para a convivência temos que viver sob restrições. Isso provoca impulsos agressivos e cruéis que devem ser extravasados. Jogos de videogames violentos podem ser um jeito de lidar com esses impulsos, essa necessidade de extravasar.
Se a pessoa não tiver a possibilidade de descarga, se viver em uma estrutura muito rígida, pode desenvolver esse tipo de comportamento.



Não dá para afirmar que a maldade é genética, apesar de haver correntes que defendem essa ideia. Ninguém nasce psicopata ou sádico. Há pesquisas que tentam achar combinações genéticas, tem até pesquisadores que dizem ter provas, mas até hoje não existe nenhuma evidência científica disso. A forma como se educa uma criança e como a pessoa se insere na sociedade é determinante. Quanto menos repressora for a socidade, menos intenso esse tipo de manifestação. Não tem acabar com regras e leis, elas têm que existir e nós temos que lidar com um tanto de agressividade social.

Sempre haverá o mal-estar da civilização. Faz parte da sociedade produzir violência. Mas temos meios de lidar com ela. É uma área ainda vista com preconceito. As pessoas pensam "não sou louco, por que vou fazer terapia?", e só procuram ajuda na hora que a água transborda.

Em relação à crueldade, é possível tratar para que se impeça que outras pessoas sofram e ela mesma também. Nós sobrevivemos ao pau de arara, mas o pau de arara também sobreviveu. Não podemos esquecer.

Fontes 
Folha Universal, 16 de setembro de 2010.

A Reforma Protestante


Foto retirada do filme Lutero, que conta a história e trajetória do monge que ficou conhecido por causar uma cisão na Igreja Católica, provocando a Reforma Protestante

• O poder da Igreja 

Durante a Idade Média, a Igreja Católica se consolidou, aos poucos criando pilares e ficando cada vez mais rica, firmando território sólido na Europa Ocidental. 
A hierarquia católica - padre, bispo, arcebispo, cardial e papa - tornou-se de extrema influência para a sociedade, muitas vezes como grandes senhores feudais. Enquanto isso, os pequenos clérigos não possuíam muitos bens, lutando contra a miséria. 
Mas, a Igreja  também tinha quase completo domínio sobre a vida espiritual e material da população, ganhando assim um certo poder predominante com todos os devotos. 

• Preço da salvação 

Os representantes pregavam que se você contribuísse, pagando as devidas indulgências (indulgência é o perdão que a Igreja oferece àqueles que se arrependem de seus pecados. Nos primeiros tempos, assumia a forma de penitência pública, autoflagelação, por exemplo. Nos séculos seguintes, as indulgências se transformaram em cartas vendidas aos fiéis), comprando relíquias veneráveis (pretensos pedaços da cruz em que Cristo fora crucifixado.) Somente tais coisas poderiam absorver seus pecados e garantir a salvação na vida eterna. Também era recomendado: 

- Jejuar; 
- Ajudar os mais necessitados; 
- Evitar relações sexuais, a não ser que estivesse ligado a procriação; 
- Não dizer ofensas que pudessem ser consideradas como blasfêmia ou calúnias. 

O povo acabou incorporando outros pretextos para garantir lugar nos céus, como: autoflagelações e peregrinações à locais considerados sagrados (Roma - onde se encontra os corpos dos apóstolos Pedro e Paulo -, Jerusalém - lugar no qual Cristo morreu -, e Santiago de Compostela - cidade que teria sido enterrado São Tiago.) 

Entretanto, como pode se imaginar, nem todos tinham uma mente fechada, fanática e crente em tudo aquilo que a Igreja Católica impunha. E foi a partir daí que surgiram pensadores humanistas que criticavam os abusos cometidos pelo alto clero - muitos dos mesmos foram acusados de heresia pela Igreja e condenados a morrer na fogueira. - 
De acordo com um desses intelectuais, Erasmo de Roterdã afirmava que era necessário que a Igreja se assumisse mais humilde e desvinculada dos bens materiais, conforme era proposto pelos ensinamentos dos evangelhos. 
Apesar da repressão, o movimento que ditava regras contra as práticas consideradas imorais, foi crescendo e ganhando força. O protesto ficou conhecido como Reforma, graças ao seu líder, o revolucionário Martinho Lutero. 

• Surge o desafiador 

Martinho Lutero (1483-1546) era um monge agostiniano que lecionava Teologia na Universidade de Wittenberg, na atual Alemanha. 
Quando, em 1517 no Sacro Império Romano-Germânico, desafiou a Igreja, outras pessoas sentiram-se motivadas a fazer o mesmo. 
Lutero propunha mudanças na Igreja de Roma. Suas propostas provocaram uma intensa transformação, nascendo assim a Reforma Protestante e respectivamente o protestantismo.
Em 1530, auxilado pelo humanista Philipp Melanchthon, Lutero redigiu a Confissão de Augsburgo, que constituiu a doutrina da Igreja Luterana. 

• O Protestantismo 

As promessas reformistas de Lutero se difundiram rapidamente. Entre seus princípios estavam: 

- A teoria do sacerdócio universal, segundo o qual, qualquer pessoa poderia interpretar os textos sagrados e ser ''sacerdote de si mesmo'', sem a necessidade de ter um representante para intermediar sua relação com Deus. 
- A tese da salvação pela fé, que rejeita as ideias da Igreja Católica com a crença da salvação pelas obras, especialmente as ''falsas boas obras'', pagas com dinheiro. 
- Abolição dos sacerdotes. 
- Eliminação dos sacramentos, isto é, das típicas cerimônias de benção, com exceção do batismo e da eucaristia. 
- Substituição do latim pela língua germânica nas cerimônias religiosas (já que foi Lutero que traduziu a Bíblia Sagrada do latim para o alemão, deixando disponível a todos que quisessem ler os santos evangelhos.) 
- Rejeição da hierarquia comum do clero católico. 

Ao desenvolver seus próprios conceitos e criar uma nova prática religiosa, Martinho Lutero provocou uma divisão, quebrando o potente monopólio da Igreja Católica. 
Porém, os conflitos e hostilidades  se prolongaram até 1555, ano em que o imperador assinou a Paz de Augsburgo, garantindo enfim, liberdade religiosa aos protestantes.

• Duas Teses de Lutero

''Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disso gasta dinheiro com indulgências (...) provoca a ira de Deus.''
''Esperar ser salvo mediante cartas de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.''

Fontes 
HISTÓRIA - Gislane e Reinaldo
Wikipedia